11 maio 2017

Filha de mãe solteira com muito orgulho

Outro dia comentei no instagram que a história da mãe do Marcos Piangers era muito parecida com a história da minha mãe. Choveu de gente me mandando mensagem compartilhando sua história e falando que não sabia que eu era filha de mãe solteira. Pois bem, sim, sou filha de mãe solteira. Acho que nunca tive dimensão exata do que isso significava e vim ter só na vida adulta e com exatidão das dificuldades, após a minha maternidade.

filha de mãe solteira

Sempre admirei minha mãe. Sempre a achei uma mulher porreta. Ela criou duas filhas sozinhas. E não apenas por isso, mas pela história de vida dela. Por todos os desafios, por todas as suas escolhas, por tudo o que ela enfrentou, pela coragem e alegria de viver que permaneciam vivos dentro dela. Das escolhas, eu contaria aqui uma delas, mas não tenho esse direito. Foi algo que só no fim da sua vida, reconheci o tamanho do sofrimento que ela carregou.

Entre essas escolhas, posso contar a que mais me faz admirá-la. Minha mãe escolheu eu e minha irmã. Apesar de todas as dificuldades, ela escolheu seguir adiante. Ninguém, muito menos as circunstâncias, fez com que ela desistisse de nós. Hoje, sabendo o quanto a maternidade pode ser uma experiência incrível, mas que também vem com algumas dores embutidas, consigo imaginar as dificuldades da minha mãe em ser uma mãe solteira. Ela foi mãe e pai numa combinação perfeita. Penso que foi melhor do que se tivéssemos os dois presentes.

Ela viveu para criar duas mulheres. E não me lembro de ver minha mãe livre das obrigações maternas. Talvez só depois que eu e minha irmã nos casamos. Minha maternagem é muito baseada na minha mãe. Uma mulher capaz de tudo pelos filhos, que nunca deixou nos faltar nada, mas que também soube nos preparar para enfrentar o mundo. Podem dizer o contrário, mas a maternidade é uma função de dedicação exclusiva ao outro, por pelo menos longos anos. No passado, raramente, os pais atribuíam a eles esse posto. Não conheço nenhuma pessoa que tenha sido criada por pai solteiro. Ou eles davam no pé. Ou eles se mantinham ali presentes, porém ausentes. Pais abandonam. Mães, dificilmente, fazem isso.

filha de mãe solteira

Quando digo que pais abandonam, é no sentido de irem embora mesmo e ter uma identidade desconhecida ou te abandonam em momentos importantes, como numa apresentação escolar, numa formatura – onde você sempre acaba com um representante. Mãe não! Ela sai correndo dos seus dois empregos, atravessa o oceano, chega no último minuto da sua apresentação, acena, grita, torce, (te enche de vergonha, rs), mas ela está ali, transmitindo amor, segurança, fazendo sua conexão com o mundo. Mães tentam. Mães amam incondicionalmente. Mãe é mãe.

(isso está mudando, vejo aí vários exemplos de pais, meu marido, Marcos Piangers também)

Gostaria de contar com plenitude a minha história de ser filha de mãe solteira. Mas essa história não é só minha. É minha e da minha irmã. Eu teria que pedir permissão a ela para contar com mais detalhes. Por hora, eu posso dizer isso. Sou filha de mãe solteira sim, com muito orgulho. Se no mundo tem uma pessoa que admiro e amo com todas suas perfeições e imperfeições, é a minha mãe. Eu não a julgo por nada nesse mundo e respeito cada uma de suas escolhas, principalmente agora que sou mãe e consigo entender todos os seus motivos.

Acho que todos os filhos de mães solteiras deveriam sentir esse orgulho. Imagino o quanto deve ser difícil para uma pessoa não saber quem é seu pai. Mas se sua mãe te escolheu, isso já deve ser maravilhoso. Nesse Dia das Mães, aconselho não julgá-la. Simplesmente abrace sua mãe enquanto ela está aqui.

