08 out 2013

Consumismo – existe meio termo?

por
Gabi Miranda

Dinheiro, Maternidade

Dia das crianças chegando (Natal logo mais), lojas de brinquedos lotadas e mais uma vez veio à tona a questão do consumismo.

Ano passado, aproximadamente nessa mesma época, escrevi um post onde falei um pouco sobre o  assunto. Na época, levei essa pauta para ser discutida (de forma positiva) com o marido e com minha amiga Dani, mãe de dois, ambos publicitários. Os dois não concordavam muito comigo e nem eu com eles. Um ano depois, penso que minha opinião mudou um pouco e talvez aproxime-se do que eles tentavam dialogar comigo.

A minha opinião continua a mesma sobre as propagadas, os canais infantis, MAS penso também que na minha casa quem decide o que vamos “consumir” (leia-se: assistir)  somos eu e o marido e não uma criança de 2 anos. Eu não posso culpar a mídia, embora não concorde com algumas propagandas, por escolhas que devem vir de dentro da minha casa. Ou não? Posso estar errada…

Eu ainda sou da opinião que devemos livrar os pequenos do consumismo, que não precisamos comprar para eles coisas desnecessárias, principalmente fora de época, muito menos com preços exorbitantes. Mas já me pego querendo realizar alguns desejos do meu pequeno. Outro dia mesmo comprei uma camiseta do Woody – acessório que Benjamin nem tinha conhecimento, mas que eu quis presenteá-lo. Foi meu presente antecipado de Dia das Crianças. Ele pirou quando viu e fiquei muito feliz em vê-lo contente.

Consumismo

Dias depois me vi fazendo a seguinte proposta para o marido: “vamos fazer uma loucura?”. A loucura que me referia era comprar a réplica do boneco Woody, que custa nada mais nada menos que R$ duzentos e cinquenta dinheiros! Algo que nunca entrou em cogitação, sempre fomos da opinião que Benjamin não precisa de um brinquedo desse valor. Sem contar que acho sinceramente um capricho desnecessário. Mas o menino viu na loja, pulou, gritou “Woody, Woody, Woody” e eu quase morri de vontade de realizar aquele capricho e estender aquela alegria por toda eternidade, mesmo sabendo que era algo momentâneo, que 10 minutos após sairmos da loja ele esqueceria o encontro que teve com seu ídolo.

Eu fui tomada por um sentimento que até então não compreendia: o desejo de não negar nada ao filho, uma vontade insana de dar para ele tudo que ele quiser. Por enquanto, faço isso na medida que acredito estar certa: se eu posso porque não comprar? Acho que existe uma diferença entre você dar porque pode e dar quando não pode. Vejo pessoas se endividando para dar o celular da moda ou iPad pro filho porque todos os coleguinhas tem e ele quer ter também. Isso eu não compreendo ainda. Na minha cabeça quem tem que compreender é a criança. Não dá por “n” motivos e pronto. Entramos na questão da frustração – não podemos privar nossos filhos desse sentimento. Eles devem aprender que na vida não pode ter tudo o que se quer – nós, adultos, não lidamos com isso?! Acredito no consumismo consciente.

Minha mãe nunca nos privou de nenhum presente que quiséssemos, claro ela nos presenteava com moderação, sempre em datas especiais, mas realizando todos os nossos sonhos infantis. No Natal então, nem se fale…

Benjamin, por enquanto, entra numa loja de brinquedos e é capaz de mexer em tudo sabendo que nada daquilo vai levar para casa. Ele vai embora numa boa, desde que tenhamos passado boas horas na loja, sem fazer escândalos e dizendo “não é meu, né?!”

Mas o que me levou fazer esse post, não é quase nada disso. Tenho reparado na quantidade de divulgação sobre o novo selo (estou de olho – algo do tipo) do movimento “infância livre de consumismo”. Muitas pessoas são ativistas e defendem mesmo a campanha com propriedade e ADMIRO isso. Outras entram na onda tomada pelo efeito Maria vai com as outrsas “vou fazer parte desse lance sério porque se fulana está, tenho que defender algo desse tipo também” e aí depois você vê essas pessoas divulgando produtos super legais para o Dia das Crianças que está chegando. Oi?!

