12 jun 2017

Minimalismo: o que é importante na sua vida?

por
Gabi Miranda

Comportamento, Destaque, Maternidade

Há algum tempo me preocupo com o consumo exagerado de coisas desnecessárias. Tenho uma história um tanto negativa com dinheiro. Já fui consumista impulsiva e atualmente luto pelo consumo consciente na minha vida. Na verdade, desde que me tornei mãe penso muito nesse assunto. Porque não quero que meus filhos sofram ficando presos numa perspectiva de que bens materiais são importantes para posicioná-los em algum status bacana, baseado no que os outros ou a mídia falam. Semana passada assisti ao documentário Minimalism que nos convida para uma reflexão sobre que coisas de fato adicionam valor à nossa vida. Terminei o documentário com desejo de trazer pra minha vida a filosofia do Minimalism.

Claro que esse é um tema difícil pra mim que vez ou outra me pego consumindo algo que não preciso. Que estou num processo de destralhamento em casa desde janeiro. Que tenho dois filhos – e como é difícil ser minimalista numa casa com duas crianças (eles tem mais brinquedos do que todas as coisas que temos junto em casa). Mas quero tentar.

O que é Minimalismo?

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Minimalismo não é um estilo de vida radical, muito pelo contrário, é um processo de limpeza para simplificar a vida. É uma filosofia de vida que proporciona ao indivíduo, economia financeira, mais tempo livre, qualidade de tempo e relacionamentos. Nos traz, inclusive, mais contentamento e felicidade. Minimalismo é sobre viver com propósito.

Minimalism, o documentário

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minimalism

Ryan Nicodemos e Joshua Fields Millburn, os minimalistas do documentário, viajam juntos para propagar a essência da filosofia do minimalismo – ter coisas que tenham um propósito ou que nos faça feliz e torne nossa vida mais significativa. O foco deles é espalhar uma mensagem que ajude as pessoas a superarem o apetite por mais coisas. Eles começam suas palestras pedindo para que as pessoas imaginem uma vida com menos. Menos coisas. menos desordem. menos estresse. menos distrações. menos dívidas e insatisfação. Depois, para imaginar uma vida com mais tempo. Mais relacionamentos com sentido. mais crescimento, contribuição e contentamento. Segundo Ryan e Joshua, precisamos nos perguntar: isso adiciona valor à minha vida? A resposta precisa ser uma justificativa para nós e não para os outros.

A ideia do minimalismo é iniciar um caminho que nos leve a algum lugar ao invés de dificuldades. Somos materialistas demais e o que acontece em nossas vidas hoje é que as propagandas vendem coisas que não precisamos. A mídia nos diz que os bens materiais são importantes, possuem significados simbólicos que nos posicionam de alguma maneira na sociedade. Se eu tenho o último IPhone lançado, sou categorizada no sistema de status, baseado no que a propaganda e a mídia disseram sobre ele. Ou seja, ter o último modelo do iPhone é status.

Sem julgamento
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(Mas não devemos julgar, há quem tenha o último iPhone, mas que não tenha comprado por status. Porque sinceramente acredito que há gente que não ligue para isso (e falo por mim). E que compre não de uma forma impulsiva e impensada. Há quem compre e não tenha feito dívida para possuí-lo, não deixa faltar coisas básica para família. Ou seja, a aquisição dele não leva a nenhuma dificuldade).

O problema não é o consumismo em si, afinal vivemos num mundo capitalista e precisamos consumir. Mas como e com o que consumimos. Muitas vezes compramos para preencher um vazio dentro de nós. E digo isso pela minha própria experiência, que às vezes compro uma roupa ou um sapato porque estou triste. Acontece que o consumismo não é capaz de preencher o vazio da vida de ninguém. Só contribui para acumularmos muitas coisas desnecessárias. O que preenche mesmo nossas vidas é termos as necessidades básicas atendidas, porque o restante, depois, percebemos que não nos faz falta.

Minimalismo e maternidade

Nossos filhos estão nos observando e como disse no início desse texto, acho um desafio levar uma vida minimalista quando se tem filhos. Mas não é impossível. O documentário Minimalism, tem uma entrevista com um casal cuja família tem um formato bem parecido com a minha (e de várias no mundo): mãe, pai e dois filhos. Num mundo em que a identidade de uma pessoa não é mais definida pelo que ela fez, mas pelo que ela possui, a filosofia minimalista ajuda nossos filhos serem capazes de se tornarem o que eles mais querem, em vez do que o mundo tentará convencê-los a serem.

Adorei refletir sobre isso e foi uma das coisas que mais me atraiu na filosofia. Pensar que posso ensinar meus filhos a viverem com menos. E serem mais felizes com o que possuem. Principalmente, com o que se tornarem como indivíduos. 😉

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