07 dez 2015

Impotência define o sentimento de não conseguir amamentar

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Quando Stella completou 3 meses, recebi a notícia da pediatra que deveríamos complementar a amamentação com fórmula porque ela havia engordado apenas 200g no mês (estava com 5,600kg). Entrei em crise, chorei, fiquei mal, li tudo sobre relactação, conversei com as amigas, com o marido, fique tão chateada que não conseguia analisar friamente a situação e a amamentação da Stella. Tanto que nos três primeiros dias após a orientação da pediatra, comecei a complementar com 30ml após algumas mamadas (a pediatra havia sugerido essa quantidade após todas as mamadas). Passados esses dias, e uma garrafa de vinho que me permiti tomar, consegui examinar melhor as condições da minha bebê: mamando só no peito ela não chorava de fome, não estava desnutrida, continuava crescendo, inclusive estava dentro da curva, e as pernocas dela não aparentavam a de um bebê sem alimento.

Abre um parênteses. Antes de continuar esse post, quero fazer um agradecimento especial à minha prima e nutricionista Beatriz Miranda, que me auxiliou e aconselhou continuar amamentando a Stella no peito e também me explicou que tudo ficaria bem se eu decidisse complementar. Às amigas blogueiras Nanna Preto, Fabiana Deziderio, Patricia Cerqueira, Lelê Sordili e Diiirce que me acolheram com abraços virtuais quentinhos, palavras reconfortantes, revelações e histórias engraçadas, quando saí chorando da consulta pediátrica (e diariamente). E ao marido pela paciência e apoio de sempre, mas principalmente pelo cuidado de ter me deixado dormir mais no dia seguinte à consulta, mesmo tendo amamentado a Stella com fórmula. Fecha parênteses.

A danadinha da Stellinda pegou a mamadeira de primeira e dormiu melhor quando experimentou a fórmula. Isso foi difícil de digerir. Depois da minha análise, resolvi que não daria fórmula nenhuma para Stella. Seguiria amamentando apenas. Mas percebi que ela mamava num período menor que três horas, principalmente de madrugada. Então, decidi seguir minha intuição, mas sem esquecer a orientação da pediatra. No entanto, decidi não seguir à risca. Ao invés de complementar com fórmula a cada mamada, passei a dar apenas uma mamadeira à noite de 90ml, antes dela dormir e ainda assim, tinha dias que dava do leite materno que passei a tirar com bombinha para ajudar na produção. Poucos dias antes de completar 4 meses, voltamos à pediatra e para minha surpresa, Stella engordou novamente os mesmos 200g (passou para 5,800kg).

Como já estava prestes a completar 4 meses, e como logo iria para o berçário, e eu não conseguiria amamentar 100%, resolvi complementar um pouco mais de fórmula, ainda não seguindo prescrição médica (que era complementar a cada mamada). Passei a dar fórmula nas mamadas noturnas, uma às 23:00 e outra por volta das 2:00/3:00 quando a Stella acorda. Curiosamente, ela passou a dormir melhor após o complemento com fórmula, tem noites que segue dormindo direto. Ao total, eram duas mamadeiras por dia. Maaaaassss recentemente, a produção do leite ficou ainda mais escassa (teve até um dia que fui tirar com a bombinha e levei 30 minutos para encher 30ml). Quando Stella dorme a noite toda, acordo com os peitos cheios de leite, mas ao final do dia parece não sair uma gota. Sendo filha de quem sou, não desisto, sigo amamentando e complementando só à noite. Só que já percebo Stella mais irritadiça, com fome e lutando para sugar.

É doloroso demais não conseguir alimentar o filho com seu próprio leite. É ruim não saber a quantidade que o bebê está tomando. Parece até pior quando você tem comparação do primeiro filho. Benjamin amamentei até o 8º mês. Vivia com os peitos cheios e vazando. A cada retirada com a bombinha, conseguia extrair facilmente 500ml. Sendo que agora estava conseguindo 300ml no sufoco. A gente simplesmente não quer errar com o segundo filho, pelo contrário, queremos até ser melhores do que formos para o primeiro, somando a nossa experiência ao fato de que provavelmente o segundo poderá ser o último filho. Ou seja, queremos dar o nosso melhor e aproveitar ao máximo.

Timidamente contei nas redes sociais que a produção do leite estava baixa. Muita gente sugeriu tomar remédio (existem alguns que ajudam na produção). Eu cogitei, mas logo esqueci essa ideia porque nunca gostei de tomar remédio pra nada e se o leite materno é algo natural, porque eu haveria de recorrer da ajuda de remédios?! Investi na água, em chá, em alimentos. Comecei a tomar 4 litros de água e 2 liros de chá da mamãe por dia, até espinafre (maquiado na comida) passei a comer.