Leia também: perdi a melhor parte de mim

 

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7 respostas para “Filha de mãe solteira com muito orgulho”

  1. Ana disse:

    Oi meninas tudo bem
    Bom tenho 18 anos sou casada a 2 anos namorei 4 anos. Eu trabalho numa loja de roupas meu marido estava desempregado então agora e vendedor ambulante e estávamos pensando em um bebê mais estamos com medo do que os familiares falarão…alguna de vocês ja passou por isso me ajudem estou com medo disso…nos queremos tanto um bebê e minha cunhada também está grávida de 6 meses me ajudem dando a opinião de vocês será brm vinda..obrigada desde ja. Beijos

    • http://bossamae.com.br/novo/wp-content/themes/bossa-mae/img/img-coment.png Gabi Miranda disse:

      Oi Ana!
      Pelo seu breve relato, acho que poderiam esperar um pouco mais para tomar essa decisão.
      Eu sugiro esperar o bebê da sua cunhada nascer e vocês curtirem esse momento que será uma delícia para toda família. Dizem que ser tia é uma maravilha também.
      Depois que as coisas se estabilizarem mais, vocês começam a pensar em aumentar a família. Você é super nova e devem aproveitar ainda mais a vida a dois que é incrível.
      Boa sorte!
      beijosssss

  2. Luana disse:

    Lindo texto 😝 muita saudade da melhor mãe do mundo 😍😍

  3. Lima disse:

    Gabi o q vcs passaram c sua mãe passei c a minha. Ela era fumante . Fumou dese os 10 anos até os 51. Eram maços de cigarro todos os dias. Brigávamos e era a mesma coisa que nada.

    Ela teve 3 infarios e os médicos disseram que era coluna. Qdo viram realmente o q era não tinha mais jeito ela faleceu práticamente nos meus braços.

    Tive transtorno de ansiedade e síndrome do pânico e tô tratendo até hj quase 7 anos depois.

    Força pra gente querida.

    • http://bossamae.com.br/novo/wp-content/themes/bossa-mae/img/img-coment.png Gabi Miranda disse:

      Oi Andrea,
      Então, minha mãe tinha parado de fumar há anos.
      Mas agora já acredito que qd chega a hora, não tem jeito.
      Fomos pegas de surpresa, tudo muito rápido.
      Sinto muito pelaa sua perda tb. Vamos lutando um pouco a cada dia.
      Um beijo

  4. Me emocionei muito com seu texto…fiz uma viagem no tempo agora! Minha juventude, alias a nossa juventude: minha e de sua mãe, minha comadre. Vivemos juntas momentos intensos de alegrias, felicidade, tristeza, decisivos, marcantes, fraternais, tensos, terríveis, medos, dúvidas, inseguranças, e dentro de todos, um momento muito sensível, delicado e insubstituível: a maternidade! Acompanhei cada segundo quando sua mãe ficou grávida de você e da sua irmã. Na época as coisas eram bem diferentes quando uma moça engravidava sem estar casada. Ser mãe solteira! Fiz o meu possível para que ela não desistisse de assumir esse desafio, oferecendo muita total dedicação, amizade e amor a situação. Briguei por ela, lutei por ela, sofri com ela quando muitos se afastaram. Sua mãe foi uma guerreira, batalhadora, honesta, forte, determinada, amiga, lembrando muito a minha mãe. Provavelmente toda a sabedoria que carrego seja por ter tido o privilégio conviver com duas mulheres fantásticas no decorrer de minha vida, cada uma no seu tempo. Observando você e sua irmã hoje, tenho um sentimento de uma grande felicidade por ter participado intensamente desta fase de suas vidas. Com certeza, onde elas estiverem estão muito tranquilas e realizadas no resultado do cumprimento de suas missões em relação ao caminho escolhido e seguido por suas meninas. Amo vocês S2

    • http://bossamae.com.br/novo/wp-content/themes/bossa-mae/img/img-coment.png Gabi Miranda disse:

      Que lindo isso. Tão bom quando vejo alguém falando da minha mãe. Ela era ainda mais do que eu projeto.
      Obrigada pelas palavras.
      um beijo

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