31 ago 2012

Livro: Mulher sem script

por
Gabi Miranda

Livros

Logo na introdução, Natércia Tiba descreve a conversa que teve com a editora do livro e fala sobre do que se trata sua obra:

“Os textos expressam justamente isso, esse turbilhão, esse dar conta de tantas coisas juntos, exercer tantos papéis na vida, resolver tudo ao mesmo tempo ainda que tenhamos que fazer um contorcionismo digno do Cirque du Soleil. O que vem primeiro? A mulher moderna? A mãe? A profissional? A enlouquecida? Não sei…O fato é que acredito no livro, acredito que possa geral reflexão e que as pessoas possam se beneficiar com a leitura”.

Natércia acertou em cheio. Trata-se de um livro de crônicas que traz inúmeras reflexões. Primeiro que a autora é psicóloga, então tem muito da sua vivência e experiência como profissional, mas também têm sua reverberação como mulher, esposa, mãe e ser humano. É carregado de emoções. Segundo, traz histórias do universo feminino, situações que nos vemos envolvidas em nosso cotidiano, além das dúvidas, desafios, comportamentos das relações humanas, principalmente familiares.

Do primeiro ao último texto, o livro te acolhe, é como se você tivesse num bate papo gostoso entre amigas, daquelas que você conversa abertamente sobre tudo, sem pudor (ou até mesmo com sua psicóloga). Lendo esse livro me emocionei, chorei, dei risada e várias lembranças foram despertadas.

Nas crônicas “Vivendo a vida por inteiro”, “Foi dada a Largada” e “Desabafo de mãe”, ela relata um pouco os anseios, as rotinas e a recompensadora vida de mãe. Em “A quem ofereço o melhor de mim”, “Os presentes que a vida nos dá” e “Um olhar para apreciar a vida” a autora nos faz pensar na união, no tratamento com o outro, no cultivo e cuidado das relações (com o outro e com o mundo) e estar abertos para receber e doar-se à vida e às pessoas. “O que eu sonhava ser ao crescer” nos faz pensar nos sonhos que tínhamos (para onde eles foram? e quais ainda carregamos?), na importância de sonhar e correr atrás deles.

Além de bem escrito, o livro recém lançado, é lindo. Posso dizer que julgo o livro pela capa, fonte da letra, papel, imagens e tamanho. Em todos os quesitos, o livro está com nota 12. Esse não é de cabeceira (ainda!), estou tão apegada a ele que por enquanto anda comigo na bolsa (e aí a própria autora contou uma curiosidade editorial: eles resolveram fazer o livro nesse formato e tamanho para que coubesse dentro das bolsas das Mulheres sem script. Legal, né?!)

Alguns trechos:

“Não quero pedir permissão para viver, para amar, para sonhar. Não quero ser a dona da razão, muito menos a dona da verdade. Sou dona da minha verdade, do meu mundo, do meu universo. Gosto de convidar as pessoas ao meu redor para passearem no meu mundo. Quem quiser, será bem-vindo, mas que venha sem julgamentos e preconceitos”.

“Ter filhos é uma experiência maravilhosa, contudo também dolorosa. Nos doemos de amor, preocupação, cansaço, frustração, medo…Ter filhos é também um projeto em longo prazo, quando crescem e temos um pouco mais de tranqüilidade, eles vão para a vida. É assim mesmo que deve ser, mas não podemos negar que há uma sensação de esvaziamento, por que, como pais, realmente damos muito mais do que recebemos”.

“…mas o fato de existir um “nós” torna as coisas mais leves…O encontro. Sempre ele, precioso, delicado, fonte de vida e de amor. O “nós”, que nos torna humanos, solidários e cúmplices dessa condição delicada e angustiante de estar no mundo, sozinhos na unicidade, mas juntos, sempre”.

“Por que à medida que a intimidade vai sendo construída, em muitos casos, o respeito e o cuidado vão sendo destruídos?”

“Vale a pena parar para pensar: para quem você oferece o melhor de você mesmo?”

“A parceria emocional deve ser suficiente para que se reconheça que aquela situação é transitória e que é possível abrir mão de si por um tempo para cuidar do outro, por mais difícil que seja”.

“A vida é muito generosa, mas acredito que, para podermos nos beneficiar dessa generosidade, precisamos estar abertos a receber, dispostos a olhar, sentir o mundo usando todos os sentidos…”

“Os pais aprendem a ser pais e os filhos aprender a ser filhos, mas antes de tudo somos humanos, e como tal nos relacionamos, nada somos sem o outro. O eu que atropela o nós pode se sentir bem em curto prazo, mas, na vida, o conforto, o amor, o cuidado e um enorme prazer residem no estar-com-o-outro e não com outro que nos serve, mas com outro que existe para nós com a mesma importância com que existimos para ele. Reciprocidade faz parte da educação e é necessária para o bem-estar individual, familar e social”.

“Ao possuir um olhar que a aprecia, nos tornamos capazes de tirar o melhor das situações e ver o melhor do outro. Favorecemos as relações, incentivamos o bem em nós mesmos e no outro”.


Mulher sem Script
Natércia Tiba
Integrare Editora
ISBN: 978-85-99362-75-4
Ano: 2012
Edição: 1ª
Nº páginas: 208
Brochura
Preço: R$ 35,00
Formato:14 x 19 cm

compartilhe!

1

comente!

Uma resposta para “Livro: Mulher sem script”

  1. […] Coração de Pai 2) A maternidade e o encontro com a própria sombra 3) Mulher sem script 4) Soluções para disciplina sem choro 5) Travessuras de mãe 6) 101 ideias para curtir com seu […]

  2. […] ter conhecimento para poder repassar para nossos filhos. Como disse Natércia Tiba, em seu livro Mulher sem script, “cabe a nós, adultos, resgatarmos o significado de uma data que poderia ser um momento […]

  3. Não sei nem o que dizer…. fiquei mto emocionada! Já valeu ter escrito o livro só por ter esse feedback especial! Muito obrigada pelas palavras, pelo carinho, pelo olhar que teve para o livro e pelo lindo post. Um beijão Natércia

Comente!