10 abr 2017

Precisamos melhorar o modo como nos tratamos e cuidamos um do outro

Precisamos melhorar o modo como nos tratamos

Precisamos melhorar o modo como nos tratamos e cuidamos um do outro

A Netflix lançou no primeiro final de semana de abril, a série 13 Reasons Why ou Os 13 Porquês , inspirada no livro homônimo do escritor Jay Asher. Ambos contam a história de Hannah Baker, uma garota de 17 anos que, com os seus pais, está iniciando uma vida nova em uma nova cidade. Hannah é uma adolescente comum, bonita e que como todos quer ter amigos e ser feliz. No entanto, muitos dos seus colegas a magoam. Alguns sem se dar conta do quanto suas atitudes podem prejudicar. Outros a magoam com crueldade.

Então ela começa a sofrer bullying na escola e começa a sentir medo, a se isolar e se sentir mal. Ela tem apenas um amigo, o Clay, também um grande admirador seu, porém tímido, por quem ela começa também a se sentir atraída. No entanto, ele não é motivo suficiente para impedí-la do suicídio. Ao voltar para casa, Clay encontra um pacote com 13 fitas cassete. Ao começar a ouví-las, Clay e até nós expectadores, ficamos desnorteados

Quem fala aqui é Hannah Baker. Ao vivo e em estéreo. Sem promessa de retorno. Sem bis. E desta vez, sem atender aos pedidos da plateia. Espero que vocês estejam prontos, porque vou contar aqui a história da minha vida. Mas especificamente, porque ela chegou ao fim. E, se estiver escutando estas fitas, você é um dos motivos.

A série desperta um vulcão de sentimentos

E aí, caro leitor, você começa a devorar a série sem querer parar. Assisti todos os episódios em 3 dias. E quando acabei o último episódio, num avião, me senti sufocada, com vontade de gritar e só conseguia pensar numa coisa: o pior que isso tudo é realidade. Quantas “Hannah’s” não existem no mundo? A série choca, abala, causa sentimentos contraditórios. Eu chorei em vários episódios com a mãe de Hannah, com a própria adolescente, com o Clay. Senti raiva da escola e daqueles profissionais que não encaravam o que de fato acontecia embaixo do nariz deles. Senti ódio do conselheiro que, procurado por Hannah para falar de seus interesses universitários, disse para a garota que os sonhos dela eram irrealistas. Oi?! Quem tem direito de falar isso para uma pessoa, principalmente para um adolescente cheio de vida, sonhos, planos…?

É uma história que trata o suicídio, a fomentação da cultura ao desrespeito às mulheres, o estupro, a culpa, as relações humanas e como nós estamos cada vez mais potencializando à falta de cuidado com o outro. Não mensuramos mais as palavras, não pesamos as consequências dos nossos atos, quando deveríamos tomar cuidado para não tomar decisões ruins que prejudiquem outras pessoas. O seriado escancara a realidade na nossa cara, ninguém se ajuda. E ainda machuca o outro. E pra piorar, além da sociedade ser assim toda torta, é totalmente despreparada para lidar com todas essas questões humanas.

É um soco no estômago

O seriado traz tantas reflexões… E acredito que choca porque ou o espectador já passou por alguma experiência parecida e traumatizante. Ou conhece alguém que já passou. Ou se coloca no lugar. Ou porque tem filhos. E se dá conta que é tudo real. Diariamente essas coisas acontecem próximo da gente. E pode acontecer com nossos filhos. Eles podem tanto ser a vítima quanto o agressor. Porque tem isso também, muitas vezes a gente está praticando aquilo que a gente condena. É muito tênue a linha entre o certo e o errado.

Às vezes, coisas acontecem com você, com o vizinho, com seu colega de trabalho, da faculdade, com seu filho. Certas coisas simplesmente acontecem sem que possamos evitar. Mas podemos escolher o que fazer depois desses acontecimentos. E é o que você faz depois que conta, como explica Hannah na fita do capítulo 10. Não é o que acontece que te define, mas o que você decide fazer a respeito. Há de se tomar cuidado com as nossas escolhas, tais como acobertar algo ou alguém, ficar próximo de quem pratica comportamentos idôneos, mentir, silenciar… porque você pode prejudicar o outro. Além de se prejudicar também.

Já pensei diversas intenções da série ao abordar tantos assuntos conflituosos. Imagino que a maior finalidade é intimar a sociedade para refletir sobre o bullying. Com sutileza, ela manda o recado no último episódio, se não me engano, quando Clay dispara:

Precisamos melhorar o modo como nos tratamos e cuidamos um do outro.

Pessoas do mundo inteiro já assistiram o seriado 13 Reasons Why . Espero que o mundo fique melhor após ele.

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