02 out 2017

Como minimizar o consumo infantil

minimizar o consumo infantil

O dia das crianças está chegando e é inevitável a criança não cobrar um presentinho. Por aqui, estou no meu ritmo e no ritmo dos integrantes da família, tentando mudar nossos hábitos e valores em relação ao consumismo. Isso significa minimizar o consumo. Motivada por desejar o bem do meio ambiente, pelo estresse do emprego, pela busca de uma vida mais espiritualizada, por querer mais tempo de qualidade com meus filhos e, principalmente, por desejar ensiná-los cedo algo que aprendi recentemente, que ter coisas não faz de nós mais felizes ou mais bem sucedidos.

E aí que nessa época do ano, assim como no Natal, há um direcionamento absurdo de publicidade voltado para as crianças. E chove pedidos dos pequenos de brinquedos e objetos que eles não precisam. Basta olhar em volta da nossa casa. A minha tem um monte de brinquedos que meus filhos ficam sem pegar por semanas. Aliás, os brinquedos mais requisitados pelos meus filhos, são os mais simples. Mas ao ir numa loja de brinquedos, me surpreendem pedindo de tudo. E me assusta a velocidade e quantidade de brinquedos que surgem e os valores exorbitantes. Outro dia mesmo, vi uma boneca que custa R$500. Ao lado dela na prateleira imensa, tinha muitos acessórios que podiam acompanha-la: roupas, carro, cavalo, sorveteria, etc. Só um kit de roupa, custava R$150. Gente, nem pra mim eu compro uma roupa no valor de R$150!

Existe um projeto chamado “Criança e Consumo”, do Instituto Alana, que defende o fim da publicidade voltada para o público infantil e sugere alternativas para que as famílias fujam do consumismo e celebrem as festas com mais presença e menos presentes. Dentro desse projeto, tem também a “feira de trocas de brinquedos” – cujo objetivo é gerar reflexão sobre o consumismo e possibilitar que a criança dê um novo significado para os seus próprios brinquedos. Acho a iniciativa linda! E acredito nela. Cabe a nós, pais, levarmos a prática para dentro de casa. É questão de hábitos.

Acredito muito que é possível minimizar o consumo infantil. Quando converso sobre o assunto com alguém, até com o marido mesmo, as pessoas não acham possível levar uma vida minimalista ou ensinar as crianças a consumirem menos. É difícil. Não é fácil nem para nós adultos fugir da tentação. Outro dia, conversando com o Marcos Piangers a respeito, ele falou uma coisa que faz muito sentido pra mim. Que quando adquirimos coisas para as crianças, estamos comprando para suprir uma necessidade própria nossa. As crianças não precisam de muitas coisas que compramos. Mas a gente compra, muitas vezes, para diminuir a nossa culpa.

 

Então como minimizar o consumo infantil?

Acho que começa mudando um pouco nossos hábitos. E para minimizar o consumo, precisamos dar o exemplo. Não adianta nada eu ter esse discurso lindo e chegar em casa com um monte de sacolas. Não sou perfeita e tenho lá meus momentos de fraqueza, mas tenho lutado muito para evita-los. A minha briga interna é ser coerente para que meus filhos aprendam a consumir de forma consciente.

Uma coisa que desde que temos as crianças, colocamos em prática, é evitar comprar algo sem foco, principalmente quando saímos para um compromisso. Então, se vamos fazer um passeio ao parque, as crianças sabem que vamos lá para curtir o lugar e não para comprar algo. Sabemos que não é só a TV que faz publicidade infantil. Qualquer lugar que vamos hoje com as crianças, tem também um bombardeio de gente oferecendo algo. Quando vamos ao supermercado também rola um combinado, vamos lá para fazer compras e o Benjamin pode escolher algum item. A ideia é evitar relacionar lazer e obrigação com consumo. Ainda mais quando vamos a lugares que estimula o consumo desnecessário.

E dizer “não” faz parte do processo de educação. Ajuda as crianças a lidarem com frustrações e aprenderem as fronteiras do limite. Sei que é muito difícil quando outros membros da família (tios e avós) não contribuem com o processo. Mas acho mesmo que vale o que cada um coloca em prática na sua casa. Dentro da sua, vale a sua regra. E fora, se tios e avós querem dar presentes caros ou baratos, fica a critério deles. A criança com o tempo aprende a dinâmica de cada um. E com certeza os valores transmitidos em casa, são os que perduram pela vida toda.

Leia mais: sobre consumo consciente

 

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Uma resposta para “Como minimizar o consumo infantil”

  1. […] Uma reflexão bem pertinente para a época: como minimizar o consumismo infantil? […]

  2. Nossa, Gabi! Penso muito parecido! Vivo repetindo para o Vinicius que na nossa casa valem as nossas regras! E ele já entende muito bem isso.

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