22 nov 2013

Consulta de rotina

por
Gabi Miranda

Filhos, Saúde

Cinco  meses sem levar Benjamin à pediatra. Hoje ele foi para uma consulta de rotina. A mãe estava toda empolgada. Sempre gostou de levar Benjamin na pediatra, contar as novidades, o desenvolvimento dele, saber quanto ele cresceu, quanto ele engordou, etc. A empolgação hoje era ainda maior, afinal ela tinha muitas novidades pra contar sobre ele:

  • Benjamin não usa mais fralda. Nem pra dormir!!! (Leitores falam: “óooooo, e você nem contou pra gente?!” Calma, contarei em outro post);
  • Benjamin fala muito. Ou melhor, ele não fala, ele tagarela. Feito a mãe;

(a Dra., claro, olha espantada pra mãe como quem diz “é lógico que ele fala, mãe, já estava na hora”)

  • A mãe insiste: Mas Dra. não é simplesmente falar, ele conta histórias, ele canta, ele imagina e põe pra fora essa imaginação, ele sente e põe pra fora também esse sentimento (ele me diz com todas as letrinhas: mamãe, te amo!) Ele me surpreende a todo instante;
  • Ele tem dificuldade para pedir desculpas;
  • Ele fica magoadinho se chamamos sua atenção e corre pra se esconder nas minhas pernas;
  • Ele anda com brincadeiras só de lutinha e de jogar as coisas;
  • Ele passou a querer dormir na nossa cama;
  • Ele tem suado muito (ok, mas isso não é bem uma novidade).

(20 minutos de consulta e Benjamin quieto a todo instante, sem emitir um som, no colo da mãe e escondendo o rosto)

Pediatra pediu para explicar o lance das desculpas e de ficar magoadinho. Benjamin simplesmente não pede desculpas e é perceptível que ele tem dificuldade nisso. Se ele machuca alguém, assim sem querer, ele não pede desculpas, ele fica triste e já vem se esconder em mim. O mesmo acontece se chamamos a atenção dele para algo que não pode.

A pediatra logo explicou que devemos começar qualquer bronca da seguinte forma:

– Eu te amo, só que você não deve jogar isso na mamãe porque pode machucar.

Sempre começar com “EU TE AMO”. A ideia é transmitir a ele o quanto ele é amado e continuará sendo, mas que certas coisas não podem ser feitas por motivo de _____ (complete a frase).

Isso é fazer a parte de mãe e/ou pai. Agora se ele for orgulhoso, a pediatra disse que a mãe já não pode fazer nada.

Além disso, o ponto que tem deixado a mãe preocupada, é o fato do Benjamin no auge de seus dois anos, querer dormir na cama com ela e o marido. Ele nunca foi disso. Nem lembram como começou, só que ele ficou dormindo na mesma cama com os pais durante 3 semanas interruptas. Um belo dia a mãe cansou e falou pro marido que não podiam deixar o comodismo vencer, que tinham que voltar com Benjamin pro berço dele. Voltaram. Só que a mãe viajou semana passada a trabalho, e os dois meninos se esbaldaram em casa, passando a compartilhar a cama novamente. Depois viajaram e dividiram a cama gigante do hotel. Agora pergunta se ele quer ir pro berço dele….

A intuição de mãe diz que ele não quer mais saber de berço e sim de uma caminha – coisa que será providenciada nos próximos dias. A pediatra disse que pode ser, mas já indicou ir conversando com ele sobre a mudança de casa, consequentemente de quarto e cama nova. Eis que a pediatra despeja a pergunta:

– Você está grávida ou quer ter outro?

Cof Cof Cof.

– É, ainda não estamos tentando, mas tenho pensado muito…enfim, está nos planos.

– Então é isso, mãe. Essas crianças tem um radar… O que Benjamin fala de ter um irmão?

– Se ele vê um bebê do sexo masculino, ele diz que não quer. Mas se ele vê uma menina, ele diz que quer.

– É esperto, não quer concorrência. É mãe, vamos tentar colocá-lo de volta pra dormir sozinho, mas terá que ter paciência. Espera mudar de casa, mas vai conversando e ao colocá-lo na cama dele aguente uns três dias firme que vai dar tudo certo. Agora vamos examiná-lo.

(Benjamin começa a miar e agarrar o pescoço da mãe)

A louca da mãe teve que sair da consulta quando o menino já estava sem roupa, porque tinha que tirar o carro que estava travando outro. Voltou. Benjamin miando (tipo chorando, só que não).

Pediatra examina.

Vê que estão nascendo os dentes de baixo lá do fundão, um de cada lado. (a mãe já tinha visto)

(40 minutos de consulta)

Pediatra olha como quem pensa “será que ele fala mesmo?!” e lança: Ele é sempre tímido assim???

Pronto, a mãe fica naquele estado de sem graça (mentirosa, só que não).

Entrou falando que o menino fala pra caramba e ele não abriu a boca pra falar uma palavra sequer!!!

– Não Dra., ele não é nada tímido. Tem seus momentos, mas são raros. Mais com pessoas desconhecidas.

– E ele tem medo de alguma coisa?

(tirando a Sra.?!) Tem medo de barulho, segundo ele.

Consulta quase no fim. Aguardando a receita de um remedinho homeopático para diminuir o suor do menino.

Benjamin sai do colo da mãe e vai até a caixa de brinquedos. Pega umas peças de montar e leva pro  colo da mãe.

Agora vamos embora. Benjamin guarda os brinquedos e a pediatra se surpreende:

– Ele é assim em casa, guarda os brinquedos dele?

– Sim, ele ajuda em tudo e muitas vezes me pergunta se eu quero ajuda.

– Parabéns, mãe. Isso é mérito seu! Você que ensinou…

Mãe quase se desmancha de orgulho.

Fim da consulta. Então ele solta um “tchau”, corre até a pediantra, abraça, dá beijo. Ela deseja boas festas e um “que ano que vem venha uma irmãzinha OU um irmãzinho pro Ben”.

Já no carro, o menino volta a tagarelar e fazer gracinhas.

E a mãe olha pra ele pelo retrovisor com aquela cara….mas não aguenta e sorri.

Consulta de rotina

 

Leia também: dois anos e uma visita ao pediatra

 

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