29 jan 2016

Como saber se o bebê está mamando o suficiente

por
Gabi Miranda

Bebê, Destaque, Filhos, Maternidade

Baby breastfeeding --- Image by © Heide Benser/Corbis

Baby breastfeeding — Image by © Heide Benser/Corbis

Essa deve ser a dúvida mais comum entre as mamães: como saber se o bebê está mamando o suficiente. Com o Benjamin não tive essa questão me perturbando, já com a Stella o negócio foi diferente. Ao contrário do irmão que mamava 20 minutos cada seio, ela mamava por 5 minutos em um seio e parecia estar satisfeita, logo depois já queria mamar novamente. No entanto, não era isso que me deixava preocupada, afinal é um erro querer marcar no relógio o tempo de mamada dos bebês. Eles podem mamar por poucos minutos e ficarem satisfeitos. Comecei a encanar mesmo quando descobrimos que ela não estava ganhando peso mesmo mamando em livre demanda e com pega correta.

Blog_fotos-2015-5

Amamentando Stella

Por um mês, fiquei reparando no meu e no comportamento dela. Tentei perceber se ela estava mamando até o final quando chega o leite mais gorduroso, se ficava satisfeita ou se era preguicinha de bebê, se eu estava fazendo a troca do peito no momento certo. E assim insisti na amamentação antes de entrarmos com a fórmula como indicado pela pediatra. Nesse período fiquei muito encanada, ficava me perguntando o que estava fazendo de errado, porque minha bebê não ganhava peso, como saber se ela estava mamando o suficiente??? Se não existe leite fraco, qual era o meu problema? E nossa pediatra, com muita calma, explicou que não existe leite fraco, mas pouco leite e que ter dois filhos era mais difícil do que ter um só para cuidar e dar atenção. Ficamos mais cansadas, mas preocupadas, estressadas e tudo contribui para a produção baixa de leite.

blog-fotos3-224x300

Amamentando Benjamin

Acredito também que falta mais empenho, principalmente, dos pediatras em contribuir para o sucesso da amamentação. Mães precisam de ajuda e ver que seu filho não está ganhando peso e receitar fórmula é a opção mais fácil, porém nem sempre a mais recomendada. Eu sofri muito quando tive que complementar a amamentação da Stella com fórmula e agora tenho sofrido porque ela, aos 6 meses, já recusa o peito – algo que aconteceria mais cedo ou mais tarde, já que a mamadeira não exige tanto esforço do bebê. Nisso a produção diminuiu mais ainda já que voltei a trabalhar e não tenho como tirar durante o dia – o que estimula a produção – porque não tenho aonde armazenar. Mas eu foco na saúde e bem estar dela, ela está ótima, então eu fico também.

Paralelo a isso, outra coisa que me faz bem, é poder ajudar outras mamães que estejam nessa fase. Por isso, fui conversar com uma especialista no assunto. Abaixo, a pediatra Rafaella Gato Calmon, mãe de gêmeos, responde 8 perguntas e esclarece algumas dúvidas sobre amamentação, inclusive dá indicações de como saber se o bebê está mamando o suficiente. 😉

