05 set 2016

Escolhas

por
Gabi Miranda

Comportamento, Destaque, Maternidade

– Ben, você foi convidado para participar da corrida Cartoon Network e um adulto pode correr junto. Com quem você quer correr, com o papai ou com a mamãe?, perguntou o pai ao menino.

– Quero ir com a mamãe!, respondeu o menino.

– Por que com a mamãe???, questionou o pai um pouco decepcionado.

– Porque uma vez com cada um, ué…

– Mas quando a gente vai correr de novo?

– Numa outra oportunidade, uma vez cada um, primeiro a mamãe, depois com você.

 

E ontem, lá fomo nós, a convite da OMO, participar da primeira corrida juntos. #CorridaCN Cartoon Network.

Escolhas-bossa-mae

 

Tive um sobressalto ao ouvir esse diálogo. Eu tinha oferecido para o marido correr com o Benjamin e ele decidiu perguntar o que o menino preferia. Eu não teria feito Benjamin escolher entre eu e o pai. Primeiro porque acho que isso não se faz com uma criança, segundo porque sou ciumenta e ficaria mal caso a escolha dele não fosse eu – mesmo sabendo que nada e ninguém ocupa o espaço que tenho no coração e na vida dele, terceiro porque eu sempre imaginei que a escolha dele em primeiro lugar fosse o pai, principalmente para uma atividade assim que eles tem algo mais em comum. Portanto, eu não me atreveria (fazê-lo) passar por isso. Foi uma grande surpresa ao ouvi-lo me escolher. Meu eu interior pulou, dançou, deu gritinhos, puxou os cabelos, tudo de felicidade. Mas acho que foi uma grande surpresa para o marido também.

Dois dias antes da corrida, Benjamin começou a falar que o pai estava bravo com ele por ter me escolhido para a corrida. Mas ele teve uma conversa tão franca comigo, nem parecia um menino de só 5 anos. Perguntei se o pai havia falado alguma coisa e ele disse que não, mas que não precisava falar, pois ele estava sentindo. Meu coração rachou ao meio. Porque meu filho tem muito de mim e uma das coisas que eu não gostaria é que ele sofresse assim com esse tipo de coisa, como eu sofri a vida toda, e sofro até hoje.

Conversei bastante com ele. Expliquei que bastava ele falar para o pai que essa escolha não mudaria nada, que o amor que ele sentia pelo papai era tão grande quanto 1 km que correria junto com a mamãe. Achei difícil explicar. Porque embora uma escolha signifique descartar outra opção, isso não queria dizer que ele estava abrindo mão do pai…complexo.

A vida é feita de escolhas. Ok, essa foi desnecessária. A todo instante estamos diante de uma escolha. Preto ou branco. Calça ou saia. Camiseta ou camisa. Sim ou Não. Carne ou peixe. Maça ou pera. Dilma ou Temer. Guerra ou Paz. Super Herói ou vilão. Casar ou comprar uma casa. Ser feliz ou ter razão. Andar ou correr. Todos os dias ao acordamos precisamos escolher sair da cama ou nela permanecer. Importante ou não, fazemos escolhas o tempo todo. Mesmo quando não fazemos uma, estamos tomando uma decisão. E graças a Deus temos o poder de escolher! Mas tudo o que eu queria ter falado para o pequeno era que não importa a escolha dele se o desejo for um só: viver! e de preferência, de bem com a vida, sem se preocupar em querer agradar todo mundo a todo instante, porque isso, já sei por experiência própria, é impossível.

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