25 nov 2013

A boa mãe é aquela que se torna desnecessária

por
Gabi Miranda

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” ‘A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo…’

Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase e ela sempre me soou estranha… até agora. Agora que minha filha adolescente, aos quase 18 anos, começa a dar vôos-solo.

Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria debaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos.

Uma batalha interna hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta pra controlar a supermãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara. Se eu fiz o trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.

Antes que alguma mãe apressada venha me acusar de desamor, preciso explicar o que significa isso. Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também.

A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical… A cada nova fase, uma nova perda e um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho.

Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não para de se transformar ao longo da vida. Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeça o ciclo.

O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis. Esse é o maior desafio e a principal missão.

Ao aprendermos a ser “desnecessários”, nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.”

Texto de Marcia Neder, psicanalista, Doutora em psicologia clínica e a autora de “Psicanálise e Educação – Laços refeitos” e “A arte de formar o feminino, infantil e o epistemológico”.

*

Já faz um tempo que quero compartilhar esse texto aqui. Vocês já devem até ter lido por aí. Mas fazendo uma limpeza no meu computador, li novamente e coincidiu com algumas coisas que ando pensando e que depois, com tempo, registro aqui. Sou uma pessoa que não tem medo de ser sincera comigo mesma e conhecendo como me conheço, sei que vou sofrer muito com o lance da síndrome do ninho vazio e consequentemente do se fazer desnecessária. O lado bom de ter essa compreensão, é que posso trabalhar isso dentro de mim…e quem sabe aprender a me tornar uma mãe desnecessária.

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