12 abr 2017

A mãe dedicada

Não basta ser a mãe dedicada, você também tem que seguir tudo do jeito que os outros falam

 

a mãe dedicada

O bebê nasce e ao nosso lado estão avós, vizinhos, tias, médicos, enfermeiras, todo mundo palpitando em como você deve cuidar do seu filho. A criança cresce mais um pouquinho e sempre tem um palpiteiro de plantão dizendo “ah, ela tá com fome”. “está com sono”. “coloca ela pra dormir”. “essas crianças não saem de frente da televisão”. “ixi, o nariz está escorrendo, ele está ficando gripado”. “compra comida pra essa criança”. “essa criança vai ficar mal acostumada” e blá blá blá. Claro, as pessoas tem a melhor intenção do mundo! Parece que a mãe é que não tem.

É sempre mais fácil alguém apontar o dedo do que levar seu filho mais velho para passear, enquanto você fica com o recém-nascido. Ou palpitar em como você deveria cuidar melhor dos seus filhos, quando poderiam oferecer-lhe ajuda. Há algo que as pessoas não se dão conta! Mães, de primeira viagem ou não, sabem cuidar de seus filhos e o fazem muito bem. Porque a mãe se dedica a essa tarefa. Ela se prepara durante 9 meses e quando seu filho chega em seus braços, a mãe está pronta, embora não pareça, para dedicar-se à missão que tem pela frente.

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Essa é a crença do pediatra e psicanalista Winnicott, conhecido também por afirmar a ideia da mãe suficientemente boa. O que significa aquela mãe (não necessariamente a que deu à luz) que tem a percepção das necessidades do bebê e responde adequadamente aos diferentes estágios do desenvolvimento dele.

Em seu livro “Os bebês e suas mães”, Winnicott, fala logo nas primeiras páginas:

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Quando uma mãe é capaz de ser mãe com toda naturalidade, jamais devemos interferir. Ela será incapaz de lutar por seus direitos, pois não terá uma compreensão dos fatos. Tudo o que saberá é que foi ferida. A única diferença é que o ferimento não é um osso quebrado ou um corte em seu braço, mas sim a personalidade mutilada do bebê. É muito comum que uma mãe passe anos de sua vida tentando curar esse ferimento, que na verdade foi causado por nós quando, desnecessariamente, interferimos em algo que, de tão simples, não parecia ser importante.

As pessoas não tem noção em como prejudicam uma mãe no puerpério. E como magoam as mães em qualquer fase de sua vida materna quando tentam impor o seu jeito certo de dar de mamar. de pegar no colo. de por para dormir. de criar seus filhos. As mães fazem e sabem cuidar de seus filhos porque simplesmente são mães. Elas também tem algo a ensinar e adquirem essa experiência naturalmente. Segundo Winnicott, é um conhecimento intuitivo.

Se todos os pediatras fossem assim…

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Quem dera se todos os pediatras fossem como Winnicott. Ele desejava que todas as mães conseguissem se sentir confiantes em sua capacidade como mães. E que não pensassem que, por não terem um conhecimento profundo de vitaminas, não saberiam, por exemplo, qual a melhor maneira de segurar seu bebê no colo. As mães não só sabem o melhor jeito de segurar seus bebês no colo, como sabem o que oferecer-lhes caso pegue um resfriado.

Mães devem se sentir orgulhosas, pois possuem conhecimentos especializados que não podem ser ensinados. E só podemos aprender com segurança as coisas que profissionais de saúde, por exemplo, podem nos ensinar, se formos capazes de conservar em nós mesmas, aquilo que nos é natural. Ou seja, precisamos confiar na nossa capacidade de sermos mães e estarmos fazendo o nosso melhor.

E não há de se entrar em competições entre mães. Porque no mundo há lugar para todos os tipos de mães. E todas se saem bem no papel que desempenham. O que cada mãe precisa ter esclarecido dentro de si é um conceito básico: se você trata bem o seu bebê, está fazendo algo de extrema importância. E segundo Winnicott, isso já é uma pequena parte da maneira pela qual dará um bom alicerce à saúde mental do seu filho, que com certeza virá a se desenvolver bem e contribuirá para sua comunidade.

As mães precisam ter a consciência da capacidade natural que possuem. Isto é importante, pois pessoas insensatas tentarão, muitas vezes, ensinar-lhes como fazer as coisas que vocês podem fazer muito melhor do que podem aprender a fazer.

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