Livro: Eu era uma ótima mãe até ter filhos

Comecei a ler esse livro e detestei. Primeiro que comprei entusiasmada por que vi a indicação na revista Pais e Filhos (que eu adoooro!), depois uma amiga de um grupo indicou, achei: deve ser ótimo, ainda mais com esse título. Sim, porque antes de ter filhos a gente pensa que vai ser ótima mãe. Na prática é que o negócio pega. Comigo foi um pouco diferente, eu achava que seria péssima mãe, além de chata e cheia de frescura. Até que não é bem assim, eu não sou o tipo de mãe que pensei que seria (!), acho que sou bem melhor! Mas voltando ao livro, comecei a ler e no primeiro momento me identifiquei, pois as autoras são duas amigas mães que batiam papo todos os dias por telefone. Desde que engravidei, eu e minha amiga Dani, mãe-já-de-dois, nos falamos TODOS os dias, impreterivelmente, de segundo a sexta (os finais de semana é nossa folga para juntar assunto para os 5 dias). Num segundo momento fiquei horrorizada pensando “que bando de mães neuróticas e depressivas”. Como se eu não fosse neurótica…

O livro é uma junção de 100 entrevistas realizadas com várias mulheres que se questionam o tempo todo se são boas mães e todos os assuntos relacionados a maternidade. Então você se depara com depoimentos meio assustadores. Na minha humilde opinião, não é um livro indicado para quem filho ainda é apenas um projeto. Talvez tenha achado depressivo porque a maioria das mães entrevistadas, são mães de mais de um filho, o que não é o meu caso e o que deve exigir mesmo um traquejo maior, afinal não é fácil ser mãe. Acho também que envolve o fator cultural. A cultura das mães entrevistadas é diferente das mães brasileiras. Percebi que a maioria das entrevistadas resolveu ter o segundo filho porque achava que assim provaria que era boa mãe. Sei lá, acho que existem outras maneiras de se provar isso e sou da opinião que não preciso provar nada pra ninguém. E aí concordo com uma frase do livro no primeiro capítulo: “O ideal é sermos francas conosco para fazermos escolhas conscientes com base em nossos próprios sistemas de valores (e não nas expectativas que os outros têm a nosso respeito) e vivermos de um modo que proporcione o melhor para nós e para nossa família”.

Por eu ter superado as minhas próprias expectativas com relação à maternidade, eu simplesmente amo ser mãe, amo a maternidade e todas as responsabilidades que ela carrega, mesmo sendo muito difícil desempenhá-lo. No segundo capítulo do livro quase joguei o mesmo pra bem longe, além de ter ficado com pena de uma mãe que responde o seguinte para a pergunta “você é feliz?”: “…Quando você planeja seu casamento e depois tem um bebê, espera que seja o dia mais maravilhoso da sua vida, mas não é! Você se ressente por ter aberto mão da vida que tinha antes. Você deixa de ser a coisa mais importante. Gostaria de ter sabido com a devida antecedência que ter um filho não significa o início da época mais feliz da vida. É complicado. Isso exige muitos sacrifícios.” Eu ainda não me ressenti nenhum momento de ter aberto mão da minha vida de antes, muito pelo contrário, se eu soubesse que era tão bom e que eu me tornaria tão mais feliz, eu teria tido filho antes. E agora eu me sinto muito mais importante que antes, agora mais do que nunca eu tenho certeza absoluta que sou alguém para outra pessoa, eu sinto que sou a pessoa mais importante para o meu filho. Sacrifício é realmente você fazer algo pesado, que você não gosta.

Não sei, mas acredito que temos um momento certo para determinadas leituras. Por exemplo, se eu ler esse livro quando estiver com dois ou três filhos, talvez minha percepção mude e eu concorde com algumas declarações. Mas também não culpo as mães que não gostam da maternidade e acho esse sentimento super natural, pois realmente é uma função difícil desempenhar, que exige muito de nós. Mas de 100% das entrevistadas, 99,99999…% são depoimentos de mães deprimidas, que odeiam a maternidade, que acham um fardo.

No decorrer da leitura tem uns quadrinhos intitulados “segredinho inconfessável”. Tem uns que são absurdamente mais cretinos sem graça do que engraçado, exemplos:

“Às vezes eu penso: ‘Não acredito que fiquei sem beber durante nove meses por causa disso’”.

“Concordamos em não ter TV em casa. No instante em que meu marido viaja, eu tiro a televisão de 14 polegadas do esconderijo e alugo uns vídeos para os meus filhos”.