Estou passando por um momento de reflexão muito intenso no que diz respeito à maternidade, ao blog, o que quero compartilhar com meus leitores. É óbvio que quero dividir coisas verdadeiras e das quais acredito. Mas eu já me peguei em dúvida sobre as minhas crenças. Uma delas é sobre esse assunto mesmo do consumismo. Penso que compartilhar as dúvidas também faz parte desse processo de blogar.

Acho o máximo as ações que o movimento faz incentivando, por exemplo, a troca de livros e/ou brinquedos ao invés de gastar dinheiro nas datas comerciais. Eu procuro participar desse tipo de ação. Mas eu seria hipócrita ao abraçar a campanha com toda veracidade que eu acredito SIM que mereça, mas que eu não conseguiria cumprir com tanta legitimidade.

Estou tentando buscar coerência. Não agir por impulso. Talvez esteja sendo incoerente nesse post. Mas estou tentando ser verdadeira, isso aqui é uma tentativa de expor minhas dúvidas e encontrar um fio condutor. Eu não vou dizer aqui que não vou comprar presente de Dia das Crianças pro meu filho. Não vou dizer não ao consumismo e divulgar presentes legais para a data especial comercial. Mas como uma pessoa que é a favor da Infância Livre do consumismo faz divulgação de presentes para o dia das crianças? Ou uma coisa não tem nada a ver com a outra? Como não consumir nessa sociedade capitalista em que vivemos? É possível abandonar tudo o que buscamos para nossos filhos e que envolve o capitalismo: escolas, atividades extracurriculares, roupas…? Consumismo consciente não seria uma forma de abrandar o consumismo? Existe um meio termo?

Status: em busca de respostas.

Leia também: Manisfesto para o Consumo consciente

 

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8 respostas para “Consumismo – existe meio termo?”

  1. Julia Costa disse:

    Gabii, comentário atrasado pode?? rsrsrs

    Antes de mais nada queria só fazer um comentário. O motivo de eu ter chegado até aqui e ficado (digo, voltado a ler outras vezes e começado a comentar nos posts) é algo que está muito claro neste texto: a sua sinceridade e a forma como você escreve de coração aberto. Acho importante pontuar. 😉

    Respondendo sua pergunta: eu acredito que para QUASE tudo na vida existe o meio termo. 😉 rs Para isso, na minha opinião, existe também.

    Como você, eu não abraço o movimento. Não abraço porque eu não concordo com os argumentos, não vejo a publicidade como o lobo mau da história e não acho que o Estado deve intervir nela. E também porque eu sou uma pessoa consumista (no meio termo*) e seria contraditório demais apoiar algo assim.

    Quando digo no meio termo, quero dizer que eu amo comprar — é algo que me deixa feliz, me satisfaz —, mas não compro coisas que não vou usar (não consigo me lembrar de ter feito isso na vida!), não compro demais (nao porque nao tenha vontade rs mas porque priorizo outras coisas na vida que preciso de dinheiro, então… ) e tudo o que não uso mais, eu dou. Então, é tudo reaproveitado sempre! Nada fica mofando no armário até estragar.

    O Luquinha tem brinquedo suficiente, nem de mais, nem de menos. E, como está chegando seu aniversário, os brinquedos que ele não brinca mais já estão entrando na sacola de doação. Entram brinquedos novos, saem brinquedos velhos.

    E quanto ao consumo televisivo, acho que faz 100000% mais diferença na formação do meu filho o que eu e seu pai e as pessoas próximas que ele ama e confia dizem para ele do que o que ele vê na TV. E eu não tenho o menor problema em dizer não para ele, quando ele começar a pedir as coisas – se achar necessário, por qq motivo q eu tenha.

