18 nov 2013

Qual o segredo dos pais franceses?

por
Gabi Miranda

Livros

livro crianças francesas

Quando comecei a ler “Crianças Francesas não fazem manha” me identifiquei de cara. Primeiro porque os pais franceses não se ajustam à chegada do bebê, acontece justamente o contrário. Aqui em casa tratamos de fazer o Benjamin se acostumar com barulhos, luz, inclusive com os ambientes que frequentávamos – desde cedo ele nos acompanhou para todo canto, claro, sempre com muito bom senso.

Segundo, porque as crianças francesas dormem a noite inteira a partir de seis semanas de vida. Benjamin levou exatamente cinco semanas para passar a dormir a noite toda, sem interrupções. Dormia por volta das 22:00 e acordava só às 9:00 para mamar. Mas no primeiro mês senti na pele o que todas as recém mães sentem.

Além disso, aprendi e passei a aplicar desde cedo a pausa – como chamam os franceses. Mas não foi uma técnica que aprendi lendo algum livro, foi na prática mesmo. Quando ouvia Benjamin resmungar, dar um suspiro ou até mesmo choramingar, não saía correndo para acudi-lo. Eu esperava um tempinho antes de atender ao seu chamado. Isso porque muitas vezes o bebê pode estar dormindo ou voltar a dormir sozinho – geralmente eles fazem mesmo muitos movimentos enquanto dormem.

Os pediatras franceses acreditam que é preciso dar a chance do bebê se acalmar sozinho. No primeiro mês de vida do Benjamin, falei à pediatra que estava difícil fazê-lo dormir no berço, toda vez que o colocávamos lá, ele acordava e começava a resmungar e até chorar. A dica dela foi exatamente essa: não atender ao chamado dele imediatamente. Indicou o seguinte exercício: deixar ele reclamar por 5 minutos e atendê-lo; depois só atendê-lo após 10 minutos e assim ir aumentando o tempo. É claro que não deixava ele berrando por mais de 10 minutos (sou totalmente contra deixar a criança chorando até pegar no sono), mas em muito pouco tempo, isso foi fundamental para ele aprender a esperar e eu entender que nem sempre precisava intervir.

“Outra razão para fazer a pausa é que os bebês acordam entre seus ciclos de sono, que duram por volta de duas horas. É normal que chorem um pouco quando estão começando a aprender a conectar esses ciclos. Se a mãe ou o pai automaticamente interpreta esse choro como fome ou sinal de incômodo e corre para acalmar o bebê, ele terá dificuldade em conectar os ciclos sozinho. Ou seja, ele precisará que um adulto vá acalmá-lo até voltar a dormir ao fim de cada ciclo.”

É claro que muitas vezes a criança está precisando ser alimentada ou de colo. Mas só saberemos isso, se dermos essa pausa para observar a necessidade do bebê. Assim como os franceses, acredito que um bebê seja capaz de aprender e acho que é por isso que sempre recebemos o conselho de conversar com o bebê e explicar todas as ações que faremos com eles. E se eles entendem, desde cedo precisam lidar com certas frustrações. Na França, ensinar a frustração ao filho é primordial entre os pais franceses.

Eles acreditam que isso ajuda as crianças a se tornarem adultos mais flexíveis e que os filhos serão prejudicados se não conseguirem lidar com as frustrações, encaram isso como uma lição de vida e acham que são negligentes se não transmitirem essa lição. Esperar faz parte desse processo. Os franceses acreditam que “sempre atender às exigências dos bebês/crianças e nunca dizer ‘não’ é perigoso para a construção da personalidade”. Se crianças aprendem a esperar  desde cedo, aprendem também a terem paciência.

Mas foi só até aqui que me identifiquei (ha!).

Teve pontos com os quais não concordei, como por exemplo, com o fato das mães franceses não se importarem em amamentar. Achei isso extremamente triste. Na França, a amamentação não é estimulada, então os bebês tomam fórmulas desde muito cedo, não me lembro exatamente, mas coisa de a partir de um mês de vida. E as mães que amamentam são vistas como se estivessem fazendo além da sua obrigação. Achei isso um absurdo desconcertante… 

Mas no decorrer do livro, pude aprender um pouco mais sobre educação e limites que até tem sintonia com minhas crenças, mas que não praticava (pretendo dar mais atenção para esses pontos). Porém, até chegar nesse ponto, tive que me despir de julgamentos e encher de coragem para continuar a leitura.

(para não ficar cansativo, esse post continua amanhã…)

*

Leia também os Termos franceses relacionados à educação dos filhos.

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2 respostas para “Qual o segredo dos pais franceses?”

  1. […] Qual o segredo dos pais franceses (parte 2) […]

  2. […] 2. Crianças Francesas não fazem manhã […]

  3. Bossa Mãe disse:

    […] de ler. Eu já tinha lido “Crianças francesas não fazem manha” (e falei do livro AQUI e AQUI, da mesma autora, a jornalista Pamela Druckerman). Quem conhece, sabe que ela foi morar na […]

  4. Carina disse:

    Ei Gabi, achei bem interessante o negócio do sono noturno.
    Estou achando ainda bem complicado colocar uma rotina para o Heitor dormir….não sei se começo desde já, ou se espero fazer 3 meses.
    Fato é que seria meu sonho ele dormir a noite toda, rsrsrs.

    Bjos!

  5. Julia disse:

    Gabi!! Td bem? 🙂 Quando vi que tinha feito o post vim correndo ler! 🙂 nos identificamos com as mesmas coisas (vou escrever sobre o livro ainda. Rs), mas confesso que nao me incomoda a questao da amamentação. Eu realmente gostaria de ter amamentado mais o Lucas, mas nao fico incomodada em saber que tem gente que nao amamenta por opcao. 😉
    Uma das unicas – e principais – coisas com a qual nao me identifiquei é com esse desapego a td referente à criança. Eu realmente gosto d ter meu tempo sozinha e tb com meu marido. Mas eu amo dedicar tempo ao Lucas, seja para brincar com ele, ver tv junto, levar na pracinha e fazer parte da brincadeira (se nao tiver outras criancas p brincar). Neste sentido, pelo contrario, sou bem apegada! Rs beijosss! Como sempre, adorei o post!

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