18 nov 2014

Lembranças: Férias na vovó

por
Gabi Miranda

Família, Maternidade

A escola do Benjamin só fecha na semana do Natal e Ano Novo, mas iniciamos as férias dele uma semana antes do recesso, em 16/12. Fiz uma coisa que tinha vontade, mas faltava coragem. Liberei Benjamin para passar a semana toda com a avó Salete – minha mãe. Montei uma malinha e lá foi ele todo contente.

Benjamin é todo desprendido. Assim como a tia Luana e ao contrário de mim quando éramos pequenas. Ele vai com as pessoas, fica de boa e esquece da vida. Durante essa semana ele se dividiu em ficar na casa da vovó e na casa da tia Luana. Não fiquei pensando muito no assunto, ligava apenas uma vez por dia, isso quando minha mãe não ligava. O que me ajudou a não pensar nesse período foi que a casa estava uma bagunça por conta da mudança e eu e marido estávamos colocando ordem.

Minha mãe queria muito que ele fosse. Pra mim ainda é difícil me separar ou fazer qualquer coisa sem ele. Qualquer coisa mesmo! Nesse período dele fora, só ouvia: aproveita a vida de casal. Mas eu fico completa e feliz quando estamos os três juntos. E sem Benjamin é como se faltasse uma parte nossa como casal.

Tenho trabalhado isso dentro de mim. Quero que Benjamin seja uma pessoa desapegada, embora isso me doa porque não quero que ele seja desapegado de mim ao mesmo tempo que quero que seja. Louca?! Eu tenho passado por umas crises. Por exemplo, sou ciumenta por natureza, mas até então não tinha tido ciúmes do Benjamin e de repente passei a ter, inclusive dele com a minha mãe (ele a vê e esquece o mundo).

vovó

Achei esse post salvo, em 9/1/2014, não finalizado. Sempre soube que ele estava nos rascunhos, o via lá com o mesmo tema “férias na vovó”, que preferi manter, mas tinha medo de abrir. Ao lê-lo, lembrei do episódio que me fez ter um tiquinho de ciúmes do Ben com ela. Uma grande bobagem, porque dela eu não tinha ciúmes e sempre admirei a relação deles. Mas me lembro porque me referi a isso. Foi quando fiquei fora uma semana a trabalho e retornei numa sexta-feira quando ele já estava dormindo e eu morrendo de vontade de agarrá-lo.

Minha mãe foi dormir lá em casa porque no dia seguinte seria a apresentação dele na escolinha. No dia seguinte, fui acordá-lo e ele ficou todo feliz ao me ver, quando veio me abraçar minha mãe apareceu no quarto e…..não ganhei meu abraço tão esperado. Coisa boba e normal, pois as avós são mesmo seres mega especiais. Na época refleti sobre isso e sabia que senti um ciúmes infundado. Hoje, eu trocaria com ela todos os abraços dele, só pra ela continuar aqui, perto de nós.

(pausa para respirar)

Voltando ao dia seguinte, o do abraço. Fomos para a festa de final de ano da escola do Ben e lembro do apego do Benjamin com a avó. Lembro especialmente dela cochichando no ouvido dele pra ele também me abraçar, agradar a mamãe, senão eu ficaria chateada e não levaria mais a vovó junto. Não havia competição entre nós. Doce lembrança. Eu jamais privaria ela das coisas do Ben. Gostaria que ela soubesse disso. Eu sempre confiei meu filho pra ela. Sempre acreditei que depois de mim, só a minha mãe cuidaria dele como eu.

Passaram-se 8 meses desde que minha mãe se foi. Tão nova. Aos 59 anos ela nos deixou. E pra mim ainda é muito difícil falar ou pensar sobre o assunto. Ainda sofro não só porque perdi minha mãe, mas porque perdi a avó que ela era, a pessoa cheia de coisas maravilhosas com as quais meu filho não vai conviver, principalmente, a alegria e o otimismo dela. Toda vez que ele faz uma coisa nova, me pego num segundo de ímpeto querendo ligar para ela. Em seguida vem a decepção inevitável, ela não está vendo, ela não está aqui, eu nunca mais vou ligar para minha mãe e compartilhar as primeiras conquistas do seu neto. Penso que vou viver a vida com essa fisgada. Pensando e sua reação e no que ela diria.

Vai completar um ano que Benjamin passou essas férias com ela. E eu sinto que tinha que ser assim, que eles precisavam desses dias sozinhos um com o outro. E já consigo pensar no lado bom dessa situação: ainda bem que deu tempo deles conviverem esses poucos anos. Foi um período breve, mas intenso. Ainda bem que eles foram avó e neto. E em meu coração, se renova a alegria e um sentimento puro de gratidão.

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3 respostas para “Lembranças: Férias na vovó”

  1. Priscila Ferreira disse:

    (cont) e assim vou tentando seguir a vida, sem pai e agora sem meu porto seguro que era a minha mãe, não sabe como foi reconfortante encontrar seu blog, pq na hora que acontece achamos que é só com vc que acontece e não é bem assim, só espero um dia voltar a sorrir. Obrigada

    • http://bossamae.com.br/novo/wp-content/themes/bossa-mae/img/img-coment.png Gabi Miranda disse:

      Priscila,
      Sinto muito pela sua perda. Eu sei que nada que eu falar vai amenizar. Sei que muitas pessoas já devem ter te dito que passa. Acho que na verdade nos acostumamos, aprendemos a conviver com essa falta, com esse buraco que fica. Só o tempo mesmo para amenizar a dor. A saudade só aumenta, essa não passa. Se apegue nas lembranças, nos momentos em que viveram juntas e agradeça por ter tido a oportunidade de conviver e aprender com sua mãe.
      Um forte abraço,
      Gabi

  2. Priscila Ferreira disse:

    Olá Gabriela, sei exatamente como é essa dor, estou passando por essa perda irreparável minha mãe veio a falecer dia 21/11/2015 com o mesmo caso da sua, assim de repente nos deixou, já havia alguns dias que ela não estava se sentindo bem, mas imagina que era algo que havia comido, ou como ela estava entrando na menopausa jamais desconfiaríamos que seria um infarte, t

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