27 out 2014

O que levam as mães pararem de trabalhar fora?

por
Gabi Miranda

Comportamento, Maternidade

Esse é um tema recorrente em minha cabeça desde o início do ano. Penso que começou quando uma das minhas melhores amigas confirmou que pararia de trabalhar para dedicar-se a família. Já sabia da sua ideia desde 2013, mas a confirmação ao mesmo tempo que me deixou orgulhosa por ela, me trouxe algumas dúvidas, entre elas a mais cruel: que tipo de mãe eu sou? Porque nunca pensei nessa hipótese, em parar de trabalhar para cuidar dos filhos, marido, casa. Acho uma das escolhas mais difíceis de se fazer e sinto certa admiração por mulheres que tem essa coragem. Mas eu não teria.

Não abriria mão do conforto e regalias que de certa maneira meu salário proporciona não só a mim, mas a minha família em geral. Não há como negar: trabalhar fora/ter renda fixa colabora para realização de alguns desejos: viagens, passeios, refeições fora de casa, a compra de um apartamento, um bom plano de saúde, roupas, bolsas e sapatos…sejam eles supérfluos ou não. Não me imagino pedindo dinheiro ao marido para comprar algo ou tendo que dar satisfação de como gastei a verba. Claro que mesmo tendo minha renda, existe uma sincronia financeira conjugal, mas existe também certa liberdade e independência de como e quando gasto o meu dinheiro.

Por outro lado sinto falta de passar mais tempo com Benjamin e de fazer outras coisas inteiramente com ele. Quando digo inteiramente, é estar focada completamente nele. E não junto realizando outras atividades ao mesmo tempo: cozinhando, ao celular, organizando a casa, etc. Outro dia li o texto O que faz uma família Montessoriana, no qual o item 2. Famílias Montessorianas escutam, vêem e observam as crianças, define muito bem o meu desejo: ter períodos livres no dia para realmente viver junto, escutar com atenção, ver com amor, observar com cuidado. Lindo isso. Mas quase impossível para pessoas que trabalham de segunda a sexta, sai de casa às 6:40 e chega às 20:30. Existe o final de semana no qual você tem que fazer todo o resto como cuidar da casa, preparar menu semanal, fazer supermercado, etc. O tempo que sobra é muito curto.

Admito que peco nesse sentido. Porque não uso o tempo que me resta devidamente, mas também porque o tempo que sobra é o mesmo tempo que tenho para fazer as obrigações diárias. E aqueles breves momentos dolce far niente – afinal, a vida não é feita só de maternidade, embora 99% seja. Aliás, ao mesmo tempo que o amor que sentimos pelos filhos é infinito e maravilhoso e esplêndido, também é uma coisa de louco, porque você quer passar mais tempo com eles e tem horas que quer sumir ou prefere ir trabalhar no escritório a ter que ficar em casa, cuidando dela e das crianças.

Atire o primeiro chocalho quem nunca. Então, a vida fica dividida em 99% maternidade e 1% para si próprio. Quando leio um texto como esse citado acima, que me faz refletir sobre se os olhos do meu filho brilham, penso se os meus estão brilhando também. Acredito que são vários os motivos que fazem uma mãe parar de trabalhar. E imagino que a maternidade, assim como a vida, deve ser reinventada a cada momento que acharmos necessário.

Por isso, penso que ser mãe ou pai é um ato de coragem. Você vive tendo que fazer escolhas – por você e pelos filhos. Lembrando que é o único responsável pelas decisões tomadas.

Leia também: a história da Patricia que parou de trabalhar fora para se dedicar mais aos filhos

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2 respostas para “O que levam as mães pararem de trabalhar fora?”

  1. […] Leia também: o levam as mães pararem de trabalhar fora? […]

  2. […] exclusivamente da família, embora quisesse ter mais tempo para isso. Dia desses postei o texto o que levam as mães pararem de trabalhar fora e aí surgiu a ideia: ao invés de entrevistas porque não depoimentos de mães com essa […]

  3. Gabissssss,
    Lindo seu texto e coincide com o meu momento de reflexão. Escrevi um desabafo na semana passada exatamente sobre isso. Se conseguir, dá uma lida. Queria ouvir a sua opinião. Eu fiz esse percurso. E, hoje, com filho grande, adolescente, e outro que daqui a pouco também estará na mesma fase, posso te dizer que nunca foi uma escolhida bem resolvida. Brinco ao dizer que a pior desgraça para as mães foi a revolução feminista! Nos trouxe a liberdade e sair para sermos o que quiséssemos, mas não trouxe a mudança biológico dos homens, fazendo com que eles engravidassem. Assumimos funções dele. Eles assumem funções nossas, mas não engravidam. Ainda e será estará na nossa (mulher) conta (corpo, mente, alma, culpa) o destino da humanidade. E tem um momento na vida que queremos mais e em outros, menos. A escolha é dura e difícil e incerta. Fácil é escolher candidato, time de futebol e até religião. São escolhas sem drama nem culpa. Duro é escolher entre viver em casa com filho e fazer algum trabalho ou viver a jornada dupla fora de casa. Tenho momentos de tranquilidade que são seguidos de profunda insatisfação. A vida dentro de casa é dura, ininterrupta, cansativa e solitária. Estava conversando com uma amiga e dizendo que não me conforto em um dia querer dormir até 7h30 (veja bem 7h30) e não poder porque nesse horário já estarei atrasada. Minha vida é regrada e cheia de horários. É uma rotina massacrante igual quando eu trabalhava fora de casa. Quero uma vida menos acelerada para fazer exatamente isso que você escreveu: ser completamente dos meninos. Não sei se te consola, mas no meu dia a dia, posso dizer que consigo muito pouco.
    Beijos e vamos seguindo porque o relógio cobra a nossa vida.
    Patricia

  4. Lele disse:

    Eu também não me imagino abrindo mão de tantas coisas que o trabalho me proporciona para ficar “só” em função deles.
    Embora minha rotina seja super adaptada a eles, a medida que crescem a demanda muda e o tempo é diferente.
    beijos
    Le

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