08 dez 2015

Você tem uma relação saudável com o dinheiro?

por
Gabi Miranda

Destaque, Dinheiro, Maternidade

Pelo menos uma vez na vida fui milionária...

Pelo menos uma vez na vida fui milionária…

Atualmente, considero que tenho uma relação saudável com o dinheiro, mas nem sempre foi assim. Antes dos 20 anos, quando nem trabalhava ainda, dependia financeiramente dos meus pais. Vivia comprando tudo o que eu queria, afinal mamãe e papai pagavam. Eles nunca me deixaram faltar nada, eu até tinha demais. Até que um dia uma bomba caiu sob minha casa. Minha mãe foi demitida de um emprego de uma vida toda. Quando somos demitidos depois de muitos anos na mesma empresa, temos a ilusão de que ficamos ricos, bem de vida e que não faltará dinheiro. Eu não tinha noção de nada, nunca tinha passado por dificuldades, naquela época podia ser considerada uma criança. Passou-se algum tempo e as dificuldades começaram a surgir. Morávamos de aluguel, o qual começou a ser pago com atrasos, a energia de casa começou a ser cortada por falta de pagamento, tinha dias que nem dinheiro para o pãozinho tínhamos. Eu já estava na faculdade e comecei a atrasar também os pagamentos, foi quando fiz o FIES (um empréstimo do governo para estudantes). Depois de uma vida inteira morando na mesma casa, a proprietária nos pediu para sair. A vida ficou de pernas pro ar, vi minha mãe (e eu e minha irmã) conhecer o inferno.

Mudamos de casa, comecei a estagiar, logo em seguida consegui um emprego na Revista IMPRENSA. Apesar de todas as dificuldades, parecia que ainda não tinha visto de tudo e eu continuava gastando. Sempre fui consumista e não podia passar por uma loja de bolsas ou sapatos. Vivia endividada no cartão de crédito, conta no banco negativa e recebia contas absurdas de celular. Uma vez a operadora (na época a Vivo) me mandou uma conta de R$400 que eu não acreditei ser possível ter falado tanto, desacreditei de mim. Aquilo foi mais um choque. Não bastava pagar aluguéis e faculdade atrasados, vira e mexe cortarem a luz da minha casa, dias que só tinha arroz e feijão pra comer sem uma misturinha sequer, ver minha mãe chorando e com depressão, viver intensamente no vermelho, eu continuava gastando o dinheiro como se não houvesse amanhã. Foi quando decidi dar um basta. Com apoio da minha amiga-irmã Dani e do Marido (que na época era um amigo colorido) comecei a ter outras atitudes.

Fiz um pequeno curso de finanças pessoais na BOVESPA, quebrei meus cartões de crédito (imaginem que eu tinha dois e um salário que não me dava direito a ter nenhum), mudei minha conta de celular de pós pago para pré, aos trancos e barrancos fomos vivendo como dava em casa. Mesmo assim, um dia chegou uma carta da imobiliária nova dizendo que estávamos devendo dois aluguéis, eu nem estava sabendo disso e a casa havia sido alugada em meu nome. Somando isso e outros fatores familiares, decidi sair de casa e ir morar sozinha. Meu salário era de Mil Reais. Nunca vou me esquecer. Além de mudar de casa, mudei de região, da Zona Norte fui para a Zona Sul pagar um aluguel de R$460,00. Nessa época já estava namorando com o Marido e contei muito com a colaboração dele que me ajudava pagando parte do aluguel. Acertei as contas com a imobiliária, minha mãe e minha irmã mudaram de casa e também conseguiram um aluguel menor. Foi uma das fases mais tristes da minha vida, mas também a de mais aprendizados. É verdade quando dizem que aprendemos na dor.

Depois de muito tempo fui entender que minha mãe nunca teve uma relação saudável com o dinheiro. Logo, ela não poderia nos ensinar como lidar melhor com ele. E só aprendemos com exemplos, ensinamentos e reflexões sobre nossos erros. Não a culpo por isso de forma alguma, ainda hoje sinto uma dorzinha no peito quando lembro dessa época e da relação que minha mãe tinha com o dinheiro, pois ela sempre quis fazer o melhor por nós e acho também que não teve orientação nenhuma sobre como lidar melhor com dinheiro. Ela trabalhava duro, era independente financeiramente e ainda criava duas filhas sozinhas. Nunca deve ter passado pela cabeça que podíamos chegar ao fundo do poço como chegamos. E me dói pensar que ela morreu sem conquistar algumas coisas que sempre quis, mas me alivia lembrar do que uma amiga dela nos contou: que minha mãe disse para ela no dia da sua morte “estou bem, minhas filhas construíram suas vidas, suas famílias, eu fico bem”. Acho que é isso, ela construiu bens maiores, duas pessoas de bem e que hoje lutam como ela na vida e lidam melhor com o dinheiro. De uma certa maneira, minha mãe também nos ensinou a lidar com o dinheiro, quando nos ensinou a trabalhar, a correr atrás dos nossos sonhos e não depender financeiramente de ninguém.

Bom, desde que resolvi me relacionar melhor com o dinheiro, fiz o curso citado acima, li livros como “Casais inteligentes enriquecem juntos”, “Pais inteligentes enriquecem seus filhos”, comecei a planilhar os gastos e planejar melhor os orçamentos, parei de gastar meu salário todo com coisas desnecessárias, passei a poupar e até investir melhor minha grana. Estou longe de ser rica financeiramente (sou maravilhosamente rica em outros aspectos, como saúde, família, amor, filhos), ainda não acumulei meu 1 MILHÃO, porém hoje posso afirmar que tenho uma relação saudável com o dinheiro, embora às vezes ainda cometa alguns excessos, mas nada que vá atrapalhar meu orçamento ao final do mês ou ao longo do ano. Não compro nada para pagar a perder de vista, quando dá, opto por um belo desconto à vista. Espero liquidações para comprar coisas que preciso e até as que não preciso – algo que parecia impossível há alguns anos. E sim, vez ou outra, me dou o luxo de comprar uma bolsa, um sapato, mesmo tendo um monte.

Mas você deve estar se perguntando por que estou falando tudo isso? Vou responder agora. Porque eu aprendi de uma forma negativa a lidar com o dinheiro e por isso quero que meus filhos aprendam desde cedo sobre planejamento financeiro. Acho que é minha tarefa, além de outras obviamente, infundir e ajudá-los a terem uma relação saudável com o dinheiro. Benjamin está numa fase que já entende melhor as coisas, inclusive que muitas coisas precisam ser compradas. Há um ano junta dinheiro num cofrinho e várias vezes já demonstrou desejo em quebrá-lo para gastar. Acho que chegou a hora de ensinar para ele a importância de poupar, mas principalmente de dar um destino certo para o dinheiro que guardou, e a diferença entre preço e valor – não é porque um presente é simples e barato, vale menos que um caro.

Enfim, porque maternar também exige planejamento financeiro e porque a partir de agora esse será um assunto recorrente aqui no blog. Por isso pergunto: você tem uma relação saudável com o dinheiro? 😉

 

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Uma resposta para “Você tem uma relação saudável com o dinheiro?”

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  4. Carlos Maciel disse:

    Excelente post. Parabéns

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