24 nov 2015

O segundo filho é mais fácil?

por
Gabi Miranda

Desabafo, Destaque, Maternidade

A pergunta mais frequente que me fazem agora é essa: o segundo filho é mais fácil?

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Alguns dizem que sim. Eu acho que nem tanto. Algumas coisas são mais fáceis e só precisam novamente pegar a prática, como segurar um recém-nascido, fazer dormir, trocar fralda, dar banho, essas coisas. Tem também coisas que fazíamos no primeiro que deixamos de fazer no segundo, isso é verdade (!), como ferver a chupeta todas as vezes que ela cai no chão de casa, medir temperatura da água do banho com termômetro, usar apenas a melhor marca de fraldas, limpar o bumbum só com algodão até os 4 meses… Com o segundo filho meio que já sabemos que não fará mal algum ouvir mais a nossa intuição do que seguir à risca a orientação do pediatra, estamos prontas para as etapas que estão por vir, mesmo sabendo que um filho é diferente do outro. Estamos um pouco mais calejadas, experientes e menos melindradas.

Eu diria que é difícil por outros aspectos. Com a chegada do segundo filho temos menos tempo para tudo e nesse tudo está uma pessoa importante, o primeiro filho. Então surge a danada da culpa. E o que é a culpa? É aquela bendita sensação que atormenta a nossa mente quando não temos claro dentro de nós se estamos fazendo a coisa certa. O tempo que é agora do caçula está sendo roubado do primogênito. Então surgem as birras do primeiro filho e vivemos nos questionando: será que estou dedicando tempo suficiente a ele? Será que estou em falta em alguma coisa? Será que ele sabe que o amo? Por mais que façamos, não sabemos se estamos fazendo a coisa certa, nem como fazer. Toda noite, ao deitarmos a cabeça no travesseiro é essa tormenta. Vivemos uma batalha interna permanente.

O segundo filho também nos permite viver com mais plenitude a maternidade, no sentido de aproveitar mais alguns momentos, pois já sabemos que eles passam mais rápido do que imaginamos. Não damos ouvido para conselhos furados como “você está dando muito colo a esse bebê, ele vai ficar mal acostumado”. Então, ficamos muito mais grudadas ao segundo filho, ficamos horas com ele no colo, compartilhamos a cama, penduramos nosso nariz no cangote dele. Porque já sabemos que eles crescem rapidamente, deixam de caber na nossa cama, no nosso colo e o cheirinho – apesar de continuar sendo bom – já não é o mesmo de bebê. Você acaba tendo um apego diferente até porque esse pode ser seu último filho. E com isso surgem mais crises maternas. Será que apego demais é bom?

E como ainda estou de licença maternidade, me pego pensando como será a vida depois, quando voltar a trabalhar. Sim, porque a vida já era corrida com um filho, com a chegada do segundo filho fica corrida ao quadrado. E a vida real é formada por trabalho, casa, marido, lado pessoal, família. E tudo isso se transforma. Muda rotina, orçamento familiar, organização do tempo. E se temos menos tempo pra tudo, quem dirá para nós. Será que um dia voltaremos a ter tempo para fazer outras coisas como sair com as amigas, ir ao salão de beleza, ler um livro, fazer aquele curso que adiamos fazer porque estávamos planejando engravidar?

A dúvida que nos assombrou quando primeiro filho nasceu, volta a nos apavorar: será que vou dar conta de tudo?

Outro dia li o depoimento, sobre esse assunto, da Polyana Pinheiro, no Mães Amigas, no qual ela dizia: “de início ter o segundo filho não é mais fácil, mas ser mãe do segundo é”. Achei ótima resposta para os próximos que me perguntarem “e aí, o segundo filho é mais fácil?!”. Ainda estou só no início dessa vida de mãe de dois. Por enquanto, eu diria que não, o segundo filho não é mais fácil, mas ser mãe do segundo é! E ser mãe de dois, apesar das dificuldades, é absurdamente maravilhoso 😉

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0 resposta para “O segundo filho é mais fácil?”

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  2. […] Há 4 dias sentei e resolvi registrar essa passagem sobre a amamentação da minha filha. Nem posso falar que não consigo amamentar, pois sigo amamentando. Porém, tem sido um esforço diário. Tem histórias tristes de pessoas que tentaram de tudo, com problemas até sérios que impossibilitam a amamentação. Mas como é perceptível, essa história ainda não está bem resolvida dentro de mim, tanto que sigo amamentando Stella sem complementar com fórmula durante o dia e até madrugadas quando vejo que o peito está cheio. Hoje é o primeiro dia da adaptação dela no berçário, outro dia que marca as nossas vidas e, consequentemente, interfere na amamentação. Juro, ainda não sei como farei, ainda estou sofrendo, mas estou tentando viver um dia materno de cada vez. Tudo isso só vem confirmar que o segundo filho não é tão fácil como parece ser. […]

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