03 abr 2017

Criando meninas

por
Gabi Miranda

Destaque, Livros, Puericultura

Criando meninas

Li recentemente o livro “Criando meninas”, do psicólogo Steve Biddulph, mesmo autor de “Criando meninos”, e a obra me trouxe bastante reflexões. A leitura me fez pensar muito sobre a criança que fui, sobre algumas experiências que tive na infância, o quanto estou me conhecendo melhor através do convívio com a Stella, sobre a minha responsabilidade em criar uma menina – pois sabemos, os perigos de ser uma mulher é grande!, na mulher que eu desejo que ela se torne, no quanto precisamos ensinar as meninas se defenderem e expressar claramente suas necessidades e opiniões, no quanto terá de mim dentro da minha filha (nós somos muito parecidas com as nossas mães, embora possa não parecer), na importância de ter por perto mulheres fortes que exerçam outras formas de influências (e aí sinto muito por minha mãe não estar aqui e ser uma dessas mulheres). E me fez pensar, sobretudo, outra coisa: que oportunidade maravilhosa essa tal de maternidade.

Adoro ler e desde que me tornei mãe leio tudo sobre puericultura que cai na minha mão. Sei que não vou encontrar nos livros nenhuma receita ou fórmula mágica para criar meus filhos. Mas é uma forma de alargar meus conhecimentos, minhas opiniões, o que cabe ou não para minha família. O livro “Criando meninas” fala muito sobre como preparar as meninas para os desafios da vida, como torná-las mulheres amorosas, fortes e felizes. Sempre tive o sonho de ter uma menina, mas nunca tinha avaliado profundamente o que significava criar uma menina. Como tive um menino primeiro, sempre pensei na importância de criar um menino que não tivesse valores machistas impregnado. Meninos e meninas são biologicamente diferentes. E por mais que desejemos criá-los de maneira igualitária, ainda temos muito a percorrer e muitas barreiras para ultrapassar.

A publicidade está aí e não me deixa enganar. Nós mulheres vivemos à volta de mensagens nos aprisionando em ideias de como devemos nos vestir, nos comportar, pensar e assim por diante. E se o mundo nos obriga a mudanças desde sempre, atualmente, obrigam nossas filhas em escalas muito maiores. Tudo acontece mais cedo na vida das meninas. Eu, aos 12 anos ainda brincava de boneca. Hoje, uma menina de 12 já pode ser mãe. O livro “Criando meninas” nos alerta a ficarmos atentos na criação das nossas meninas, a fim de evitarmos várias coisas. Sexo antes da hora, drogas, doenças psíquicas, depressão, etc. Isso pode ser feito através do amor, diálogo, em parte pela criação de um ambiente protetor, em parte pelos ensinamentos sobre o perigo de mensagens enganosas transmitidas pelo ambiente.

“Não podemos impedir que os pássaros da tristeza voem pela nossa vida; mas não vamos deixar que façam ninho na nossa cabeça.” Não somos obrigados a engolir tudo que o mundo nos oferece. Podemos escolher por nós e por nossas filhas as experiências que nos deixam fortes e felizes. Do livro: Criando meninas

“Criando meninas” é dividido em três partes

Parte 1: os cinco estágios da infância

Nesse capítulo fala-se sobre criar uma menina completa, do nascimento aos 18 anos, sobre desenvolvimento, relações de amizades, sentimentos, a importância de ter influências do papel feminino presente na vida de uma menina, a passagem para a vida adulta (e aqui chama a atenção para os ritos de passagem que são necessários para fazer a transição, que não acontece sem ajuda – gostei muito disso). E sobre as 5 lições importantes do crescimento: segurança, aprendizagem, relacionamento, descoberta da alma e autonomia de vida.

Parte 2: Perigos e recursos – as 5 áreas de risco como atravessá-las

As 5 áreas de risco são divididas nos capítulos: sexy demais, cedo demais; meninas malvadas; corpo, peso e comida; álcool e outras drogas; as garotas e o mundo virtual

Parte 3: As meninas e os pais

Aqui são dois capítulos. Um sobre a relação da menina com a mãe. E o outro da relação entre menina e o pai. Ambos bem interessantes.

O livro inteiro traz bastante reflexões internas, fala muito sobre desenvolvimento emocional, auto-estima feminina e superproteção quando falamos de meninas. O conselho, por exemplo, para criarmos meninas fortes e seguras, é deixarmos que elas explorem e desenvolvam instintos de sobrevivência. Sugere também evitarmos classificar brinquedos ou tudo o que for dirigido exclusivamente às meninas. O mundo já é sexista o bastante.

Super indico a leitura! 😉

A jornada é sempre dos nossos filhos, mas cabe a nós atuarmos com mentores, cuidadores e aliados ao longo do caminho. Do livro, Criando meninas

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