05 jan 2016

Adaptação no berçário

por
Gabi Miranda

Bebê, Comportamento, Destaque, Filhos

Imagem Revista Guia Infantil/UOL

Imagem Revista Guia Infantil/UOL

Passada a crise normal de indecisão sobre colocar ou não Stella no berçário, optamos por seguir o mesmo que fizemos com Benjamin, colocá-la no berçário. Algumas coisas são decisivas para essa escolha: o irmão ter ido e ter ficado bem, além do desenvolvimento dele; o fato de me sentir mais segura deixando responsável pela minha filha pessoas que estão numa instituição; o berçário seguir regras básicas de rotina, alimentação, entre outros. Existem prós e contras para opção berçário ou deixar o bebê aos cuidados de outra pessoa em casa. E a que mais levei e conta, na época do Benjamin, era o fato de depender da ajuda de alguém só quando necessário.

Benjamin está saindo da escola que está desde os 5 meses e indo para um novo colégio. Por isso, resolvemos procurar um berçário próximo à nova escola dele, para assim agilizar a logística. Depois de muitas visitas e pesquisa, decidimos colocar a Stella na mesma escolinha que começou o irmão, porque não encontramos outra mais adequada e que, principalmente, me fizesse sentir segura. Já que começaria esse processo tudo de novo, que fosse ao menos num lugar já conhecido, de confiança e que mesmo não sendo perfeito, sempre ocorreu tudo bem com o nosso primogênito. Sendo assim, marido ficará responsável por levar e buscar os nossos dois filhos.

Fizemos a matrícula há um mês e meio aproximadamente e estava só decidindo se faríamos um período de adaptação ainda em dezembro. Como já era previsto a minha volta ao trabalho nessa primeira semana útil de janeiro, resolvi fazer a adaptação em dezembro, seriam duas semanas, antes do berçário fechar para as festas de fim de ano. Quando reabrisse, após as festas, faríamos adaptação novamente de apenas uma semana, mas compartilhada entre eu e marido. Mesmo sabendo que Stella pode não gravar esse primeiro período, resolvi fazer dessa forma como forma de reconhecimento para ela do que aconteceria, para que eu também pudesse acompanhar de perto e me tranquilizar e, pode parecer louco o que vou dizer, mas também para o caso dela ficar doentinha eu poder cuidar dela ainda em casa. Como disse a pediatra, eu queria fazer um test drive. Só não devia ter pensado na hipótese dela ficar doente, como dizia minha mãe, pensamento e palavra tem poder.

Passou a primeira semana de adaptação e a pitchuca teve febre viral. A pior parte é levá-la ao hospital e ouvir que a febre tinha sim sido causada por ir ao berçário, que ela era muito novinha, etc e carregar essa culpa como se trabalhar fosse um luxo da mãe. Obviamente a culpa veio me assombrar, mas tenho tentado resolver isso internamente numa boa. Benjamin também foi ao berçário novinho e está aí ótimo e com imunidade pra dar e vender, além de muito esperto. Essa é a nossa vida real, Stella precisa sair do casulo e saber que sempre voltarei para levá-la de volta, que sempre estarei por perto. Essa adaptação é nossa. Talvez mais minha do que dela.

Foi assim a primeira semana:

Segunda-feira, 1º dia
Durou apenas uma hora. Enquanto Stella foi conhecer o local, fiquei conversando com a coordenadora e relembrando o processo todo. Chorei, enquanto Stella nem  pareceu perceber o que acontecia.

Terça-feira, 2º dia
Deixei Stella no berçário e já não pude entrar. Foram apenas duas horas, mas me senti desnorteada e com uma sensação de abandono. Mãe é bicho besta mesmo, senti como se eu estivesse abandonando minha filha. Foram 120 minutos tortuosos, onde não sabia o que fazer e acabei indo fazer compras desnecessárias pra mim.  Voltei antes de terminar o período e fiquei na pracinha em frente ao berçário esperando dar a hora de pegar a pequena. Soube que ela chorou e estranhou bastante. Foi entregue fungando e assim ficou por uma hora.

Quarta-feira, 3º dia
Eu precisava organizar melhor o tempo que eu ficaria esperando, caso contrário gastaria todo meu décimo terceiro no shopping. Fiz um cronograma e nesse primeiro dia, o período da adaptação foi dedicado ao Benjamin. Deixamos Stella no berçário e fomos ao cinema, depois comemos um lanchinho, visitamos uma loja de brinquedos e fomos buscar a pequena. Demoramos umas 4 horas. Nesse período ela chorou e reclamou bastante. Quando me entregaram ela berrava. Benjamin que havia entrado no berçário para buscá-la, me confidenciou que ela já estava chorando. Imaginem como fiquei, né?! Pensei: isso não vai dar certo.

Quinta-feira, 4º dia
Deixei Stella às 9:20, ela sorriu para a berçarista que a pegou. Levei o notbook comigo e fui para um café, comecei a trabalhar em alguns textos, o tempo passou rápido, almocei e fui buscá-la. Cheguei às 13:00. Soube que ela começou a fazer gracinha, sorriu e reclamou pouco.

Sexta-feira, 5º dia
Deixei ela por volta das 11:30, fui no meu trabalho pegar cesta de Natal, fui almoçar com o pessoal e senti aquela velha liberdade de sair com os braços livres e sem me preocupar em ir para um lugar com fraldário, ar condicionado, menos cheio, essas coisas que nos preocupam quando estamos com bebê.

Fim de semana. Domingo teve o episódio da piscina com o Benjamin,  que me deixou bem mal. Na segunda-feira Stella amanheceu com febre e nenhum outro sintoma apareceu. Depois de três dias melhorou sem medicação e marido acredita que a febre pode ter sido emocional, que ela pode ter refletido um pouco das minhas emoções com o lance do Benjamin ter caído na piscina. Laura Gutman, psicoterapeuta familiar, autora do livro “A maternidade e o encontro com a própria sombra“, fala muito sobre isso, que o bebê sente como se fossem seus todos os sentimentos da mãe, até aqueles dos quais ela não tem consciência.

O bebê se constitui de um sistema de representação da alma materna. Dito de outro modo, o bebê vive como se fosse dele tudo aquilo que a mãe sente e recorda, aquilo que a preocupa ou que rejeita. Porque, nesse sentido, são dois seres em um. (Laura Gutman)

Stella voltou para o berçário apenas na quinta-feira da segunda semana. Ao todo ela fez 7 dias de adaptação. Nessa semana começa nossa nova rotina. Ela voltou ontem ao berçário, fará adaptação essa semana, e, amanhã, volto ao trabalho. Procuro ficar tranquila, até porque não quero que ela sinta toda a minha ansiedade. E tenho fé que dará tudo certo e que logo logo estaremos adaptadas.

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Uma resposta para “Adaptação no berçário”

  1. […] Leia também: sobre adaptação no berçário […]

  2. Sil disse:

    Obrigada pelo Relato. Minha filha nasce em Maio e sei que será uma adaptação dificil quando chegar o final da licença, mas com relato como o seu e outros que leio fica mais facil.

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