  1. Existe uma falsa história de que o leite materno é fraco. Pediatras insistem em dizer que o leite materno é rico para o bebê. Fale um pouco a respeito.
    O leite materno é incrível e sem dúvida, um alimento riquíssimo e completo. Ele é composto de 88% de água, que o torna suficiente para manter a hidratação do bebê sem necessidade de oferta extra de água e chás mesmo em climas e regiões mais quentes. Possui uma quantidade de proteínas equilibrada e super benéficas que funcionam como fatores de defesa e crescimento, transporte e absorção de minerais, além de enzimas digestivas. O leite materno tem uma digestão muito mais fácil e rápida que os outros leites. Sua composição também contém quantidades equilibradas de aminoácidos, gorduras, carboidratos e vitaminas, sendo sem dúvida, o alimento ideal para o bebê.
  2. Já sabemos que não existe leite fraco, mas existe pouco leite. Quais são os fatores que contribuem para a mãe produzir pouco leite?
    Inicialmente, o principal fator que influencia a produção do leite é a sucção do bebê. Quanto mais o bebê mama, maior será o estímulo de produção do leite através de reflexos hormonais. Porém, outros fatores que influenciam negativamente a produção de leite: mãe tensa, dor ao amamentar, ansiedade e falta de confiança. Para as mamães de primeira viagem o apoio é essencial, assim como orientação nas dúvidas e posicionamento da mãe e do bebê no ato de amamentar: a “boa pega”, são fundamentais. A mãe estar bem alimentada e hidratada também auxilia na manutenção da produção de leite, então o bem estar e saúde da mãe que não devem ser esquecidos nesta fase.
  3. Quantas vezes aproximadamente devemos dar de mamar?
    A amamentação deve ser sempre em livre demanda, ou seja, sempre que o bebê tiver vontade de mamar. No começo é muito difícil identificar se o bebê tem fome, sono ou está molhado quando chora, mas nem sempre o bebê precisa chorar para mamar. A mãe e o bebê vão se conhecendo e rapidamente sabemos quando é a hora que nosso bebê tem fome, portanto não impor regras e horários é importante. Deixar o bebê fazer o seu horário é o caminho. Deixar o bebê mamar à vontade é fundamental, nem sempre é fome, às vezes é aconchego e segurança que ele quer sentir.
  4. Existe um tempo que deve durar cada mamada?
    Não. A duração da mamada varia naturalmente entre os bebês e também varia de acordo com a fome e o intervalo em relação a mamada anterior. Um ponto importante é observar o esvaziamento da mama e sabemos que quando o bebê está satisfeito ele solta a mama espontaneamente. Bebês recém-nascidos costumam dormir durante a mamada, então vale a pena estimulá-los com pequenos toques na bochecha ou nos pés e até tirar um pouco da roupinha antes da mamada para que ele fique mais desperto, mas sem neuras, na hora que bater a fome ele vai demonstrar e vai mamar. Não se torne escrava de relógios ou aplicativos de amamentação.
  5. Em cada mamada, o bebê deve mamar os dois peitos?
    Não é toda mamada que o bebê mama os dois peitos, pode variar. O importante é esvaziar completamente a mama para que o bebê tome o leite posterior, que é rico em gordura, portanto mais calórico e proporcionando maior sensação de saciedade, além de auxiliar no adequado ganho de peso. Por exemplo, se o bebê tiver esvaziado completamente a mama direita na mamada anterior, na próxima deverá começar pela mama esquerda. Caso contrário, deve iniciar a mamada no lado direito até esvaziá-la.
  6. Quais são os indícios/sinais de que o bebê está mamando o suficiente?
    O bebê faz xixi claro e abundante e costuma evacuar com frequência quando em aleitamento materno exclusivo. Porém, o mais marcante é o ganho de peso e desenvolvimento adequado que é monitorado de perto pelo pediatra.
  7. Quando o bebê golfa é um sinal de que ele mamou demais?
    Não necessariamente, pois muitos bebês podem apresentar o refluxo gastro esofágico que quase sempre é fisiológico e vai melhorando nos primeiros meses de vida. Caso os episódios fiquem mais frequentes, o bebê apresente-se irritado ou comece a perder peso deve-se consultar o pediatra para orientações e tratamento adequados. E também sabe-se hoje que em bebês em aleitamento exclusivo, os efeitos do refluxo são mais brandos do que nas crianças amamentadas com leite não humano, por conta da posição da mamada no seio e sucção que são diferenciadas – mais um ponto positivo!
  8. E se o leite materno não estiver sendo suficiente, é mesmo necessário complementar com fórmula? Existe outra alternativa, além dessa?
    Na grande maioria das vezes, o que falta para a mãe – principalmente as de primeira viagem – é apoio, orientação e confiança. No começo pode ser muito duro enfrentar o medo, o cansaço e o próprio período do puerpério (que são aqueles dias difíceis ali logo após o nascimento – até 40 dias após o parto). Não é à toa que a média nacional de aleitamento materno exclusivo é de cerca de 50 dias. Por inúmeras razões esta mulher desiste (sozinha ou orientada por terceiros e até por profissionais de saúde) de manter o bebê somente no seio ou ocorre o desmame total. As situações de indicação de complementação estão bem estabelecidas e devem ser orientadas pelo pediatra, mas as principais fontes de sucesso do aleitamento materno exclusivo são: carinho, acolhimento e informação. Hoje em dia, as mães formam grupos de apoio nas redes sociais e trocam mais experiências, conselhos e se unem, o que pode contribuir de maneira definitiva, para que possamos mudar essa nossa triste média nacional.

Rafaella Gato Calmon, é mãe dos gêmeos Bárbara e Rafael, médica formada pela Universidade Federal do Pará – UFPA, Pediatra pelo Hospital Infantil Darcy Vargas, Cardiologista infantil pelo Incor – Universidade de São Paulo, possui título de Especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria e de Especialista em Cardiologia Infantil pela Sociedade Brasileira de Cardiologia.

compartilhe!

0

comente!

Comente!