04 fev 2016

Tempo: as reflexões de uma mãe

Tempo, tempo, tempo…

reflexão

Haverá um dia em que vocês não mais encontrarão os brinquedos pelo chão.

Essa frase foi dita pela professora, na formatura da Luna, filha da minha amiga Rose, do blog Vida de Mãejestade. Desde que li, em dezembro,  ela norteia meus pensamentos. Eu vinha refletindo muito sobre as coisas que vou demorar um pouquinho para fazer, agora com uma bebê tão novinha, das viagens que eu e marido não faremos tão cedo sozinhos, da casa sempre bagunçada com coisas de criança espalhadas por todos os lados, as noites mal dormidas, da dor nas costas, das manhas, das bolsas a preparar todas as noites, os choros, das 22985637 vezes que escutamos a palavra “mãe” diariamente, da falta de tempo para um banho longo, para uma leitura, para dormir mais um pouquinho, da preguicinha que dá em fazer algumas coisas com dois filhos.

Pensamentos que contradiziam com outros. Como a velocidade implacável do tempo. Tem todas essas coisas (e muito mais) citadas acima, mas tem também o fato de que é muito gostoso ter filhos e as crianças crescem rápido demais. Outro dia mesmo, Stella era uma RN e eu chorava porque estava achando que não daria conta de passar sozinha pela licença maternidade. Chorava porque ela só queria dormir comigo na cama (e eu com ela), porque queria colo 101% do tempo e eu tinha medo que isso fosse para sempre. Quanta ingenuidade (!), nem parecia mãe de segunda viagem. Não sei em qual momento, mas havia me esquecido que tudo aquilo passaria, era só uma fase. Pois logo Stella descobriu que era mais confortável dormir em seu espaço. E eu descobri que precisava aproveitar mais cada segundo com ela. Lembro de acordar uma madrugada para atendê-la. Levantei reclamando e ao aninhá-la em meus braços e colocá-la no seio para mamar, algo iluminou minha mente como uma mensagem que dizia “isso também vai passar”.

Eu me libertei. Antes mesmo disso eu fazia que dizem por aí “mal acostumar o bebê”. Adote o nome que quiser, pra mim a definição correta é aproveitar mais o tempo com o meu bebê. A partir daquela madrugada prometi que não reclamaria mais. O tempo passa rápido demais, não volta atrás, mas restitui o período sem filhos. Pois os filhos crescem e vão para o mundo, vão viver suas vidas. Em algum momento chega a hora deles voarem e então a casa ficará vazia, não encontraremos os brinquedos pelo chão. Volta o medo de ficar sozinho, o silêncio, a falsa paz de espírito. Felicidade mesmo é viver com a casa bagunçada, ao som de gargalhadas, vozes e chamados ininterruptos de crianças. Ser observada por olhos transbordados de amor por alguém que não enxerga seus defeitos. Amamentar, carregar no colo aquele pacotinho com cheirinho único, ninar, viajar em família, dormir juntinho…

Ah, o segundo filho…ele nos dá mais maturidade. Você já enxerga as conquistas do filho mais velho sem tanto pesar, já não quer mais pausar o tempo, sente orgulho de vê-lo crescer simplesmente porque é lindo isso acontecer. O segundo filho te traz mais discernimento, equilíbrio para tomar as decisões mais assertivas, diminui nossa ansiedade, nossa urgência de mãe e te afirma o quanto o tempo é preciosíssimo. Você já não fica mais preocupada em mimar de mais ou de menos, pois sabe que os anos passarão, os filhos crescerão. De repente todos aqueles pensamentos lá do início do texto se evaporam porque você sabe que tudo isso vai passar. O ideal mesmo é não ter pressa, não passar correndo pelas experiências e circunstâncias que mais podem nos transformar. 😉

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