05 set 2013

Desfralde – Entrevista com educadores

por
Gabi Miranda

Entrevista

Existe uma série de dicas que são bacanas seguir para o desfralde não se tornar um pesadelo. Não tenho dúvidas, aqui em casa o que funcionou foi a parceria com a escola – que nos orientou desde o início, além de percebermos que Benjamin já estava preparado.

Na escola, as crianças estão com profissionais experientes que sabem lidar com cada fase. Geralmente, eles começam o desfralde em duplas ou grupos, acompanham os pequenos constantemente ao banheiro, conversam, contam estórias e explicam todo o processo de forma lúdica. Ainda acalmam os pais.
 
Pensando nisso, fui conversar com algumas educadoras do Colégio Santa Maria e ver como e quando iniciar o desfralde e quais são as dicas para um desfralde sem traumas. Uma coisa é unânime: paciência, muito amor e carinho são fundamentais. 

BM: Quando a escola percebe que chegou a hora de tirar as fraldas de uma determinada criança?

Gisele Coli:
Acredito que a  criança demonstra com algumas atitudes, verbaliza quando sente vontade de urinar e evacuar, mostra interesse ao observar um coleguinha fazendo xixi no vaso, muitas vezes ela mesma pede para sentar-se no vaso, apresenta controle dos esfíncteres, a fralda permanece seca por um tempo maior do que o usual e a criança pode demonstrar certo desconforto com a fralda chegando às vezes a tentar tirá-la.

Fernanda Santos Lugatto:
O primeiro passo é observar se ela dá alguns sinais indicando que está preparada para esse momento: se gosta de observar os outros irem ao banheiro, pede para usar o vaso, fica com a fralda seca por algumas horas, fica feliz com a ideia de usar cueca ou calcinha e se não demonstra resistência diante da ideia de usar o vaso sanitário. O segundo passo é conversar com a família para saber como está esse processo em casa.

Eliane Lima:
Assunto delicado e extremamente importante, pois o desfraldamento feito precipitadamente, sem a criança estar madura (biologicamente), pode acarretar danos em seu desenvolvimento, danos relativos aos aspectos orgânico (controle muscular dos esfíncteres), emocional e da construção e fortalecimento da autoestima. É preciso fazer “leituras” das “pistas” que a criança (de aproximadamente 32 meses) dá, sinais como andar, se equilibrar e sinalizar desconforto ao estar suja de xixi ou coco, indícios de que chegou a hora de iniciar o processo de retirada de fralda. Período que exigirá paciência e determinação, pois as trocas de roupas serão inúmeras e as idas ao banheiro uma frequência. Mas, depois de dias e meses de persistência, valerá a pena, aos 3 /4 anos a maioria das crianças terá abandonado as fraldas (diurna e noturna).

BM: Qual a importância da escola e pais iniciarem o processo do desfralde juntos?

Gisele Coli:
Esse é um momento de mudança para a criança e ela precisa ter segurança, assim precisamos ter coerência e agir da mesma maneira. Quando a família decide desfraldar seu filho a parceria da escola é de fundamental importância, levando a criança algumas vezes ao banheiro e não colocando mais a fralda. Algumas escapadas irão acontecer, mas todos devemos ter paciência e ajudá-la nesse momento tão especial.

Fernanda Santos Lugatto: A criança precisa viver esse processo globalmente. Precisa descobrir que está crescendo e já é capaz de vencer novos desafios; em casa e na escola. É necessário criar o hábito.

Eliane Lima: Como em todos os momentos da vida escolar/acadêmica da criança, é preciso que a família e a escola desenvolvam um trabalho em equipe e de parceria. Pais e educadores devem juntos, cuidar para que o momento de retirada de fralda seja o mais tranquilo possível, interpretado e percebido como algo natural e que faz parte do desenvolvimento / crescimento. Conquistas que até parecem pequenas, mas que influenciam, significativamente, no fortalecimento da autoestima e na superação de dificuldades. Afinal, incentivada, a criança percebe que todos estão torcendo por ela, vibrando diante sua vontade de “aprender” e colaborando, principalmente, para a construção de sua autoimagem. Autoimagem de alguém que se sente competente e capaz de dar conta de “pequenas”, mas “árduas” tarefas, tarefas que implicam crescer, tornar-se independente e controlar seu próprio corpo.

