22 dez 2015

Árvore de Natal

Imagem do Google

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Nessa época do ano é comum ficarmos mais nostálgicos. Eu sou por natureza e fico ainda mais em fim de ano. Começo a pensar em tudo o que passou no ano, faço balanço das metas atingidas, começo a pensar nos objetivos para o próximo ano. Lembranças da vida, em geral, como a infância e das pessoas que amamos, ficam mais persistentes. Duas músicas antigas, sempre me fazem refletir sobre essa coisa louca que é viver e, recentemente, ao escutá-las, o coração ficou do tamanho de uma ervilha. Uma delas é do Lulu Santos, na qual ele fala que nada será como foi um dia. A outra é da Cássia Eller,  “Por enquanto”, e mexe comigo porque eu já cheguei a acreditar que tudo era pra sempre.

Nada do que foi será
de novo do jeito que já foi um dia
tudo passa, tudo sempre passará,
a vida vem em ondas como o mar,

um indo e vindo infinito…

Uma verdade concreta, por vezes dolorida, outras confortante. A saudade pode ser dolorida, como pode ser gostosa. Dói ter a certeza de que algumas coisas já passaram e são impossíveis de vivê-las novamente, principalmente quando se diz respeito a convivência com alguém que amamos. Quem nos acompanha, sabe que perdi minha mãe há um ano e pouco. A falta que ela me faz é imensurável e, em alguns períodos, parece que essa falta aumenta ainda mais. Será nosso segundo Natal sem ela.

Essa música me faz pensar em como todos nós, em algum momento da vida, passa por algo que nos transforma tanto que fica impossível voltar a ser e viver o que éramos. Algumas vezes isso pode parecer triste, mas ainda bem que a vida é assim. Alguns acontecimentos, mesmo os mais tristes, servem para o nosso crescimento pessoal. E muitas vezes, infelizmente, de onde tiramos mais aprendizado é na dor.

Em época de Natal, qualquer coisa me dá vontade de chorar, desde ouvir uma música, até o cheirinho da árvore de Natal montada na sala – umas das coisas que minha mãe fazia religiosamente todo ano. Era como que um ritual. Desde pequena vi minha mãe montar árvore natural. Íamos a pé, pois nunca tivemos carro, até os cafundós da avenida Maria Amália, onde tinha um vendedor na rua, desses pinheiros. Todo ano ela comprava dele, até que depois de um tempo, e como se fossem velhos amigos, o senhor das árvores começou a nos dar carona de volta pra casa, antes o trajeto era feito também a pé e com a árvore a tira-colo. Quando lembro disso, sai até um sorriso largo no meu rosto, minha mãe não existia… risos.

Soube que a árvore de Natal também era algo presente no Natal da infância de minha mãe. Sua mãe, minha avó, também montava todos os anos. Ano enfeitava só com bolinhas amarelas, ano só com vermelha, ano mesclava as duas. E assim, vi minha mãe repetir a nossa vida toda juntas. E assim, comecei a reproduzir em minha casa desde que fui morar sozinha. Minha mãe dizia que essas duas cores atraem boas energias, além de prosperidade. Ela sempre fez do nosso Natal um momento de magia mesmo.

Tudo sempre passará, mudam as estações, as pessoas, os movimentos não são para sempre. Mas uma coisa ninguém tira de nós, as lembranças ficam guardadas na nossa memória. Uma das coisas que passei a me preocupar muito desde que perdi minha mãe, foi sobre as lembranças que quero deixar para os meus filhos. Quero que eles tenham uma infância maravilhosa e recheada de boas experiências, como o aroma do pinheiro de Natal. Por isso, e pela minha mãe, mesmo com uma pitada de tristeza no coração, comemoro o Natal. Meus filhos merecem isso.

Esse é primeiro Natal da Stella, o quarto do Benjamin. Eles me enchem de uma alegria incalculável e acho que é meu dever encher a vida deles de deliciosas lembranças, amor, magia. E assim como minha mãe fez comigo, ensinar-lhes o valor de celebrar os momentos com a família e a vida.

Mudaram as estações
nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Tá tudo assim, tão diferente
Se lembra quando a gente
chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre
sem saber
que o pra sempre
sempre acaba

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