06 nov 2017

Como se planejar para viver o sonho de maternar

como se planejar

Até outro dia, estava escrevendo sobre a volta ao trabalho após a licença maternidade. Ou dicas para ser feliz no trabalho. E cá estou agora, exercendo algo que desejei por quase dois anos. A tal liberdade para maternar. O pedido que mais escuto nos últimos dias é para compartilhar ideias de como se planejar para viver o sonho de maternar. Parar de trabalhar fora, curtir mais os filhos e quem sabe até empreender.

Segundo a pesquisa “Licença-maternidade e suas consequências no mercado de trabalho do Brasil“, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), 48% das mulheres entre 25 e 35 anos, ficam desempregadas 12 meses após o início da licença maternidade. E isso acontece por dois motivos: ou ela foi demitida ou ela decidiu largar o emprego. Que as empresas não valorizam a mãe no mercado de trabalho, é uma verdade. Mas acontece muito das mulheres ao se tornarem mães, darem uma banana para o mundo corporativo. Porque você percebe que seu filho precisa muito mais de você em casa do que a empresa de você lá para faturar.

Quando o Benjamin nasceu, em nenhum momento piscou a luzinha alertando um desejo de parar de trabalhar fora. Eu conhecia muitas pessoas que haviam me alertado para isso, mas não senti essa vontade. Quatro anos depois, a Stella chegou e então o alarme soou. Toda a culpa que não sentia com o nascimento do primeiro filho, passei a sentir com a chegada dela. Foi como me dar conta dos 4 anos que perdi do Benjamin e dos anos que perderia dela também.

Passei a sentir culpa porque eles ficavam o dia inteiro na escola. Ou quando não era eu que os levava para uma consulta médica e sim o marido. Sentia culpa de ir trabalhar quando um deles tinha uma febre e ficavam em casa. Culpa quando estávamos em casa e eu precisava dar conta de afazeres domésticos porque aquele era o tempo que sobrava. Enfim, tive vários momento de culpa.

Comecei a me questionar se valia a pena o que fazia, qual o propósito do meu trabalho. Fiz contas para mensurar se o meu salário compensava a falta que me fazia um tempo maior com as crianças. Coloquei na ponta do lápis o valor líquido, os benefícios, a quantidade de horas que ficava fora de casa. Eu chegava à conclusão que não compensava. Mas não tinha coragem de pedir as contas. Eu me esforçava para enxergar o lado bom. O salário fixo todo final de mês na conta, convênio saúde, vale refeição, estabilidade, etc. E pensava em como me planejar para mudar de vida.

A primeira coisa que fiz foi começar a fazer um fundo de renda para isso. Isso mesmo. Planejar um valor fixo todo mês para poupar. O dinheiro que me garantiria um tempo para ficar em casa ou para investir num negócio próprio. Porque tem isso também, o meu desejo nunca foi parar de trabalhar, cuidar das crianças e virar dona do lar. Meu sonho era continuar trabalhando, porém com mais liberdade para maternar, com mais tempo para meus filhos. E trabalhar com algo que me fizesse mais realizada. Além do meu salário, eu era comissionada. Então, eu comecei a bater meta todo mês e todo dinheiro que eu ganhava de comissão, eu poupava com mais uma porcentagem do salário.

Outra coisa que me preocupava era a falta de possuir coisas, a falta da possibilidade de oferecer atividades extras para meus filhos, a falta de uma viagem de férias anualmente. Então, eu ficava pensando se conseguiria viver sem aquele modelo novo de jeans que vi na vitrine. O quanto meus filhos seriam prejudicados se ficassem sem fazer judô, futebol, inglês particular. Por que a viagem precisaria ser algo extravagante? Porque eu estava poupando, mas longe de ficar rica. O dinheiro poupado é para viver bem por um determinado período que você também precisa estipular. Não era um dinheiro para gastar com a roupa da moda ou para incluir mais uma despesa no fim do mês. Era para manter a vida que temos, porém sem extravagâncias.

Foi quando comecei a ler sobre consumo consciente, minimalismo, atenção plena, empreendedorismo. E descobri que nem tudo o que damos importância na vida é o que nos faz realmente feliz. Muito menos o que nos torna uma pessoa melhor. Podemos viver com menos do que a gente imagina.  Algumas coisas são essenciais. Como moradia, saúde, escola. A gente não precisa de roupa da moda, carro zero, a viagem do ano – não importa o destino – é aquela que marca a vida da gente com doces lembranças.

E foi então que comecei a buscar autoconhecimento. Quando fazemos isso, a gente olha para dentro. E quando olhei para dentro de mim, enxerguei que não estava feliz. Não estava! Uma coisa é você estar feliz, outra coisa é você ser feliz. E quando você não é feliz, dificilmente faz o outro feliz também. E como eu faria a minha família feliz se eu não estava? E não tem coisa melhor quando você admite e assume suas fraquezas para si mesmo.