Eu odeio interromper uma leitura, se eu começo a ler um livro tenho que ir até o fim (como tudo o que começo a fazer). Então resisti e continuei lendo e não me arrependi, no final até gostei de um ou dois capítulos – os quais comentarei no próximo post…

 
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8 thoughts on “Livro: Eu era uma ótima mãe até ter filhos

  1. Daniela Maio

    Puxa, tinha a maior vontade de ler esse livro, mas acho que vou desistir disso…tenho dois e não sou depressiva, bem pelo contrário, quero mais um pra fechar a fábrica…rs Sempre quis ter família grande, contudo acho que o problema da maioria das mães, mulheres que decepcionam com a maternidade, é a ilusão de que se pode ser perfeita e também viver num conto de fadas…quero dizer, é um conto de fadas, mas real, com problemas diários, mas o bom de tudo é que as partes boas são infinitamente melhores do que eu podia imaginar…ouvir seu filho te dizer que te ama, falar pro papai que quer a mamãe, ouvir o som da risada…ver a alegria deles quando vc chega…supera qualquer sonho. Ah, outro problema da maioria, é não estar preparado pra enfrentar as dificuldades de ter um mundo diverso, que não gire em torno do próprio umbigo. Acorda gente, essa vida é de carne e osso, só temos esse tempo pra viver, e é perder o precioso tempo ficar lamentando que queria que o tempo voltasse, que queria viver mais a vida de solteira…etc Viveu o que foi possível, sejamos realistas e aproveitemos, porque daqui há alguns anos, vamos estar lamentando quando tinhamos os pequenos ainda em fase de colo, pra beijar e abraçar e dar muitos cheiros apertados no cangote e eles sem o vozerão: “pára mãe, tá queimando meu filme…” rsrsrsrsrsrsrs

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  2. Julia Costa

    É, Gabi! Muito depoimento deprê junto assusta mesmo! A maternidade é difícil mesmo, assusta para quem não sabe bem o que esperar. Talvez os depoimentos sejam de mães que não se adaptaram à maternidade. Imagino que elas amem seus filhos, mas se pduessem voltar atrás talvez tivessem feito outra escolha. E isso é mais comum mesmo para mães de dois ou mais. Eu mesma no último mês recebi dois conselhos de duas mães diferentes de não ter o segundo filho (ambas têm o segundo filho). Bom… eu quero ter o segundo filho. hahahaha Mesmo que seja para me arrepender DEPOIS rsrsrsrs ;)

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    1. Zilma

      Não deixe de ler. O livro é ótimo! São depoimentos de várias mulheres. Não são pessoas idênticas. Cada uma tem uma história pra contar, uma reação diferente à maternidade. E no final das contas vc vai ver que vai se identificar com algumas delas. A maternidade é uma maravilha sim. Mas tem seus transtornos assim como em muitas outras situações da vida! Não sejamos hipócritas! Um dia ou outro vamos sair do salto, vamos nos angustiar… Mas é claro que o ser mãe é maravilhoso! compensa.

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    2. Zilma

      A mulher está sempre muito sobrecarregada, com as tarefas da casa, com o trabalho fora, e o mais importante a tarefa de ser mãe. Sejamos sinceras, não é nada fácil sincronizar toads essas coisas. Em um determinado momento vamos nos abater, nos angustiar, nos cobrar… É inevitável. Vamos nos preocupar com uma doença, uma dor, uma cólica… É isso que o livro traz. Essas experiências de mães que se sentiram perdidas, sem tempo pra si mesmo. O livro é muito bom. Quantas vezes não chorei lendo, vendo que outras mães se angustiaram assim omo eu

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      1. bossamae

        Oi Zilma, realmente não é nada fácil equilibrar todas as nossas funções. Como disse, no início não gostei muito do livro, achei um pouco pessimista, mas no decorrer da leitura a gente quer abraçar cada mãe, dar uma palavra de consolo. Mas achei também que podia mesclar com depoimentos de mães que se sentiram realizadas na maternidade, existem muitas. Eu me sinto uma delas. Não vou negar que tem momentos que dá vontade de sumir, mas são poucos os meus momentos desses. Na maternidade estou encontrando realização pessoal e profissional, algo que nunca imaginei que aconteceria sendo mãe.
        Não tiro sua razão, o livro é bom, só acho que podia ter mais depoimentos do lado bom da maternidade. :)
        Obrigada pela visita e deixe sua opinião sempre. Esse espaço aqui é para isso, para trocarmos opiniões, compartilhar experiências.
        Um super beijo,
        Gabi

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  3. Doce Rotina Materna (@DoceMaterna)

    Ah…eu gostei do livro e até indiquei no meu blog rs! E olha que não queria voltar no tempo não, amo a vida de mãe e de ser casada. Achei o livro engraçado, embora tenha declarações meio exageradas..sei lá, para mim foi uma leitura engraçada mesmo..
    Quanto a ter o segundo eu SEMPRE escuto para não ter tb rs!
    Bjs!

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  4. Pingback: Ter filhos traz felicidade? « bossamae

  5. Pingback: A maternidade é um mito (mas a vida é melhor com filhos) | bossamae

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