Quando a gente já não consegue realizar o parto que queríamos, depois nem amamentar o tempo que desejaríamos, surge um sentimento imenso de incapacidade, de impotência. Eu tenho (assumo) vergonha de fazer a mamadeira, principalmente de levar o kit amamentação para sair, ainda me recuso dar mamadeira em público. Parte disso vem da minha fraqueza e outra parte vem do julgamento alheio. As pessoas adoram apontar o dedo e julgar sem conhecer a história que está por trás. Tem também aquelas pessoas que te olham e até comentam “ah, não conseguiu amamentar?!” assinando já o seu atestado de fracasso. Até esse post, vejam bem, eu estava postergando porque não conseguia escrever e por pura vergonha de falar abertamente sobre o assunto.

Há 4 dias sentei e resolvi registrar essa passagem sobre a amamentação da minha filha. Nem posso falar que não consigo amamentar, pois sigo amamentando. Porém, tem sido um esforço diário. Tem histórias tristes de pessoas que tentaram de tudo, com problemas até sérios que impossibilitam a amamentação. Mas como é perceptível, essa história ainda não está bem resolvida dentro de mim, tanto que sigo amamentando Stella sem complementar com fórmula durante o dia e até madrugadas quando vejo que o peito está cheio. Hoje é o primeiro dia da adaptação dela no berçário, outro dia que marca as nossas vidas e, consequentemente, interfere na amamentação. Juro, ainda não sei como farei, ainda estou sofrendo, mas estou tentando viver um dia materno de cada vez. Tudo isso só vem confirmar que o segundo filho não é tão fácil como parece ser.

 

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7 respostas para “Impotência define o sentimento de não conseguir amamentar”

  1. […] satisfeita ou se era preguicinha de bebê, se eu estava fazendo a troca do peito no momento certo. E assim insisti na amamentação antes de entrarmos com a fórmula como indicado pela pediatra. Nesse período fiquei muito […]

  2. oi Gabi, quanta saudade…….bom faz um tempo que estou querendo entrar no seu blog, mas como sabe me tornei mãe recentemente do Gabriel, hoje ele está com 20 dias…..me lembro de um depoimento seu quando ganhou o Benjamim, que estava voltando da pediatra e de repente começou a ter leite…algo assim…não me lembro direito! E somente agora tive um tempinho pra entrar no seu blog, que por sinal acho super legal…mesmo quando eu ainda não era mãe eu já lia algumas matérias! Bom mas vamos lá……meu bebezinho nasceu exatamente quando completei 36 semanas, já faziam duas semanas que estava tentando segurará porque ele queria nascer com 34 semanas…..mas com 36 ele nasceu, foi parto normal…. do jeito que a natureza quis, na verdade eu sempre quis tentar, mas já havia falado pra médica que se não desse tudo bem fazer a cesária…..mas cheguei no hospital com cinco de dilatação e mais algumas horas….lá estava eu segurando meu bebe no colo! não deu tempo do pai chegar, pois estava no mestrado em Brasília, tive hemorragia no parto, minha hemoglobina caiu de 12.0 pra 7.4, quase precisei fazer transfusão de sangue….estou tomando ferro na veia até hoje a cada três dias tenho que tomar duas injeções no hospital….mas voltando ao assunto da amamentação, sempre sonhei com isso como toda mulher que se torná mãe, e tendo o parto que tive não tinha dúvidas de que teria sucesso! mas meu bebezinho ficou na UTI cinco dias e lá mamou no peito e na mamadeira a cada três horas…..ele não ficou no quarto comigo…então não tive aqueles primeiros momentos com o bebê. na verdade fui tentar amamentar depois de 27 horas que ele havia nascido, pois eu não estava bem por causa da hemoglobina. no dia que tive alta do hospital a médica da UTI me orientou a dar somente o peito…segui as orientações e conclusão….o bebê chorava tanto… mas como o peito não doía e ele sugava pra caramba eu achava que estava tudo certo! depois de dois dias meu bebê ficou desidratado e perdeu 300gr. Tivemos que voltar para o hospital e ele teve que tomar soro na veia e fazer exames de sangue de urina, com apenas 7 dias de vida…quase morri e eu ainda não estava bem de saúde! então fomos orientados a complementar….me senti péssima, chorei litros….por fazer meu filho ficar nessa situação e hoje estou insegura, fiquei tão traumatizada que não tenho leite no peito direito, só no esquerdo. Mudei de pediatra e o trauma voltou…..a médica queria que voltasse a tentar dar somente o peito…na hora a resposta foi não…estou tomando quatro litros de água por dia, comendo tudo o que precisa, chá da mamãe e nada do leite….então estou complementando todas as mamadas. Não só queria como ainda quero amamentar e estou tentando…..mas ta difícil acreditar que vou ter leite o suficiente….meu sonho é encher aquela bombinha, mas tento usar ela e não sai nenhuma gota, o que sai não enche nem uma colher…. mesmo assim agradeço a Deus, por ter leite no peito esquerdo, mesmo que seja pouco e torcendo pra ter leite no direito. Então Gabi, não fica assim….só quem é mãe sabe que fazemos o possível e impossível pelos filhos, mesmo que eu ainda não tenha nem uma mês como mãe, nesses últimos dias aprendi muita coisa…….fica tranqüila vai dar tudo certo com sua Stelinha….um grande beijo pra vc e sua família!

