26 maio 2015

Meus filhos são do mundo

por
Gabi Miranda

Comportamento, Desabafo, Maternidade

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Lembro do meu medo de perder todas as primeiras vezes e gracinhas do Benjamin. Sentimento cravado no peito quando voltei ao trabalho e o deixei no berçário, aos cinco meses de vida. Perderia cenas clássicas do filme da vida do meu filho e quem assistiria seriam pessoas desconhecidas pra mim que talvez me narrariam os acontecimentos sobre o desenvolvimento daquele ser que eu tinha colocado no mundo. Ouvindo, eu sentiria ciúmes e vontade de chorar por perder momentos ímpares e sentiria meu coração de mãe se quebrar por não fazer parte daquele momento.

A primeira vez que Benjamin engatinhou foi, para minha surpresa e felicidade, na frente da minha mãe. Não senti ciúmes e nem tristeza, pelo contrário. Aquele dia corri feliz para casa, ansiosa para os meus olhos verem o que minha mãe tinha narrado e mais feliz ainda por ter sido com ela, que me narraria tudo detalhadamente, e, principalmente, porque não era qualquer pessoa. Era a minha mãe, avó dele, que tinha Benjamin como seu filho de ouro. E de certa forma era.

Voltando de viagem dia desses, meus pensamentos se perderam na imensidão do céu azul. Benjamin já vai completar 4 anos, outro filho estou prestes a colocar no mundo. O tempo passa. Passará. E quando der por mim, terá passado. Um filho terá 15 anos. O outro 11. Dessa vez, é provável, também não assistirei o segundo filho engatinhar e também não será minha mãe. E eles viverão outras histórias, e, algumas não terão espaço para mamãe aqui. Assim, perderei outras cenas da vida deles. Talvez eles me contem parte dessas histórias, mas sei, muitas coisas não saberei.

Filhos são do mundo

Eles vão crescer, aprender a se virar sozinhos, querer ir às festas sem minha companhia, viajar (e vamos torcer para ligarem para dizer que está tudo bem), trocar experiências que queira Deus eu possa confiar na educação que daremos a eles, chegar em casa de madrugada, vão andar com as próprias pernas, viver coisas que até posso imaginar, mas não farei parte de muitas histórias de suas vidas.

Família do jeito que sou, vai me doer perder a companhia desses seres que sinto, serão pessoas maravilhosas. Pensando nisso tudo, concluo que também fiz minha mãe sofrer. Já sinto o peito apertado e uma imensa saudade dos meus bebês dentro de mim, de tudo o que passou e de tudo o que ainda não vivi com meus filhos – esses que um dia alçarão voo e serão filhos do mundo.

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