11 jan 2016

Feliz nova escola

por
Gabi Miranda

Desenvolvimento, Educação, Filhos

Ilustração de Andry Rajoelina

Ilustração de Andry Rajoelina

O ano novo começou com grandes mudanças também para o nosso pequeno-grande Benjamin. 2016 além de ser o ano em que ele completará 5 anos, meu Ben está indo para o Pré e para uma escola nova. Desde que tomamos a decisão em mudá-lo de escola, Benjamin participou de todo o processo, inclusive foi conosco conhecer a escola e desde que fizemos a matrícula venho conversando com ele. Numa dessas conversas ele me surpreendeu ao me fazer uma pergunta num tom também afirmativo “mãe, na escola nova vou fazer muitos amigos novos, né?”.

Eu arriscaria dizer que meu filho tem uma vida curta, porém intensa. Sem contar e minimizar as mudanças de desenvolvimento. Desde os dois anos e meio, Benjamin vive grandes mudanças com tão pouca idade. Primeiro veio a morte da sua avó materna, e, embora talvez ele não tivesse consciência plena daquela perda, ele sentiu ao me ver triste. Nunca vou esquecer um episódio no qual estávamos só nós dois em casa, um dia após o enterro, quando ele tão pitico me trouxe sua garrafinha de água, um potinho com balinhas m&ms e me disse naquele parafraseado baby “toma mamãe, tem que comer e beber”. A segunda mudança foi deixar de ser filho único para se tornar o irmão mais velho – papel do qual ele se orgulha em desempenhar e nitidamente o deixa feliz.

Agora vem a mudança de escola. Hoje, inclusive, é o seu primeiro dia na escola nova (e quem acompanhou foi o papai super herói e a mamãe foi trabalhar sofrendo por não fazer parte desse dia). Em 2015, na última semana de aula, reforcei que ele não voltaria mais para aquela escola e no último dia o lembrei de se despedir dos amiguinhos. Ao buscá-lo ele me contou que deu um abraço forte em seu melhor amigo, Murilo, que assim como  muitos de seus amigos mudarão de escola esse ano. Foi difícil optar por essa mudança, mas sinto que é chegada a hora e cada vez mais fica impossível evitar certas transformações na vida dos nossos filhos. Eles crescem. E isso significa que cada vez mais estarão concluindo etapas.

Ele tem se mostrado animado com a mudança de escola enquanto eu, na última semana comecei a ficar ansiosa e preocupada. Nós, mães, somos encanadas e vivemos criando situações em nossa mente. Como será que ele vai se entrosar com os novos amigos? Será que vai ficar tímido? Vai pedir para ir ao banheiro? Vai se alimentar direito? Vai beber água? E se ele chorar? E se um moleque pentelho atazaná-lo? Surge um impulso de querer estar perto para ajudar e proteger. A preocupação dos últimos dias foi: como a escola saberá que o pai dele é o pai mesmo? Dúvidas que tiramos no ato em que conhecemos, mas para qual depois criamos outras possibilidades. Preenchemos uma ficha, na qual autorizamos a retirada do Benjamin apenas pelo pai ou por mim, mas não tem nenhuma foto nossa anexada lá. Perguntamos ao Benjamin “se chegar outra pessoa para te buscar sem ser o papai e a mamãe, o que você faz?”, a resposta, para o meu desespero, foi como eu imaginava “não sei”. Depois de alguns segundos, ao ver nossa troca de olhares, Benjamin respondeu “eu só devo ir embora com a mamãe, o papai ou a com Stellinda”, “não, Ben, para segurança de todos, se a Stellinda aparecer lá sem um de nós, você também não deve ir”. Coincidência ou não, alguém da escola me ligou no dia dessa inquietante dúvida e me tranquilizou quanto todas as possibilidades imagináveis que tive.

Esse ano também é o que Benjamin completará 5 anos. Mais um marco. Certas transformações parecem doer mais na gente no que neles. Ter filhos é passar constantemente por diferentes fases e ter que se adaptar a elas. Eu vivo sofrendo pela frenética rapidez com que ele cresce, com o cafuné que Benjamin já nega querer em determinados momentos, com os amigos que se perderão no caminho, com o colo aparentemente pequeno para ele, com o banho que, obviamente por afinidade, ele já prefere tomar mais com o pai, com a independência ao vê-lo se vestir, se despir, se alimentar, abrir a geladeira, com as conversas e curiosidade… Ao mesmo tempo sinto um baita orgulho em vê-lo crescer. Dói, mas o orgulho, a admiração em ver um filho crescer e se transformar é ainda maior e gratificante. Desconfio, uma das grandes virtudes e desafios de ser mãe, é justamente estar aberta para fechar uma etapa e aceitar outras. Coisa que criança faz com mais espontaneidade e confiança – e seguimos aprendendo e nos aperfeiçoando com elas.

Feliz ano novo, feliz nova escola, filho!

 

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0 resposta para “Feliz nova escola”

  1. […] Leia como foi quando o Benjamin mudou de escola: Feliz nova escola […]

  2. […] passada, dia 25 de janeiro, levei Benjamin para o seu primeiro dia de aula. Eu já havia contado AQUI que ele tinha mudado de escola e já havia começado a frequentá-la, mas ele estava em outra […]

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