31 mar 2017

Sobre dar exemplos

por
Gabi Miranda

Destaque

Quais exemplos você dá para seus filhos?

Imagem Google

Dia desses, recebi por engano algo (gostoso pra caramba) que era para outra Gabi. Percebi a confusão e não cheguei a pensar: e agora, vou comer ou vou avisar? Avisei. Combinamos que eu deixaria na portaria para que pudessem retirar. Um horinha depois a pessoa me contatou dizendo que eu podia ficar com o presente alheio, pediu-me outro favor e agradeceu imensamente por eu ter avisado. Mas agradeceu muito mesmo. Agradeceu demais. Por eu ter avisado e por ser tão querida.

Oras, como assim? Meu peito até estufou de alegria. Pela gratidão da moça, por eu ter ganhado um presente por acaso, que nem era pra mim. Mas ela não tinha nada que agradecer tanto. Porque é assim que tem que ser. Eu estava só fazendo o meu dever como cidadã. Só estava exercendo a educação e exemplos que recebi da mamis. Se não me pertence, devolvo. Pra mim é algo natural.

Aí fiquei pensando. Sou dessas, né? Tudo vira uma grande reflexão na minha cabeça. Vivemos num mundo onde alguém devolve ao dono o dinheiro que achou na rua e isso vira uma grande notícia no telejornal. Olha que cara honesto!, pensamos. Precisamos de mais exemplos assim. Era o mínimo que as pessoas deveriam fazer, mas não fazem e quando um faz, o que era para ser comum se torna uma preciosidade.

Outro dia mesmo, nas redes sociais, alguém se mostrava ofendido porque tinha saído pra dançar, tomou algumas cervejas e na hora de ir embora, foi parado numa blitz e teve a carteira apreendida. Como a polícia faz isso com um cidadão honesto, direito, que só saiu para dançar e beber? Por que a polícia não vai prender ladrões? Oi?! Se beber, não dirija, lembra? A pessoa está infringindo uma lei, porque não é ladrão não pode pagar pelo seu erro? Temos vários exemplos negativos sobre quem bebeu e dirigiu. No Brasil, o normal é o errado.

Como deveria ser?

Muitos problemas seriam eliminados se ao invés das pessoas usarem recursos como mentir, ofender, inventar, caluniar, negligenciar, não pagar, dar o jeitinho brasileiro, optassem sempre pela transparência. E como deveria ser? Minha mãe me ensinou da seguinte maneira. Se pegar emprestado, devolva. Se achar algo, procure saber quem é o dono para devolver. Se te confiarem um segredo, guarde. Se te ofenderem, afaste (ou ofereça o seu melhor). Se dever, pague. Se errar, peça desculpa. Se te olharem de cara feia, sorria. Acordou, agradeça. Na dúvida, não faça. Se está atrasado, avise. Se quebrou, conserte. E vários outros exemplos.

Pra mim é fácil desse jeito. É como tinha que ser no mundo inteiro. É como acontece na minha vida, dentro da minha casa. Porque tenho dois filhos e só consigo pensar que devo dar o exemplo para eles.

Leia também: Patrimônio para os filhos: gentileza, generosidade, educação

 

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Uma resposta para “Sobre dar exemplos”

  1. Só tenho uma coisa a dizer sobre esse texto: PERFEITO! E ponto final.

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