30 maio 2016

A birra de todo dia

Não tem jeito, por mais que você ame, dê carinho e faça de tudo para evitar, a birra sempre aparece. Pode ser em menor ou maior intensidade, mas ela vem

birra

Os ataques de birra são comuns e fazem parte do desenvolvimento cerebral da criança. Dizem que tem hora para começar e terminar. Por aqui começou uma onda de birra(s) e às vezes é mega difícil manter o controle da situação. Benjamin, prestes a completar 5 anos, faz birra, pirraça, manha e algumas vezes chega a chorar – pra mim esse é o momento em que a situação perdeu mesmo o controle. Primeiro tento conversar, como quase nunca adianta naquele instante da birra que só aumenta, eu passo a ignorar e é quando ele não para de vir atrás de mim pedindo atenção. Faço um esforço enorme para ignorar, me dói pra caramba e quando vejo que ele realmente está disposto a dar fim ao show, paro, abraço, sento e converso com ele.

Nós já fomos crianças e nem nos lembramos, mas já fizemos birra, provavelmente nem nos lembramos como nos sentíamos nesse momento. Por isso, a primeira coisa que devemos é tentar nos colocar no lugar da criança. Sim, até com a manha precisamos usar a tal da empatia. Psicólogos afirmam que a birra é uma resposta do cérebro a situações ainda complexas demais para a criança que ainda não sabe pensar em alternativas para sair de uma dificuldade. Percebo isso aqui e comecei a usar uma estratégia com Benjamin. Expliquei pra ele que tudo bem ele não ficar feliz com determinada coisa, mas que tem que falar sobre isso e não deixar as coisas chegarem ao extremo. Quando ele começa um ataque de manha, tento conversar e se ele não quer papo vou logo perguntando: lembra o que já falamos? você quer ser feliz ou ficar desse jeito, não conversar e chegar ao ponto de chorar e todo mundo ficar chateado? Ainda é difícil pra ele colocar pra fora seus sentimentos, mas outra coisa que ajuda é abraçá-lo. Descobri isso sem querer, numa dessas situações de birra que sem querer virei com tudo e ele caiu porque estava atrás de mim, na hora me assustei e no impulso levantei ele do chão e o abracei. Ele correspondeu com um abraço forte também e imediatamente parou com o show. Desde então, dou um abraço para que ele se sinta amado. Afinal, o momento em que o nosso filho mais precisa do nosso amor, é quando ele menos parece merecer.

Benjamin nunca foi de fazer manha, eram raros esses momentos. Nunca se jogou no chão ou fez show em lugar público, mas em casa tem sido constante suas manhas e eu tento me colocar no lugar dele pensando no seu momento de vida. Ele passa o dia todo na escola, só temos o final de semana juntos, que agora ainda tem o tempo que era só dele dividido com a irmã. Já cheguei a pensar que ele fazia com intenção de me provocar, mas analisando nossa fase de vida, é muita coisa junto para uma criança de quase 5 anos processar. Não é fácil para uma criança equilibrar, ter respostas e habilidades para lidar com situações novas ou que não a agrada.

Cabe a nós adultos avaliar todo o contexto que estamos vivendo e nos questionar porque a criança está querendo chamar a atenção. Por aqui, pra mim está claro que é porque Benjamin quer mais atenção. Ele não demonstra ciúmes nenhum da irmã, mas cada momento que me vê livre, me quer só pra ele. Percebi que as birras dele acontecem mais quando ele está cansado. Inclusive, sabemos que ele está cansado quando ele começa devagar a dar sinais de manha. Acho que é o momento de confusão interna mental mesmo, a hora que ele não consegue distinguir suas emoções e sabemos que o cansaço altera a percepção do mundo. E perceber isso foi muito libertador para mim porque consegui encontrar melhores maneiras para lidar com ele.

E não posso reclamar muito, porque as birras dele não são por querer quebrar regras, que imagino, devem dar mais dor de cabeça. Se vamos ao shopping e ele quer ir numa loja de brinquedos, Benjamin vai, olha tudo e sai numa boa sem pedir nada, sem fazer escândalo. Uma vez, estávamos eu, ele e uma amiga minha e ela se surpreendeu ao sairmos da loja normalmente. Ela perguntou: escuta, mas ele não vai pedir algo, gritar, se jogar no chão? Não, ele não vai fazer isso. E pra mim, juro, é normal ele não fazer. Desde sempre ele foi ensinado que existem regras e que elas precisam ser cumpridas. Além disso, sempre conversamos e antecipamos as coisas para ele, nesse caso, antes de ir ao shopping sempre falamos que vamos apenas dar um passeio ou vamos só para comprar determinada coisa ou só para ir ao cinema. E nunca tivemos problemas em dizer “não” ao Benjamin, porque acreditamos, também, que a criança precisa aprender a lidar com frustrações.

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7 respostas para “A birra de todo dia”

  1. Aqui as birras são quando os dois entram em conflito e um quer aparecer mais que o outro.
    SOCORRO!
    bjs
    Lele

  2. Boa reflexão, Gabi. Temos mesmo que tentar ver as coisas pelos olhos deles – a tal da empatia.
    Mas vamos combinar que nem sempre é fácil esse negócio de educar com amor, né? 🙂
    Tenho uma poesia sobre isso: http://somelhora.com.br/index.php/2016/01/28/arte-de-educar-poesia-2-anos/

  3. Parabéns pela sensibilidade. Tenho notado que a nossa sociedade não costuma respeitar os direitos e necessidades de afeto que as crianças têm. Ainda bem que tento com minha filha ter justamente essa empatia e esse respeito por ela. Muitas vezes não é fácil. Mas a maternidade em si é um troço complicado mesmo, né?…rs. Sou adepta da educação pelo amor e empatia. Isso para mim é solução para uma boa maternagem.

    • https://bossamae.com.br/novo/wp-content/themes/bossa-mae/img/img-coment.png Gabi Miranda disse:

      Cíntia,
      acho que a grande sacada da educação é essa, fazer com amor.
      É um trabalho engenhoso, mas vale a pena.
      Super beijo,
      Gabi

  4. Luciana Pontes disse:

    Por aqui está bem parecido,
    Meu filho Bryan vai fazer 5 anos,
    E a birra maior é na hora do banho.
    Não entendo pq não quer mais tomar banho.
    As vezes ainda diz “mamãe tô com tosse,não posso tomar banho”…rs

    • https://bossamae.com.br/novo/wp-content/themes/bossa-mae/img/img-coment.png Gabi Miranda disse:

      Luciana,
      Sabe que não tenho problema na hora do banho, muitas mães comentam isso comigo. Mas acho que isso é porque a criança não quer parar o que está fazendo para ir tomar banho. Minha sugestão é tentar tornar o banho um momento de diversão tb. Eu deixo sempre o Ben levar brinquedos para o chuveiro, mesmo que lá dentro eu não demore com ele, vou direto ao foco: o banho. rs
      Super beijo

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