02 jun 2015

Limite: caminho para a construção da autonomia

por
Gabi Miranda

Comportamento, Educação, Filhos

limite

Imagem Google

Mês passado, junto de outras blogueiras da rede Hubme, participei de um encontro super rico e construtivo, com o time do Educacuca. Foi um bate papo incrível que rendeu boas reflexões e já estou ansiosa para o próximo. O tema da nossa roda de conversa, mediado pela psicóloga Waleska Pontes e a pedagoga Silvia Zerbini, foi Limite: caminho para a construção da autonomia. 

Uma das nossas maiores dúvidas como pais é como educar melhor nossos filhos e como fazer isso com amor, limite e ao mesmo tempo dar autonomia aos pequenos. Sim, porque limite é bom, imprescindível e não deixa de ser amor. Autonomia também é bom, também é amor, porque é a partir dela que a criança aprende que tem capacidade de gerir a própria decisão, e, como pais, precisamos permitir que a criança experimente e vivencie coisas novas mesmo que isso posteriormente signifique algum tipo de frustração. Não podemos superproteger nossos filhos com medo de que algo ruim possa acontecer se ele vier escolher algo novo. Precismos desejar que nossos filhos tenham capacidade para fazer boas escolhas para si mesmo e eles só aprenderão isso se deixarmos. Como disse a psicóloga Waleska, educar é acolher e soltar.

Por outro lado, muitos de nós temos medo de impor limites com medo de que nosso filho deixe de nos amar. Essa é uma grande ilusão. Dar limites não significa ser severo, pode ser feito com carinho e respeito. E quando a gente conversa e compartilha com o filho os motivos de agirmos de uma forma em determinada situação, você tira um pouco do peso, tem que mostrar que não é a mãe ou o pai que querem assim, é a vida. Com o tempo, a própria criança passa a perceber que limite é também segurança, que a vida é cheia de desafios, muitas batalhas pessoais, e que muitos deles deverão ser enfrentados sozinhos, com uma única interferência dos pais: o encorajamento.

E isso faz todo sentido pra mim quando penso na festa de final de ano da escolinha do Benjamin. Ele ficou dias falando das apresentações de judô e dança. Quando subiu ao palco para mostrar o judô, ele travou, se encostou no canto e ali ficou. Um filme passou na minha cabeça. Há um ano exatamente, minha mãe estava com a gente nessa tradicional festa e ele também não queria dançar. Minha mãe levantou da cadeira e gritou “a vovó está aqui, vai meu neto”, e ele simplesmente parou o choro e começou a dançar.

Dessa vez, estávamos só eu e o pai dele. Eu precisava fazer algo. Não levantei da cadeira, não gritei, nossos olhares se cruzaram e eu apenas disse “vai, a mamãe está aqui”. E já no final da apresentação, Benjamin foi e fez sua parte e foi aplaudido por todos. Eu me emociono toda vez que lembro disso. Ali eu estava aprendendo algo que minha mãe fazia comigo, chegou a fazer com ele e era isso que ouvi nesse bate papo: não podemos ir pra muitas dessas lutas com nossos filhos, mas estaremos sempre por perto para encorajar, para um abraço, para dizer “Vai, filho, estou aqui, mas essa batalha é sua!”.

E qual é a medida para esse limite e autonomia?

Não existe. Isso é construído dentro de cada núcleo familiar que vai ter um pouco dos aspectos da mãe, um pouco do pai. A medida é aquela que todos podem suportar, lembrando que o filho é o grande projeto da sua vida, mas é também do pai. É preciso procurar um equilíbrio para o desenvolvimento desses dois fundamentais ingredientes da educação. A pedagoga Silvia deu uma dica valiosíssima. Os pais devem sempre pensar juntos: o que é imprescindível, em que situação vale realmente o “não”? Por exemplo, você jamais pode falar para a criança que se ela não colocar logo o tênis, vocês não irão mais a festa do melhor amiguinho dele. Jamais diga algo que você não irá cumprir. Em sua casa, Silvia desenvolveu um método que quero colocar em prática: sacos de limites. São três situações:

limite

Saco do “não”: está aqui dentro tudo aquilo que não é negociável, que é “não” de verdade, como, por exemplo, trocar o almoço por guloseima, bater no irmão ou no animal de estimação.

Saco do “podemos conversar”: está tudo o que é negociável, coisas que tem dias que sim e outros que não rola, como tomar banho um pouco mais tarde do horário habitual, dormir na casa de um amiguinho, assistir televisão por mais tempo.

Saco “essa briga não compro”: aqui está tudo que é desnecessário gastarmos energia, brigar sem necessidade, como comer um doce fora de hora, a criança escolher a roupa que quer colocar.

É preciso criar raízes, mas também dar asas para o filho voar. 

Esses limites devem representar os valores de cada família. O ideal é analisarmos os contextos e ver que tem coisas que para sermos felizes precisamos flexibilizar. Além disso, criança deve e precisa fazer pequenas escolhas e ter pequenas responsabilidades.

A gente fica querendo não criar marcas em nossos filhos. Mas o que nós mães precisamos entender, é que deixamos marcas neles desde o momento que eles nascem. E isso não significa que estamos em dívida com eles, que devemos protegê-los de toda e qualquer frustração. A vida não é como prometemos, e sim uma grande construção e nossos filhos precisam aprender isso.

Para fechar todos esses aprendizados, mais um que marcou esse encontro:

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Não deixe de ler também esse texto incrível da jornalista Eliane Brum: Meu filho, você não merece nada.

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0 resposta para “Limite: caminho para a construção da autonomia”

  1. […] Leia também: limites – caminho para a autonomia […]

  2. […] passeio, viagem de avião, casa segura, piquenique, etc. E lembra que uma vez escrevi sobre os sacos do limite?! Então, nesse espaço do Começar Saudável, é possível fazer download AQUI do arquivo para […]

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