15 jan 2016

Sobre medo, dinossauro e coragem

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2015. Crédito: Pixar/Divulgação. Férias na telona. Filme O bom dinossauro.

 

Eu tenho medo“. Confessou-me Benjamin.

Mas você tem coragem“. Afirmei.

Tenho“.

Você sabe o que é coragem?”, questionei.

Ué, é quando a gente tem medo, mas vai e faz“.

Benjamin tem apenas 4 anos, mas às vezes é como se eu falasse com um pequeno sábio. Parece-me ousado em suas teorias e cauteloso demais em suas ações. Vejo nele uma característica que sempre tive: medo. Dar pulos mirabolantes do sofá ou da cama para o chão, é com ele mesmo. Mas se aventurar nos brinquedos de um parque, nem pensar. Balanço, trepa-trepa, gangorra só sentiram o calor das mãos e a insegurança de Benjamin. Como mãe fico sempre na dúvida se devo encorajá-lo ou obrigá-lo a fazer algo que sente medo, para ver se ele enfrenta.

Não tem problema sentir medo, a verdade é que precisamos senti-lo, por razões até de sobrevivência. O reflexo do medo nos paralisa em determinadas situações, o que de certa maneira é ótimo, afinal, sem medo, teríamos todos uma vida louca, imbecil e quiça curta. Imagina, se toda criança não sentisse medo e saísse por aí colocando a mão na jaula de um tigre. Precisamos do medo para nos proteger dos perigos. Seja criança ou adulto, o medo sempre vai existir, algumas vezes mais forte, em outras nem tanto.

Se morderem sua cara e você não sentir medo, você não está vivo“, é com essa mensagem direta que um dinossauro avisa Arlo – O Bom Dinossauro – que todo mundo sente medo. Parece estranho um Dinossauro sentir medo, mas ao que tudo indica até eles sentem. Arlo sente medo exagerado diante de qualquer adversidade, enquanto seu pai, Poopa, se demonstra preocupado. Ele tenta ajudar o filho a sentir mais confiança em si e lhe passa uma tarefa: capturar a criatura que tem roubado a comida da família. Se o filho conseguir isso, consegue provar para todos a sua coragem e ganha a admiração de todos. Mas Arlo falha em sua missão e a partir daí vários obstáculos surgem na vida do Bom Dinossauro que se vê obrigado a enfrentar tudo e deixa uma grande lição: é absolutamente normal sentir medo, mas é importante aprender a conviver e lidar com ele, sem deixar que o medo nos domine.

A vida é extraordinária, milagrosa e também curta demais para ser levada com medo. Portanto, é preciso buscar dentro de nós uma força maior para enfrentar os percalços da vida. Essa força é a coragem. Precisamos de coragem para tudo nessa vida. Para levantar da cama, para falar em público, pular de paraquedas, fazer amizades, ir ao dentista, engravidar, casar, fazer uma viagem, mudar de emprego, para ser criativo, para subir na gangorra, para dar o primeiro passo, para, principalmente, tentar de novo, de novo e de novo. Se algo não der certo, é necessário encarar a experiência como uma tentativa válida e construtiva.

 

O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.
(Guimarães Roda)

 

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