BM:  Na escola quais os procedimentos e cuidados são tomados?

Gisele Coli:
Levar a criança muitas vezes ao banheiro, conversar sobre a necessidade de urinar e evacuar no vaso e trocar a roupa sempre que a criança sujar. NUNCA colocar a fralda novamente.

Fernanda Santos Lugatto: Utilizamos algumas histórias para incentivar esse processo. As crianças se identificam com os personagens e ficam motivadas a utilizar o vaso sanitário. Dentre elas posso citar os livros: “PENICO”, “COCÔ NO TRONO” e “CADÊ MEU PENICO?”; Conversas sobre o tema na roda; Proporcionar momentos em que a situação é vivenciada na brincadeira, por meio do jogo simbólico, trocar fraldas de bonecos, colocar o bebê (boneca) para fazer xixi no penico etc.;  Organizar a rotina de modo que a criança possa ser acompanhada ao banheiro a cada 20 minutos;  Incentivá-la sempre que conseguir;  Solicitar trocas de roupa para a família, pois os “acidentes” são esperados.

Eliane Lima: Primeiro o cuidado de ser um educador observador e atento. Alguém que leva o grupo ao banheiro regularmente, conversa sobre o assunto, brinca de fazer trocas em bonecas e,  transforma o banheiro em um espaço de aprendizagem e conquistas. Alguém que oferece a criança a oportunidade de brincar com substitutos do “xixi” e das “fezes (coco)”, o barro sentindo a textura, temperatura e cor;  a  massa de modelar, a argila, a areia, a água, enfim, brincadeiras e situações que ajudam a criança a entender aquilo que sai de “líquido” e  “sólido” de dentro dela.

BM: Normalmente, qual orientação a escola deve passar aos pais?

Gisele Coli:
  Ter muita paciência; Uma vez resolvido, não voltar atrás; Tirar primeiramente a fralda diurna e esperar por um tempo para tirar a fralda noturna (aproximadamente 6 meses); Oferecer a ida ao banheiro VÁRIAS vezes durante seu período na escola; Não brigar quando ela deixar escapar e elogiar quando conseguir fazer xixi ou cocô no vaso.

Fernanda Santos Lugatto: A importância de o processo ocorrer em casa e na escola;  Incentivar o crescimento;  Ter paciência e perseverança, pois para algumas crianças o processo pode ser mais longo que para outras.

Eliane Lima: A palavra de ordem para todos os envolvidos neste processo (desfraldamento) é paciência permeada por muita afetividade. Aproveitar a fase de mudanças e de desenvolvimento para estreitar cada vez mais os laços de carinho, apoio e amor. Elogiar, sem grandes alardes, também é indicado, afinal, nesta idade a criança adora ser notada e parabenizada porque foi conhecer o banheiro, ficou sentada no vaso por algum tempo, deixou a fralda seca, falou “xixi” e “coco” etc.

Sobre as profissionais:

Gisele Coli, graduada em Pedagogia e Pós-graduada em Psicomotricidade. Professora de Educação Infantil desde 2007, atualmente professora do Colégio Santa Maria com alunos de 4 e 5 anos.

Fernanda Santos Lugatto, graduada em Pedagogia e pós-graduada em “Distúrbios de Aprendizagem na Infância”. Atua na área da educação há 18 anos. Professora da Educação Infantil do Colégio Santa Maria, ministra cursos de formação para professores.

Eliane Lima, graduada em pedagogia, atua 25 anos na área da Educação, é pós graduada em Inclusão Pscicomotricidade e professora da Educação Infantil do Colégio Santa Maria.

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Leia mais sobre o assunto:

Chegou a hora de largar a fralda
Diário do desfralde do Adam – Parte 1
Como saber sobre o momento certo de tirar a fralda da criança

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Uma resposta para “Desfralde – Entrevista com educadores”

  1. Julia Costa disse:

    Gabi, adorei a entrevista. principalmente por ter sido com três profissionais ao mesmo tempo! Se uma deixou faltar algo, a outra vem e fala. =) E você sabe o quanto me beneficio por Ben ser alguns meses mais velho que Luquinha, né! Acabo sempre aprendendo várias coisas com você, então quando chega na hora já tenho uma ideia do que está para acontecer! =) Um beijo grande e parabéns pelo desfralde!!! =)

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