22 mar 2017

Chata é a mãe!

por
Gabi Miranda

Desabafo, Destaque, Maternidade

Amo ser mãe. E queria apenas ser mãe, sem ser chata. Não me disseram, mas uma está embutida na outra. Quando nasce uma mãe, nasce também uma chata.

chata é a mãe

A mãe tenta fazer de tudo para agradar, se desdobra e parece que quanto mais ela faz, mais chata ela se torna. O filho não precisa falar nada! Basta uma boca torta, uma revirada de olhos, uma bufada. Esses sinais anunciam que a mãe é uma chata. Até que um dia a mãe ouve isso com todas as letras, sílabas por sílabas, “QUE CHATA!”. Para impor respeito a mãe olha com aqueles olhos grandes (que filho não tem medo quando a mãe olha assim?!) que perguntam silenciosamente “o que você disse?”. Nada não! Claro, a mãe ouviu demais.

Tenho reparado e chego a conclusão que não tenho encontrado a fórmula e tem me parecido impossível ensinar, aconselhar, sugerir, fazer uma pessoinha enxergar como se faz algo sem ser taxada como chata. Se levo para escovar os dentes a criança caindo de sono, sou a carrasca da escovação. Se peço pra ir pro banho (tenho que repetir 100 vezes a mesma coisa), sou a louca do banho. Se faço comer frutas e verduras, sou um monstro. Se coloco pra dormir cedo, sou chata. Se peço pra fazer lição de casa, sou chata. E se pararmos pra pensar, veja como mãe faz cobranças. Guardou os brinquedos (?), coloca a roupa no cesto de lavar, arruma sua cama, comeu o que hoje (?), apaga a luz, sai desse jogo, desliga a TV, come de boca fechada, não tranca a porta do banheiro, não joga bola pela casa…. A mãe respira e é… (complete a frase)! Perfeita é mãe, só do Joãozinho.

No livro “Simples Assim” de Martha Medeiros, ela tem um texto cujo título é “a desagradável tarefa de fazer-se odiar”. Nele, ela conta que tem uma coisa que a maioria dos pais não conseguem assumir: a desagradável tarefa de fazer-se odiar. As cobranças do dia a dia são especialidade da mãe. Falando no geral, o pais são os que brincam de lutinha, fazem as crianças voarem, também dão ordens e brigam, mas raramente perdem a cabeça, gritam ou se estressam. E com isso tem a irritante capacidade de manter a boa reputação com os filhos. Ainda dizem que estão ao nosso lado, mas secretamente enviam um código para o filho quando a mãe não está olhando.

Fico me perguntando: será que estou sendo rígida demais?

É muito fácil ter filhos e não educá-los, deixá-los livres para fazer o que bem entenderem. Educar é chato também! Adoraria ficar só com a parte boa da maternidade. Diversão, guloseimas, sem hora pra nada. Agora não mais, porém quando começou (não faz muito tempo) esse negócio de a “mamãe é chata”, fiquei muito magoada e foi difícil digerir. Eu não sabia se brigava com o menino por ter me chamado de chata ou se levava na brincadeira. Não briguei. Mas também não consegui levar na esportiva. E depois tivemos uma conversa franca sobre o assunto. Agora já afirmo: sim, sou chata mesmo!

Sou tão chata que as vezes me pego pensando “nossa, como sou chata”. Sou bem mais chata que a minha mãe. Muito mais! Mas os tempos também são outros. E as crianças também. Elas são muito mais atrevidas agora do que na minha época que bastava um olhar da minha mãe pra eu saber que o bicho pegaria se eu não me comportasse. Um negócio é tornar-se uma mãe chata assumida. Porque ser chata significa que amo meus filhos. E porque amo eles não posso deixá-los que façam o que quiserem. É meu dever dizer “não” quando achar necessário, oferecer segurança, dar banho, alimentá-los, fazê-los estudar, dormir cedo, etc, etc, etc.

Se ser chata é garantir que eles cresçam saudáveis, tenham limites, sejam pessoas do bem e aprendam coisas que levarão para o resto da vida, quero ser chata com pós-graduação, MBA. Com o tempo, descobrimos como sermos chatas na medida certa. Não precisa, por exemplo, encrencar com o sapato ou um brinquedo fora do lugar. Nesse meio tempo, nossos filhos também aprendem que não somos chatas e uma hora afirmam de boca cheia: mamãe, você não é chata. É a melhor mãe do mundo! 😉

 

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Uma resposta para “Chata é a mãe!”

  1. Ainda não escutei um “mãe, você é chata”, mas vez ou outra escuto “não gosto de você” bem nesses momentos em que descreves uma mãe chata.
    Eu respiro fundo e respondo: “pois eu gosto muito de ti! E é bem por isso que estou te pedindo para fazer tal coisa!”
    Mas não estresso mais com a frase “não gosto de você” porque escuto infinitamente mais vezes a frase “eu te adoro, mãe!” 🙂

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