29 ago 2016

Não sinto falta da minha vida antes da maternidade

É um tal de “filho cansa, não consigo ser a mãe que quero, estou exausta, sinto falta da vida sem filhos” e por aí vai… Não discordo de nada disso, mas não sinto falta da minha vida antes da maternidade

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Confesso, tenho meus momentos de baixo astral, mas prefiro sempre ver o lado bom da vida, seja ela materna ou não. Não sinto falta da minha vida antes da maternidade. Acho que tudo vivido antes dos filhos foi demais e aproveitei na intensidade necessária para deixar lembranças agradáveis, tanto que só tenho boas lembranças. Eu não trocaria nada nessa vida para voltar no tempo, não sinto saudade a ponto de me lamentar.

O contraditório disso tudo é que nunca me imaginei casada e com filhos. Sempre achei que essa tal de maternidade não era pra mim. Eu sonhava em desbravar o mundo. Mas a vida é muito louca e toma rumos inexplicáveis. E hoje eu não imagino a minha vida sem filhos. Casei com um cara que conheci num desses encontros às escuras. Quase isso. Eu trabalhava numa assessoria de imprensa que atendia a empresa para qual ele trabalha. Então nos falávamos todos os dias por telefone e e-mail, até que um dia ele começou a me chamar para sair. A história é longa… resumidamente, ao vê-lo, por nenhum segundo passou pela minha cabeça que viveríamos tudo o que já vivemos juntos. Nosso encontro virou uma paixão, que se transformou em amor e quando vimos não tínhamos mais para onde fugir, não adiantava resistir. O amor foi crescendo, crescendo, crescendo e… transbordou. Transbordou em forma de filhos. Estamos indo para um casamento de 8 anos. E quando olho para trás não consigo sentir falta da minha vida antes dele e de nossos filhos.

Somos uma família como qualquer outra. Às vezes brigamos. Perdemos a paciência um com o outro. Respondemos atravessado. Eu e marido. Marido e Eu. Eu e Benjamin. Benjamin e Marido. A Stella ainda não briga, mas exige nossa atenção e paciência. Filhos exige  sim outro tipo de responsabilidade e postura da nossa parte. Faz parte também do nosso crescimento e amadurecimento. É cansativo. Assim como era cansativo ir para balada, beber todas, voltar pra casa sabe lá que horas, acordar de ressaca. É claro que a chegada de um filho transforma a vida e nos traz diversos medos e dúvidas. Uma delas é em relação a quando a vida voltará ao normal. Hoje, com dois filhos, começo a achar que não volta. Na verdade entra em outro tipo de normalidade. Por muito tempo a gente não consegue realizar as coisas que fazíamos com tanta tranquilidade. Com o tempo, criamos habilidades incríveis.

Tenho momentos em que quero fugir e no minuto seguinte to pensando “como levo todos eles juntos?!”. Não consigo imaginar viver sem aquela bagunça carnavalesca de brinquedos espalhados pela casa, centenas de roupas para lavar, tudo fora do lugar, escorredor da pia sem mamadeira, casa sem filmes infantis, sem copo de criança e pior ainda, sem ouvir milhões de vezes aquela vozinha pronunciando a palavra mais poética (e irritante) do mundo…. MÃE! A maioria dos confrontos que tenho com relação à maternidade estão ligados com algum desacordo de interesse pessoal. Para citar algo simples, como quando quero que a Stella durma para que eu possa escrever um post e ela não dorme nunca, mesmo cansada, tá lá ligadona e eu em tentativas desesperadas para que ela durma. Não vai dormir. Eu sei que não vai. O melhor a fazer é não entrar em embate e aceitar que vou precisar fazer o que quero outra hora. É difícil ser mãe? Sim, mas em qualquer hipótese, cansada ou não. É difícil porque requer habilidades que não imaginamos ter e porque vivemos esses conflitos de interesse. Porque achamos que o problema está sempre no bebê que exige demais, e não no nosso trabalho, na falta de grana, nosso emocional, nossos problemas reais. Nos esquecemos que tudo é uma fase, inclusive essa dos filhos pequenos. Sim, isso também vai passar.

Acho triste quando vejo infelicidade com relação à maternidade. As “desculpas” são infinitas. E admiro quem assume, numa sociedade autoritária como a nossa, o desejo de não querer se ter filhos. Porque ter filhos é vida louca e acho que ninguém deve pagar pra ver e se pagar não deve ir com muita sede ao pote. É aquele tal negócio, é difícil, mas se fosse fácil todo mundo faria. Já diz o ditado “ser mãe é padecer no paraíso” e eu só fui entender isso depois que Benjamin nasceu.  Não tenho dúvidas do quanto a maternidade me transformou. Desenvolveu em mim algumas capacidades como ser mais resiliente, ter mais empatia, mais paciência, tolerância, ser dura, mas sem perder a ternura. Ensinou-me sobre me doar ao outro e a superar meus medos e limites. Por isso e diversos outros motivos, não sinto falta da minha vida antes da maternidade. Não consigo imaginar minha vida sem o marido e as crianças do jeitinho que eles são. Em nossa vida tem muito mais senso de humor, alegria, felicidade. Juntos eu sinto que podemos enfrentar qualquer perrengue. Basta estar longe deles para lembrar do sorriso ou gesto de cada um para notar que não consigo ficar séria, um sorriso logo estampa meu rosto. São nesses instantes que eu vejo o quanto é precioso tê-los em minha vida, o quanto quero que estejamos juntos em todos os momentos, porque agora que experimentei o sabor da vida com filhos, nada tem significado se não for compartilhado com eles. 😉

 

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2 respostas para “Não sinto falta da minha vida antes da maternidade”

  1. cintia2308 disse:

    Muito lindo seu texto. Faço minhas as suas palavras. A maternidade é enriquecedora e muda a gente para sempre. Mas tem TANTA felicidade envolvida. Também não sinto muita falta, viu?

  2. Já eu sinto bastante saudade da vida pré maternidade. Pensando aqui, talvez não sinta falta da vida antes do meu príncipe (ficamos casados 8 anos antes de resolver ter filhos). Mas é claro que isso não significa estar arrependida! O luto da Talita de antes de ser mãe já foi bem digerido. Mas tenho saudade, sim 🙂

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