13 jun 2019

Congresso Socioemocional LIV 2019

por
Gabi Miranda

Desenvolvimento, Destaque

No último final de semana (dias 7 e 8 de junho), tive a oportunidade de participar do Congresso Socioemocional LIV 2019, no Rio de Janeiro. O objetivo do Congresso foi promover o debate e permitir que as pessoas ocupem novos lugares nessa conversa sobre educação, abrindo-se para diferentes opiniões. A programação do evento contou com importantes nomes do setor no Brasil e no mundo, como por exemplo, Edgar Morin (antropólogo e sociólogo francês), Lucia Rabelo, Marcos Piangers, Lazaro Ramos, Christian Dunker, Rosely Sayão, entre outros.

Mas o que é o LIV?

O Laboratório Inteligência de Vida (LIV) é mesmo um grande laboratório, diferente do que costumamos ver por aí. No LIV, não há tubos de ensaio ou microscópios, os experimentos são outros e tem a ver com habilidades socioemocionais. Ou seja, experimentar a vida, os sentimentos e os relacionamentos. É um programa desenvolvido pelo grupo Eleva Educação e que tem como objetivo promover a educação socioemocional de alunos das mais variadas idades.

Mas eu achei a explicação dos alunos que vivem a experiência do LIV mais simples de entender. Confira:

congresso socioemocional liv

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Ou seja, como podemos ver através dessas respostas, o LIV trabalha com competências sociais e emocionais que se desdobram em atitudes, valores e comportamentos que podem ser aprendidos e experimentados na relação com o outro e com o espaço, seja na escola ou na família. É um programa oferecido dentro da grade curricular.

Minha experiência no Congresso Socioemocional LIV

Eu pude, durante esses dois dias riquíssimos, vivenciar a experiência do programa. Pois no local do evento, além das palestras, foi criado o espaço LIV Alive que proporcionou a todos os visitantes, a experimentação do material, exploração dos sentidos. Consequentemente trouxe muitas reflexões e abaixo compartilho um pouco de tudo com vocês.

Logo na entrada dei de cara com essa frase que tem tudo a ver com meus valores. “Mais importante que encontrar a felicidade é buscá-la.” Ou seja, é o caminho que importa, gente! É no caminho que, aos poucos, as coisas vão dando certo, vamos aprendendo que mesmo com os problemas, haverá sempre uma escolha, uma oportunidade, uma possibilidade… precisamos aprender a apreciar o caminho, porque a felicidade está nele, nos pequenos detalhes, nas pequenas realizações cotidianas. E será que ensinamos isso para os nossos filhos também? Como transmitimos essa lição?congresso socioemocional liv

Congresso socioemocional liv

Congresso socioemocional liv

Questionamentos intrigantes

Em cada espaço do LIV Alive nos deparávamos com situações inusitadas e perguntas curiosas que normalmente não pensamos:

  • Se você pudesse conversar com alguém que já faleceu, com quem seria?
  • Qual sua música favorita?
  • Qual é o seu maior medo?
  • Se você pudesse escolher um superpoder, qual escolheria?
  • Se sua família fosse um filme, qual seria?

Congresso socioemocional liv

Eu só soube responder com prontidão, duas dessas perguntas, a primeira e a última. Eu conversaria com a minha mãe. E minha família se chamaria “O quarteto fantástico” ou “Os incríveis”. E ainda assim, não consegui escolher uma resposta apenas para a última pergunta. Para todas as outras eu precisei pensar. Até hoje ainda não descobri minha música favorita, não consigo escolher uma. Enfim, reflexões que não pensamos. Ou porque vivemos no automático. Ou porque a vida é muito louca mesmo com essa tecnologia toda que não nos deixa desligar um instante e pensar só no momento presente.

E nossos filhos estão vivendo essa era. Precisamos desacelerar e trazer essas questões para que eles também possam pensar a respeito. Para que saibam responder o que gostam e o que não gostam.

Em determinado momento lá no congresso, tive a ideia de compartilhar vídeos e informações com minha família que estava em nossa casa, em São Paulo. Enviei um vídeo mostrando as perguntas e questionei eles: se fossemos um filme, qual seria?

Marido respondeu: o lado bom da vida.

E Benjamin disse: o parque dos sonhos.

Achei incrível a resposta de ambos.

