07 jun 2016

Alfabetização, paciência e amor

Dois ingredientes essenciais para alfabetização: paciência e amor

alfabetização

Livro de atividades do Benjamin

Entramos em fase de alfabetização do Benjamin. Eu pensei que ainda demorava, mas foi ele mudar de escola e seu desenvolvimento deu um salto gigantesco. O interesse dele pelas letras tem me causado uma surpresa gostosa e até certa nostalgia. Até outro dia, eu esperava ansiosamente para ele sentar, bater palminha, mandar beijo, ficar em pé, sair das fraldas… agora eu torço para o primeiro dente dele demorar a cair, para o tempo passar mais devagar e vejo meu menino descobrindo as sílabas das palavras em uma revista, escrevendo alguns nomes sozinho e até me dando cartão escrito (com a letra garrancho mais linda do mundo): “eu te amo”. Ou seja, não demora muito ele estará lendo sozinho. O tempo está voando.

Nunca tive pressa pela alfabetização. Tanto que quando ele começou a escrever seu nome, há um ano e meio, me incomodou bastante, pois ele estava com 3 anos e achava muito cedo ter uma pressão para que ele soubesse escrever o próprio nome. Achava que não precisava ser aos 3 ou 4 anos, que existiam outras prioridades de habilidades motoras, cognitivas, emocionais. Aspectos esses a serem desenvolvidos brincando livremente. Afinal, através de brincadeiras, as crianças têm possibilidades de aprendizagem muito maior do que fazê-la ficar copiando seu nome vinte vezes. Considerando também que cada criança tem seu próprio ritmo, pra mim sempre foi tudo bem se o colega da escola já soubesse contar até 50 e meu filho até 10. Então, não tinha problema se ele não soubesse escrever seu nome aos 3, 4 anos, normal.

Às vésperas de completar 5 anos, meu Ben demonstra grande interesse e curiosidade pelo universo das letras. Questiona, pesquisa em revistas, quer recortar palavras conhecidas para guardar, copiar outras. O que mais me surpreende é que ele passou a compreender que as letras tem função e representam os sons da nossa língua. E estou achando genial essa conexão toda.

Alfabetização Ben

Aqui era uma atividade com as vogais

A escola esta tendo um papel fundamental nesse processo, acredito que os pais também tem uma função importante nessa jornada. Em casa somos todos da área de comunicação, eu sou a que falo mais, em contrapartida também escrevo e leio bastante. Sou da opinião que para o filho se interessar por livros, precisamos oferecer à criança um ambiente propício desde cedo. Além de ter livros em casa, os pais também precisar gostar de ler. Existe um estudo do Centro Norueguês de Leitura da Universidade de Stavanger que mostra a importância de ler em casa desde os primeiros anos de vida da criança para a aquisição da leitura e até da escrita formal na escola. O resultado desse estudo indica que, quanto mais significativo é o livro na vida das crianças desde pequenas, mais preparadas elas estarão para aprender a ler e escrever.

Cada vez mais penso no quanto a minha decisão em trocar o Benjamin de escola foi assertiva. A escola nova é com certeza a principal responsável por esse processo todo, inclusive no avanço de desenvolvimento dele. A escola é de linha construtivista. Os exercícios que Benjamin tem feito, são métodos analíticos, no qual a instituição faz o caminho inverso para a criança aprender. Ao invés de mostrar uma palavra toda pronta, a professora faz com que a criança vá reconhecendo os sons daquela palavra. Por exemplo, tem um exercício que é a escrita livre. Vem um desenho e apenas a primeira letra inicial daquela imagem, a criança escreve livremente a palavra. A ideia nem é escrever a palavra certa, é fazer o aluno pensar sobre a escrita e, assim, construir e lembrar o próprio conhecimento por tentativas de escrita de pequenos textos (ou imagens) com significado.

Métodos, exercícios, incentivo é tudo bem vindo para o processo de alfabetização, mas acredito que deve ser tudo sem pressão. Nosso filho vai aprender a ler e escrever no tempo dele. Precisamos, pais e profissionais (de qualidade) envolvidos, respeitar esse tempo e saber conduzir da melhor forma. Podemos estimular, mas sem pressa, passo a passo, sem pular estágios. O essencial é combinar alfabetização com dois ingredientes imprescindíveis: paciência e AMOR (com letras maiúsculas).  😉

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9 respostas para “Alfabetização, paciência e amor”

  1. Eu tenho ensinado a Emilly aqui em casa, e fico surpresa com a facilidade que ela tem para aprender! Está louca para ler, me enche de orgulho, eu gostaria de saber melhores formas de ensinar ela!
    Beijos!

  2. melissa disse:

    Adoro essa fase, tanto que foi a minha especialização!!
    Só achei estranho a escola ser construtivista e utilizar livros(apostilas)!

  3. Tatiana disse:

    O meu pequeno ele estuda em escola Waldorf, e antes do 1º setênio não se alfabetiza. Mas o interesse por letras surge em casa também, vamos ver como será isso. Bjs

  4. Oi Gabis, essa fase é muito linda. A escola tem papel fundamental no processo e nós podemos ajudar bastante fazendo com que seja uma etapa divertida, estimulante, natural e sem pressão. Eu curti muito essa fase com as minhas filhas. Eu tenho um post contando como eu ajudei na alfabetização delas. Se você quiser ver o link está aqui: http://inventandocomamamae.blogspot.com.br/2011/11/como-ajudei-na-alfabetizacao-das-minhas.html

    Que bom que a decisão de mudança de escola foi assertiva e estimulou o Ben.
    beijos
    Chris

  5. julianapelizzari disse:

    Esse crescimento, com certeza bate uma certa nostalgia…
    Quando caiu o primeiro dentinho do meu filho, deu aquela vontade de parar o tempo…
    Nunca acelerei nada, porque sempre pensei que traria saudade, e realmente trás…rs
    Que bom que vc mudou de escola, e teve um resultado positivo… As vezes sentimentos insegurança, mas quando a gente toma uma decisão que depois percebemos que acertamos, com certeza dá um conforto…
    Tudo ao seu tempo, e logo vai estar dominando as letras palavras… Mas que bate uma saudade, daquele bebezinho, isso a gente não nega…rs
    Bjs
    Ju

  6. Imagino como deve ser complicado. A Larinha tem três anos e agora começa a identificar as letras para formar o nome. Eu sempre acompanho e também estimulo. Gosto de dar aqueles jogo de letras embaralhadas e peço pra ela ir me mostrando as letras. Assim ela procura!

  7. Que riqueza.. eu nem imagino quando chegar essa fase aqui em casa. Terei que me dedicar e colocar horarios…
    Ótimo post Gabis

  8. Que legal Gabis!
    Tato já está numa fase mais a frente e tem sido bem interessante (e desafiadora) a vivência.
    beijos
    Lele

  9. Ótimo post! Me identifiquei porque aqui estamos também na fase de interesse pelas letras. Delícia observar o desenvolvimento deles. Bjs

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