Aprofundei-me no autoconhecimento. Esse ano, comecei a ler muito mais sobre hábitos, consumo, minimalismo, propósito, meditação (tudo que em breve, pretendo compartilhar aqui). Passei por um processo de coaching. Descobri de fato com o que quero trabalhar e como posso conciliar isso com a maternidade. E decidi que não queria mais estar naquele emprego. Na mesma época que fiz essa descoberta, eu e marido estávamos conversando a respeito. Aliás, isso é muito importante, ele estava me apoiando e estávamos bem alinhados com os meus desejos e planos. Mas então, ele foi desligado da empresa. Eu que já tinha medo da decisão de pedir as contas, recuei. Fiquei com um cagaço. Mas quando você quer muito uma coisa e não faz, o universo mexe os pauzinhos, vai e faz por você. A empresa me desligou.

Agora me sinto feliz. Mas minha felicidade está temperada com preocupação. Ainda é muito cedo para eu falar da vida nova. Tem um mês e meio que saí do mercado de trabalho. Estou empenhada nos meus objetivos profissionais, estou fazendo curso, trabalhos home-office, cuidando dos filhos e da casa. Algumas lições práticas dessa nova fase já posso dar. Engana-se quem pensa que vai parar de trabalhar fora e terá mais tempo. Hoje eu olho para o espelho e falo assim: mais tempo pra quê, cara pálida?! O tempo é o mesmo e você vive cheia de coisas para fazer, principalmente se tem negócio próprio. Mas você aprende administrar (eu ainda não aprendi, tá?!) e aprende a priorizar o que é mais importante naquele momento.

Por exemplo, se você está empreendendo ou já empreende, você não tem mais tempo para os filhos. Mas sem dúvida, você consegue acompanhá-los mais em tudo. Você consegue levar e buscar na escola, acompanhar numa consulta médica, tirar uma horinha do seu dia para brincar, cuidar das coisas deles, cuidar da alimentação deles, fazer as coisas com eles com mais calma. Calma. O que a vida sempre pede e os filhos necessitam.

Tudo isso que falei para vocês tem o ônus, mas tem muitos bônus também. Cada escolha, uma renúncia. Às vezes necessária para sentirmos que estamos no lugar certo, na hora certa.

Enxergar os benefícios nas pequenas coisas, é o que fortalece nosso coração. 😉

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7 respostas para “Como se planejar para viver o sonho de maternar”

  1. […] reflexão incrível sobre trabalho, escolhas, crescimento – sempre sob o melhor ponto de vista da […]

  2. Talita Rodrigues Nunes disse:

    Aprendo tanto com teus posts, amiga! Eu te vejo como um guerreira e exemplo de força de vontade! Adoro teu jeito de ver as coisas sempre pelo melhor ângulo! Parabéns!

    • http://bossamae.com.br/novo/wp-content/themes/bossa-mae/img/img-coment.png Gabi Miranda disse:

      Ta, eu sempre tento. É sempre melhor tentar enxergar o lado bom de toda situação. Pena que aprendi isso na dor. rs
      Mas nunca é tarde, né?
      Nós aprendemos uma com a outra. Eu aprendo muito com vc também!
      Super beijooo

  3. Genis Borges disse:

    Uau Gabis, que texto inspirador! Conheço muitas mamães que ficam na dúvida entre permanecer ou sair do emprego, que bom que com vc tudo contribuiu para que saísse sem dor na consciência, pq demissão, não é a gente quem escolhe.
    Desejo uma nova etapa pra vc com muita sabedoria, paciência e tempo para seus filhotes.
    Bjks.

  4. Regina disse:

    Na minha primeira filha voltei logo para o trabalho e ela com 2 anos já estudava horário integral. Agora com a segunda optei por me dedicar mais a elas, não é fácil pois o financeiro faz falta, mas acho que vale a pena.

  5. Talissa disse:

    Me identifiquei tanto, texto fantástico. Meu sonho é maternar, mas não 100%, preciso ter meu lado profissional ativo também, sem pressão e horário inflexível, quero que a prioridade seja minha filha e não meu trabalho, enquanto não me encontro, vou tentando….Parabéns pela
    Coragem.

  6. Que delícia de texto, Gabis!
    Olha só que coisa, assim como você, a luzinha aqui só acendeu no nascimento do Gabriel, meu segundo filho. Me permiti ficar um ano com eles, sem trabalhar e pessoalmente foi sensacional. Depois parti para novos projetos, feliz da vida
    Me identifiquei muito com seu momento.
    Te desejo muito sucesso e muitas felicidades nesta nova etapa.
    Vou acompanhar de perto.
    Ah, seu cartão postal já está separado. escolhi um bem lindo para você!!
    Bjks mil, querida

  7. Gabis, me identifiquei muito com alguns pontos do seu texto. Também quero ter mais liberdade para maternar, mas sem deixar de lado meu lado profissional! Não é fácil porque o mercado é cruel, mas vou tentando … parabéns pela sua franqueza ao abordar o tema, beijos

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