Frases que martelaram minha cabeça

Eu li um livro e nele dizia que precisamos ensinar as crianças a pensar. Exatamente uma das frases que me deparei em um outro espaço do LIV Alive. Pareceu até um sinal positivo encontrar essa frase. Nossas crianças são ocupadas decorando informações que nem sempre são relevantes. Não podemos promover a ideia de que educar é domesticar as nossos filhos, castigar ou obriga-laos a pensar e responder como gostaríamos. As crianças não precisam se ocupar decorando informações não essenciais, muito menos de forma que não consigam analisar e questionar as coisas que lhe são ensinadas. Ou seja, elas ganham um diploma escolar para aprender como memorizar e não para aprender o que elas realmente querem da vida. Acredito que quando crianças são encorajadas a pensar de forma construtiva, elas também adquirem fé, coragem, propósito.

Congresso socioemocional liv

Precisamos deixar que as crianças expressem seus sentimentos para que possam aprender a lidar com eles e exerçam seu papel no mundo. Precisamos urgentemente desenvolver as habilidades socioemocionais dos nossos filhos. Isso é prepará-los para os desafios que encontrarão. Isso para que eles se tornem preparados e confiantes para lidar com questões pessoais, profissionais ou de qualquer âmbito da vida. Crianças precisam sentir! Todo e qualquer sentimento. E precisam aprender a falar e lidar com eles. E é esse o princípio básico do LIV.

E é claro, dentro da grade curricular, o LIV utiliza uma metodologia para cada fase escolar. Por exemplo, na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental, é trabalhado a inteligência emocional. Nos anos finais do ensino fundamental trabalha-se as habilidades socioemocionais. No ensino médio, é trabalhado escolhas e protagonismo. E tem LIV para os professores e para a família e não só para os alunos.

E o que é a aprendizagem socioemocional?

Para o LIV, é o processo que através de uma mediação e facilitação, possibilita a ampliação da compreensão de si, do outro e do mundo.

A vida nos permite viver, mas muitas vezes não sabemos lidar com muitas das coisas que nos acontecem. por exemplo,vivemos em uma sociedade em que o sofrimento não é resolvido falando sobre ele. Na verdade, quando estamos sofrendo, vivendo uma depressão, indicam tomar alguma coisa e não falar sobre o que está nos causando todos esses sentimentos.

Taí um dos motivos pelos quais precisamos aprender habilidades socioemocionais. Para falar sobre todos os sentimentos e para que possamos lidar melhor com eles.

A educação precisa mudar e o socioemocional precisa entrar na sala de aula.

As 10 competências gerais da Educação Básica

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) éum documento que define os conteúdos mínimos e progressivos de aprendizafem a que todos os estudantes de Educação Básica no território nacional têm direito. Esse documento determina 10 competências gerais da educação básica e o LIV dialoga diretamente com cada uma dessas diretrizes:

  1. Entendendo e explicando a realidade
  2. Curiosidade intelectual e pensamento crítico
  3. Compreensão e repeito às diferenças
  4. Comunicação e compartilhamento
  5. Tecnologia e informação
  6. Exercício da cidadania e projeto de vida
  7. Exercício da argumentação
  8. Autoconhecimento e autocuidado
  9. Exercício da empatia e cooperação
  10. Ações pessoais e coletivas

Curiosidade

Estou lendo o livro “+ esperto que o diabo”, de Napoleon Hill, mesmo autor do best-seller mundial “Pense e Enriqueça”. Coincidentemente, em uma passagem do livro, o Diabo fala que a única forma de salvação duradoura que realmente é válida para qualquer ser humano é aquela que vem do reconhecimento do poder de sua própria mente. E que o sistema escolar tem muitas fraquezas sendo uma delas não estabelecer na mente das crianças das crianças a importância de ter um propósito e a importância de ensiná-las como serem definidas sobre qualquer coisa.

Hoje o maior objetivo da maioria das escolas, é ensinar os estudantes a memorizar fatos, em vez de ensiná-los como organizar e fazer um uso prático desses fatos. A gente sempre vê o adulto que a criança precisa ser no futuro, mas estamos fazendo algo para ela se tornar esse adulto que almejamos?