    • http://bossamae.com.br/novo/wp-content/themes/bossa-mae/img/img-coment.png Gabi Miranda disse:

      Fê, dias desses mesmo encontrei a Ka e falamos que queremos te visitar. Nem imaginava que vc tinha passado por tudo isso… Eu imagino todos os aprendizados, é incrível como nossa vida se transforma a partir do momento que parimos e aprendemos tanto com um ser tão pequeno q não sabe nada da vida.
      Continue se esforçando, tomando água e eu sei que é difícil, mas tente descansar, peça ajuda para sua mãe, pra ela ficar com o Gabriel enquanto você dorme um pouco durante o dia. Pelo que vc relatou da sua saúde, vc deve precisar descansar em dobro. Stella tem dormido noites inteiras e isso tem sido bom pra nós pq acordo com o peito cheio. E sempre tenho pensado nisso, que minha história não é nada perto de histórias como a sua, tenho que agradecer que ainda consigo amamentar e não enfrento dificuldades maiores. Claro que nosso sonho é amamentar exclusivamente pelo menos até os 6 meses, mas complementar ainda é o dos melhores mundos.
      Estou torcendo por você e acredito que vc vai conseguir, pois falamos (eu e Ka) justamente sobre isso a seu respeito, sua determinação e foco em realizar suas coisas como sempre quis. Infelizmente, não conseguimos controlar tudo – isso aprendi ao ter o Benjamin e continuo tendo essa mesma lição agora com a Stella, mas o importante é darmos o nosso melhor. Fique bem! E esperamos visitá-la apos as festas se você se sentir em condições de receber visitas.
      Super beijo em vc e no Gabriel. E meus parabéns! Seja bem-vinda ao mundo materno, ele é assustador, mas incrível.

  3. Andressa disse:

    Gabriela…você está fazendo o seu melhor! Não se culpe e procure não se importar com o julgamento alheio…nossos dramas serao eternos…

  4. Lele disse:

    Gata
    Td em divina ordem!
    Stellinda crescendo e com saúde.
    Todas as etapas são desafiadoras e nos geram medos/culpas….
    E a comparação ainda que ruim é inevitável, fazemos isso sem perceber. Mas é fato: os filhos são diferentes AND cada momento da vida tb.
    Bjs enorme e tô aqui para o q precisar
    Lele

  5. Oi, querida.
    Obrigada pelo agradecimento público. A vida de mãe é uma vida louca. Postei uma foto do Samuel no Instagram em que escrevo assim: “Não há nessa vida, experiência mais intensa, surpreendente, desafiadora, sem controle, que a maternidade.” Depois de 14 anos, ainda sofro pra cacete, como vc bem acompanha. Agora, não é mais o leite materno ou o parto ou o berçário, mas se estou sendo boa mãe para um adolescente. Logo, é um sem fim essa vida. A pergunta de um milhão de dólares é: Não dá para ser menos dolorida e sofrida a vida de mãe?
    Adorei o post e a única coisa que posso te dizer é que vai dar tudo certo. Mas, bem que podia ser sem tanto “senões”, né?!
    Beijos

  6. Fabiana disse:

    Gabis.
    Terá colo quando quiser e precisar. Achei corajoso, conhecendo as mães mais radicais, que tenha falado tudo isso. Eu não amamentei direito por um montão de motivos, já me cupei demais, mas na linha do tempo isso dissolve. Não é que fique esquecido, mas perde o peso. A vida é um aprendizado sem fim e nossas batalhas são só nossas. Vai ficar tudo bem. Love u.

  7. Mariana disse:

    Oi Gabriela!! Aqui em casa enfrento as mesmas frustrações do parto e da amamentação. Maria só ganhou 150 gramas no primeiro mês, então adivinha qual foi a recomendação do ped né?? Não consegui dar no copinho, e comecei com a mamadeira mas aos prantos. Só q por volta do terceiro mês a bichinhos começou a recusar a mamadeira aí a louca aqui resolveu de voltar só pro peito. Hj ela tem pediatra e vamos ver qual foi o estrago!!!! Tb passei por essa vergonha de dar mama em público, são muitos dedos apontados né… Mas vai dar tudo certo com minha Maria e sua bossinha! O mais importante é q estejam saudaveis!!! Bjsß

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