19 jan 2016

Como conciliar a volta ao trabalho e a amamentação

por
Gabi Miranda

Bebê, Destaque, Filhos, Maternidade, Trabalho

Sabemos o quanto a amamentação é importante para a saúde do bebê, portanto quanto mais tempo amamentar melhor para o nosso filho. Na teoria é tudo muito simples, na prática é que são elas. Para amamentar muitas vezes precisamos superar alguns obstáculos: ensinar a pega correta para o bebê, as primeiras semanas de vida do bebê podemos encontrar dificuldade para amamentar por conta das dores nos mamilos, rachaduras, descansar bastante para continuar produzindo leite e tomar outros cuidados para que isso continue acontecendo. Aí depois de ultrapassar todas as barreiras da amamentação e outras mais, chega o momento de se separar do bebê e voltar ao trabalho. Como conciliar a volta ao trabalho e a amamentação?

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A pediatra e consultora internacional de amamentação pelo IBLCE/EUA (International Board of Lactation Consultant Examiners), Luciana Herrero, defende a amamentação e apoia mulheres nessa fase, e, para ajudar as mamães nesse processo, listou algumas ações simples para combinar o sucesso da amamentação com o retorno ao trabalho. Confira abaixo:

Na licença maternidade

– Fazer estoque de leite no congelador: retirar o leite materno e acondicionar em frascos esterilizados e congelá-los para que seja oferecido ao bebê quando a mãe estiver trabalhando. O leite congelado em casa, sem pausterizar, dura no freezer 15 dias. Mas, se pausterizado no banco de leite pode durar seis meses. Procurar um banco de leite para receber as informações de como ordenhar e conservar é muito importante.

– Não dar ouvidos aos maus conselhos: não são poucas as pessoas que dizem que o bebê precisa ir se acostumando com a mamadeira e os outros leites, para quando a mãe for trabalhar. Mas, essa informação além de incorreta é prejudicial, pois favorece ao desmame. Os bebês não precisam se acostumar com o leite ou com o bico antecipadamente. Se for necessário a alimentação complementar ele a receberá na hora necessária. Se essa orientação vier de um pediatra, procure uma segunda opinião junto ao profissional que abrace de verdade a causa da amamentação. Peça indicação aos amigos, doulas ou banco de leite.

Após o retorno ao trabalho

Ordenhar a mama no trabalho: a cada três horas é importante que a mãe manipule as mamas, retirando o leite que ali se encontra. Se houver onde e como armazenar, ótimo! Caso contrário, ordenhe nem que seja para desprezar o conteúdo. Isso é importante para que a produção do leite não seja diminuída.

Armazenar o leite para seu bebê: várias empresas possuem um espaço privativo (que não o banheiro) para realizar a ordenha e uma geladeira para armazenar o leite. É a chamada sala de apoio à amamentação. Esse espaço possibilita que a mãe colha hoje o leite que seu bebê tomará amanhã, enquanto estiver trabalhando.

Fugir das mamadeiras: os bicos são inimigos número um da amamentação pois causam confusão nos bebês e favorecem o desmame. O ideal é que o leite (ordenhado da mãe ou as fórmulas lácteas) sejam dadas para o bebê no copinho ou na colherzinha.

Quando estiver em casa, amamentar em livre demanda: é muito importante que a mãe ofereça seu seio em livre demanda quando estiver em casa, durante o dia e à noite.  Pode ser apenas de manhã (antes de sair ou ao voltar), mas manter as mamadas frequentes enquanto você estiver junto com o bebê é muito importante, especialmente nos primeiros seis meses de vida.   As mamadas noturnas podem ser cansativas, mas são fundamentais para manter uma boa produção de leite materno, pois é a hora de maior liberação da prolactina, hormônio que controla a produção do leite humano.

Conversar com o pediatra para tentar antecipar a alimentação complementar: em alguns casos particulares, quando o bebê tem mais de quatro meses, e a mãe (apesar de todo esforço) não está conseguindo a quantidade de leite materno necessária para oferecer ao bebê em sua ausência pode-se antecipar a alimentação complementar. Não é o ideal, mas é uma alternativa possível para reduzir danos à saúde do bebê. Pois, procurar resguardar a amamentação é muito importante.

Dra. Luciana sugere que as mães e a família procurem soluções criativas para estar com o bebê o máximo possível. Sabemos da dificuldade que temos em dar uma fugidinha para amamentar no intervalo do almoço, não por conta do trabalho, mas acho que principalmente, por causa da localização, quem mora em São Paulo sabe a dificuldade que é para se chegar de um lugar ao outro. Mas mesmo que a amamentação não seja exclusiva, segundo a Dra., é sempre preferível a amamentação complementada com outros leites ou com alimentos ao desmame total.

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Leia também: A produção do leite e a importância da amamentação.

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