14 set 2016

Entre amor e… paciência!

 

Tenho vivido entre amor e ódio com meu filho mais velho, quando na verdade preciso viver entre amor e paciência

 

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Imagem Google

Passei 4 anos mãe de um filho só. Algumas vezes achei que era difícil, como também achei que tirei de letra. É aquela coisa, as fases vão passando, nós ganhamos experiência, aprendemos a lidar com as situações e comportamentos da criança e de alguma forma vai ficando mais fácil mesmo. Fica tão fácil que a gente decide ter outro filho, porque não tem como complicar mais. Ou tem? Só um pouquinho.

Quando temos dois (ou mais) filhos, vivemos aquela situação de ter que dar atenção simultaneamente para ambos. Sim, porque se isso não acontecer, vai chegar uma hora que um dos filhos vai se sentir abandonado e estou com a impressão que acontece com o filho mais velho. Porque ele depende pouco menos dos pais, tem mais autonomia e a gente acha que ele está indo bem. Amor não falta. Mas paciência… Amor e paciência não andam juntos, obrigatoriamente, o tempo todo.

Quando a Stella nasceu todo mundo me perguntava se o Benjamin tinha ciúmes dela. Não tinha. E até hoje não tem. Afirmo isso considerando o lado negativo desse sentimento. Ele não demonstra egoísmo em relação à bebê. Pelo contrário, existe um sentimento de proteção, cuidado. Sempre chama nossa atenção em relação aos cuidados dela. Até quando chamo atenção dela para algo que não pode fazer, ele me adverte dizendo para não brigar porque ela é um bebê e não sabe das coisas. É esse o nível do zelo dele para com ela.

Embora não tenha ciúmes, ele teve algumas nuances em seu comportamento desde então. Como fazer manha – algo que ele não fazia, pedir colo demasiadamente, pedir para darmos comida na boca dele, banho (até hoje ele toma banho com a gente, quando já devia estar aprendendo a tomar sozinho). Um certo retrocesso previsto com a chegada de um bebê. E já faz semanas que ele tem tido um comportamento chato pra caramba e que tem me feito perder a paciência com ele. Odeio perder a paciência com o Benjamin. Porque apesar do comportamento chato, ele é um menino extremamente amoroso e gentil, porque ele é só um menino de 5 anos chamando atenção e porque demonstra minha inabilidade em lidar com a situação.

Por mais que eu me esforce, parece que não consigo dar atenção aos dois filhos ao mesmo tempo. A Stella está numa fase em que precisa de atenção full time, porque uma piscada e pronto, a menina já está pendurada no lustre ou comendo ração da cachorra. O menino só pensa em jogar aquela mer%@ de vídeo game ou no celular, não pega outros brinquedos, não tem mais tanto interesse por leitura e lição de casa tem sido feito na base da negociação (aliás, negociação é outra coisa que tem me incomodado fazer, não quero ser autoritária, mas acho sinceramente que não devia existir acordos com crianças para algumas coisas). E parece que todo meu tempo livre com ele é para atividades obrigatórias como dar comida, escovar os dentes, tomar banho, fazer lição de casa… e ainda assim no tempo que estou fazendo essas coisas, estou sempre inibindo o menino e a todo instante dizendo “vai logo”. Estou sempre sendo chata pra caramba.

Entre uma coisa e outra, ele vive pedindo “não briga comigo”, quando não estou brigando, mas advertindo-o por algo. Ou porque ele não vai logo. Ou porque ele fica fazendo gracinha (e juro, amo quando ele faz gracinhas para se vestir, dançando na minha frente pelado. Mas também é difícil quando ele faz isso quando estamos com pressa e odeio estar sempre com pressa). Ou porque ele fica me desafiando “se você brigar comigo, nunca mais… (completa a frase)”. Eu já não sei se ele usa desse artifício – o de me pedir para não brigar com ele – como chantagem emocional, percebendo que fico mal com isso. Não acredito que ele seja manipulador, mas convenhamos, criança usa de artifícios para nos “dobrar”.

Minha paciência está limitada. Enquanto que para a bebê a paciência é maior por compreender que ela é apenas um bebê (e naquelas viu, porque quando ela começa a berrar no trânsito, tenho vontade de desligar o carro e sair sozinha andando pela via expressa como se não existisse mais nada). Mas ele é só um menino de 5 anos e também não tem a compreensão da vida e das urgências que eu tenho. Eu sou a adulta da relação, meu ritmo e tempo são diferentes do dele e eu devo aceitar e respeitar o ritmo e o tempo dele. Se isso significa, por exemplo, eu acordar mais cedo para agilizar tudo, acordá-lo também com tempo para ele fazer as coisas no ritmo dele e então conseguirmos sair no horário, que assim seja feito para o bem de todos.

O desafio está dentro de mim. Não quero conviver com o meu filho como a chata autoritária, mas como alguém que pode ajudá-lo em todo processo necessário com amor e paciência. Eu que preciso buscar tranquilidade, contar até 1000 quando precisar, de compreender o momento de vida dele. Também não quero me punir pela falta de paciência e inabilidade toda que tem me faltado como mãe de dois. Essa fase é um aprendizado pra mim também. Sou mãe, mas não sou perfeita como meu filho acredita que sou. Quero saber me perdoar e ao mesmo tempo poder dizer “Sim, meu filho, eu posso esperar“.

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5 respostas para “Entre amor e… paciência!”

  1. Não é fácil ser mãe de 2 amiga… eu todo dia tento não gritar ou brigar com a Sophia, mas sei que é difícil…

  2. Juliana disse:

    Texto perfeito, se eu fosse descrever oque tenho vivido ultimamente diria exatamente isso, sobre esta confusão que é se dividir entre um bebê que exige tudo de mim 24 horas e uma criança de 5 anos que precisa ser amada e educada, nada fácil rotina. Bom saber que não estou sozinha neste mundo doido kkkk

    • http://bossamae.com.br/novo/wp-content/themes/bossa-mae/img/img-coment.png Gabi Miranda disse:

      Juliana, calma que eu tenho fé que as coisas se ajeitam. Daqui a pouco estamos expert como mães de dois e vamos querer o terceiro. rsrsrsrs
      Eu digo o mesmo, bom saber que compartilha dos mesmos sentimentos que eu, que não estou sozinha nessa jornada.
      Boa sorte!
      Super beijo.

  3. Gabi, posso falar? Acho que tá faltando uma válvula de escape para ti. Sei que parece que tirar uns minutos só pra gente é deixar de passar tempo com os filhos, mas a gente também precisa recarregar as energias, né? Pensa nisso! 😉

    • http://bossamae.com.br/novo/wp-content/themes/bossa-mae/img/img-coment.png Gabi Miranda disse:

      Amiga, por isso to mega animada para minhas férias. Vou tirar sozinha, to fugindo para a cada do meu pai com a Stella. Até ela eu deixaria ahahahaha, mas ainda não consigo ficar muitos dias longe e pro marido sozinho ficaria puxado. Mas olha, só tirar uns dias sem os meninos já vai aliviar. ahahahaha
      beijossss

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