03 nov 2015

Apego demais é bom ou ruim?

apego

Tenho lido bastante sobre a criação com apego e me identifico muito com as teorias. Ao contrário do que muita gente prega, criação com apego não se resume em carregar o bebê no sling, compartilhar cama, amamentar até os dois anos de idade, não mandar para escola até não sei quantos anos, não deixar chorar por mais de um minuto, etc. E lendo sobre isso, fica claro que existem dois lados.

De um lado, estão aqueles que acreditam que você deve “treinar” o bebê. Isso significa fazê-lo dormir sozinho, deixá-lo chorar, não mimá-lo, não pegá-lo no colo, torná-lo independente, etc. É como um regime militar. Você ensina seu bebê a agir de acordo com sua necessidade, de acordo com o seu desejo. É rígido demais para um bebê. Do outro lado, estão os defensores do avesso, os que acreditam na importância dos pais seguirem o ritmo do bebê. Os que estão desse lado, acreditam que para ter uma criança bem acomodada e adaptada, a mãe precisa atender a todas as suas necessidades. Só que se nós mães, seguirmos isso à risca, significa também abrir mão da própria vida.

Ou seja, se você ensinar o bebê a ser do jeito que você quer, ótimo, sua vida será perfeita, você não terá um bebê mimado, muito menos exigente. Agora, se você atendê-lo sempre, estará respeitando-o. No entanto, não respeitará a si mesma.

Stella é desses bebês bonzinhos, porém exigente. Não, exigente não! É um bebê apegado a mim. E eu também me apeguei demais a ela, de um jeito que desde o início quando começamos a nos conhecer melhor, não queria largá-la, sempre preferi ficar agarradinha a ela, sentindo seu cheirinho do que soltá-la. Ela é totalmente o oposto do Benjamin. Quando estava grávida dele sonhava com um bebê bem apegado a mim (coitada, eu não sabia o que isso significava!). Ele sempre foi solto e mais autônomo. E ela chegou me tirando da zona de conforto e me mostrando como é ter um bebê apegado à mãe e o quanto pode ser doloroso. Porque filho de uma forma ou de outra é apegado aos pais, mas quando isso é de forma desmoderada pode trazer sofrimento tanto para o bebê quanto para mãe. Afinal, uma hora eles terão que se separar, quando é o caso, por exemplo, da volta ao trabalho da mãe, quando o bebê terá que ficar aos cuidados de outro cuidador.

Acredito que esse apego todo se deve ao fato de ficarmos sozinhas, de eu ser a cuidadora 100% do tempo sem interferência de mais ninguém. O que tem acontecido por aqui, é Stella chorar para dormir com o pai. Ela chora por minutos a fio. Eu não aguento vê-la chorar desse jeito e acabo pegando. Até que outro dia marido me questionou e disse que eu deveria deixar eles se entenderem. No dia seguinte deixei. Foram 34 minutos de choro. Stella chorava no quarto e eu chorava na sala. Ao final, ela dormiu feito anjo, melhor até que nas noites anteriores.

Não podemos querer que o bebê se comporte da maneira que seja conveniente para nós. Um bebê não é uma instituição que deve se comportar de maneira imposta por alguém. E um bebê muito menos é igual a outro. Quando um bebê chora, ele quer comunicar algo que o incomoda ou o que deseja. Stella quer sempre o colo da mãe, especialmente para dormir. Mas até que ponto eu devo me comportar como o meu bebê quer?

Obviamente, após chorar tanto, ela fica fungando por alguns minutos, como se estivesse sentida. Há quem diga que deixá-la chorar ao ponto de ficar sentida, pode lhe causar traumas e intervir em seu comportamento quando estiver maior. Veja bem, não deixo de atender as necessidades da minha filha, não estou fazendo mal a ela por deixar com o pai, não estou abandonando-a. Será mesmo que se eu deixá-la chorar com o pai por alguns minutos estarei causando um mal que pode interferir negativamente na vida dela? O bebê não chora quando toma vacina?! Stella além de chorar fica fungando depois. Ficou sentida porque tomou vacina, isso significa que vai ser tímida, retraída ou sei lá o quê, por que a fiz passar por um mal necessário?!

Penso que desde o início tenho tentado respeitar e acolher a Stella. Por criação com apego, o que entendi até agora das minhas leituras, é que trata particularmente em respeitar o bebê, uma criança que está se formando, um indivíduo com sentimentos, que precisa de acolhimento, afeto, que o outro se coloque no lugar dele. Tudo isso e um pouco mais, e menos autoritarismo.

E se eu deixá-la chorar com o pai para que possa fazer cocô, estou violando as regras da criação com apego? Faço parte do lado que quer treinar o bebê? E tudo o que a gente tem construído durante a nossa convivência?! Não vale de nada?! Eu quero ter vínculo forte com meus filhos, quero atender as necessidades emocionais deles, mas será que preciso abrir mão das minhas necessidades básicas? Já não basta fazer tudo correndo e por último?!

Tenho plena consciência de que não falta afeto e carinho para Benjamin e Stella. Dois ingredientes básicos para criar os filhos, e não só para isso, mas porque os amo e quero que sejam adultos amáveis, saudáveis e acima de tudo felizes. Estou numa fase em que busco o equilíbrio, tenho olhado para minha família e tento usar o coração, mas por mais esforço que faço, não consigo ouvi-lo dizer se estou no caminho certo ou errado, se apego demais é bom ou ruim…(?!)

 

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2 respostas para “Apego demais é bom ou ruim?”

  1. Tatiana disse:

    Nossa…me vi nesse texto. Minha filha tem 2 anos e navegando pela internet durante as madrugadas de amamentação descobri a criação com apego. Recebi uma criação tradicional e pra mim é sempre uma batalha deixar alguns comportamentos para trás e abraçar a “causa”. O relato que vc faz sobre seu marido fazer a BB dormir me remeteu a 1 ano e alguns meses atrás, quando minha filha em plena angústia de separação não aceitava que o pai a fizesse dormir mais. Gritava no colo dele e depois de vários minutos (que mais pareciam horas) eu entrava no quarto e a tirava dos braços dele e ela acalmava e dormia de imediato. Ainda hoje ela não aceita que o pai a faça dormir e isso complica um pouco a situação….no próximo bb penso em fazer diferente, afinal os pais também precisam estabelecer uma relação com os filhos e hoje compreendo a diferença entre deixar um bb chorar para dormir sem ninguém e deixar o bb chorar para dormir sem mim, mas sendo acalentado por outro cuidador. E sigo buscando o caminho do meio. Boa sorte pra vcs!

    • https://bossamae.com.br/novo/wp-content/themes/bossa-mae/img/img-coment.png Gabi Miranda disse:

      Tatiana, tenho deixado marido e Stella se entenderem. Desde então ela tem chorado menos. Nesse final de semana passado, achei que eles se deram super bem. Como diz a minha pediatra, quem carregou o bb na barriga durante os 9 meses? Ou seja, é comum, eles quererem só a gente e depois conhecerem melhor o mundo e as pessoas ao redor dele.
      Super beijo e Obrigada!
      😉

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