E então, no livro tem uma lista com sugestões de mudanças necessárias. Entre elas estão:

  • As ideias são o começo de todas as realizações humanas. Ensine todos os estudantes como reconhecer ideias práticas, que podem ser de grande benefício para ajudá-los a adquirir o que quer que seja que a vida exija deles.
  • Ensine às crianças a diferença entre derrota temporária e fracasso. E ensine a elas como procurar pela semente de uma vantagem equivalente que toda derrota traz consigo.
  • Ensine às crianças a importância de expressarem seus próprios pensamentos sem medo.
  • Ensine às crianças, o valor da harmonia em suas próprias mentes e que isso é possível somente através do autocontrole.
  • Ensine às crianças a encararem os fatos, sejam eles agradáveis ou desagradáveis, sem recorrer a subterfúgios ou sem oferecer-lhes álibis.
  • Ensine as crianças a encorajarem o uso do seu sexto sentido, através do qual as ideias apresentem-se em suas mentes de fontes desconhecidas, e a examinar tais ideias cuidadosamente.
  • Ensine às crianças que não existe nenhum problema que não tenha uma solução apropriada, e que a solução, na maior parte das vezes, pode ser encontrada nas circunstâncias que criaram o problema.
  • Ensine às crianças que as suas únicas limitações reais são aquelas impostas por si mesmas ou que elas permitem que outros estabeleçam em suas próprias mentes.
  • Ensine às crianças a serem verdadeiras consigo mesmas em todos os momentos e, considerando-se que elas não podem satisfazer a todos, elas devem ter sempre em mente que precisam satisfazer-se a si mesmas.

“Eu não posso escolher o que sinto, mas posso escolher o que fazer com esse sentimento”

Ao ler isso, após já ter participado do congresso do LIV, fiquei de queixo caído. É um livro que teve sua primeira edição em 2014, mas que o conteúdo estava escondido desde 1938. Essas sugestões de aprendizados são justamente coisas que aprendemos através de habilidades socioemocionais. Que muitos de nós não tivemos na escola, em casa, mas com a vida. Mas agora nossos filhos tem a oportunidade de aprender através de um programa como o LIV. Eu estou encantada com essa possibilidade!

Meus filhos estudam numa ótima escola, mas não tem LIV e essa semana recebemos a pesquisa de satisfação do colégio. Eu respondi e coloquei sugestões, entre elas foi incluir o programa do LIV na grade. Estou com todo material do LIV aqui e quero também uma oportunidade de apresentar à escola. Pois como disse, Rosely Sayão, a escola não é formada só pelos alunos, mas pelas instituições, pelos professores e as famílias. E não há diálogo, há uma luta de poder na maioria das vezes.

“A escola é um espaço de relações” (Paulo Freire)

A gente fala que é uma parceria a relação da escola com os pais, mas não é. Há pais que vão à escola exigir uma nota melhor para o filho!!! É sério isso! Há pais que reclamam das notas baixas dos filhos. Ou defendê-lo por algo que os pais acreditam que seja injusto. Precisamos tentar abrir o diálogo e apresentar novas frentes para melhorar a experiência na escola e não exigir uma nota melhor para a criança.

O LIV, atualmente, tem parceria com mais de 200 escolas, atendendo aproximadamente 120 mil estudantes em todas as regiões do Brasil. E se você quer conhecer mais do projeto ou apresentar para a escola do seu filho, basta acessar o site AQUI.

Última reflexão, prometo!

O congresso me fez pensar também sobre algo que tem acontecido muito em casa. O Benjamin e a Stella (começou por ele) rebatem/respondem muito para nós. Não no sentido de mal criados, mas de questionadores, de quem não concorda, etc. Exemplo: às vezes tenho uma reação automática de dizer “me respeita, sou sua mãe”, e o Benjamin responde rapidamente “você também me respeita, eu sou seu filho”. Eu acho incrível!!! Embora, no início me desconcertava. E tenho achado ótimo quando eles respondem ou questionam ou não concordam e falam. Isso é sinal de que eles têm pensamentos próprios. Eu fui ensinada a não responder, a não discordar dos mais velhos. Mas hoje, pra mim, o que faz sentido é que a criança precisa sim se apropriar do recurso que é a palavra.

O post foi extenso e ainda assim não encontrei a palavra adequada para expressar o que significou pra mim ter participado do Congresso Socioemocional LIV 2019. Foi uma experiência enriquecedora! 🙂

Congresso socioemocional liv

A educação só muda as pessoas e as pessoas mudam o mudo!

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