    Beijos, Gabiii!!! =)

    • https://bossamae.com.br/novo/wp-content/themes/bossa-mae/img/img-coment.png Gabis disse:

      Ju, você é uma fofa comigo. Obrigada pelas palavras e carinho.
      Sua visita aqui é muito importante. E você ter ficado por aqui me enche de alegria.
      Várias vezes já tive vontade de parar com o blog. Todas elas ponderei. É por mim, pelo Benjamin e por pessoas como você que eu continuo escrevendo aqui.
      Obrigada mesmo!
      Um beijo

  2. Mariana Mello disse:

    Sabe que eu te entendo! Acho o movimento lindo, válido, e quando sento para cortar as unhas do Joaquim em frente a TV (já que a única hora que consigo fazer com que ele pare) fico pasma com a quantidade de propagandas, mas como você disse, quem decide o que comprar somos nós, e nossos filhos terão que lidar com os nãos, as frustrações e as vontades e entender que tudo tem a sua hora e o seu preço! Nesse dia das crianças já havia avisado a família que não era para dar nenhum presente para o Joaquim, afinal, acabamos de voltar de viagem e ele ganhou muitos brinquedos, inclusive essa regra também vale para o Natal, o apelo comercial nestas datas é muito grande e isso é o que eu quero barrar por aqui. Quero que ele cresça entendo o real significado das datas, que um dia das crianças no parque brincando com a família (que foi o que fizemos) é muito mais legal do que qualquer brinquedo, que passar o Natal em família, brincando, comendo coisas gostosas é muito mais legal também!! Mas que ganhar brinquedos na hora certa também é gostoso!!

  3. Daniela Maio disse:

    Oi Gabis, que legal seu texto. Sabe que não lembrava da conversa até ler hoje novamente. É exatamente no meio termo que procuro estar, porque sinceramente acho que é uma decisão de cada família. Procuro conversar com os pequenos, com o marido e conter meus repentes de comprar brinquedos com valores exorbitantes. Faço isso com bastante conversa, que antecede datas especiais, como a do Dia das Crianças, aniversário e Natal. Acho importante SIM dar um presente nestas datas, tive essa vivência, meus pais faziam do dia algo especial, mesmo que não fosse com o presente que eu tinha visto na TV. Procuro dar coisas que não saem da moda, tipo livros, quebra-cabeça, jogos. Eles também ganham uns última geração de avós e tios, não inibo isso, porque converso quando não dá. Uma vez, na vitrine de uma loja o João apontou um brinquedo do Batman caríssimo, eu disse que não dava, que era caríssimo. Ele olhou pra outro que estava na vitrine, um disco daqueles de jogar pro outro pegar, que era brinde da loja e disse: E esse mãe? Também é caríssimo?rsrsrs Achei tão bonito ele fazer isso, tentar achar algo que se adequasse ao nosso bolso.
    Fui numa Kalunga hoje comprar um caderno, e vi as tais telas de pintar que fizemos de lembrança de aniversário no ano passado, fui lá e comprei pra dar de presente de Dia das Crianças. Vão fazer parte com uma coleção de livros sobre sentimentos e emoções que prometi comprar pra eles. E como adoro pendurar os trabalhos feitos por eles em casa, mesmo que seja colado nas portas de madeira, vai acabar virando um presente/recordação pra mim!rs

  4. Isis disse:

    Gabis, concordo com suas colocações. A gente não pode também ser tão radical com os pequenos.
    Eu não vou dar presentes para a Amelie no dia das Crianças. Ela já vai ganhar brinquedos das avós e dos padrinhos.

    Para mim, dia das crianças é um dia normal, como qualquer outro. Acho que por isso fiquei abismada com uma campanha que vi por aí sobre infância livre do consumismo. Uma das peças dizia algo nessa pegada: No dia das crianças, dê carinho e risadas com seu filho. Peralá! Isso precisa ser algo do dia a dia, não? Enfim, esse assunto vai ficar para o meu próximo texto do blog! rs

    Um beijo grande em vc e no Ben.
    E já passou da hora da gente marcar um piquenique com as crianças, né?

  5. Andressa disse:

    Meu post de hoje é sobre isso: http://entrefotosebeijos.blogspot.com.br/2013/10/consumismo-no-dia-das-criancas.html
    Acho que há um meio termo sim. Não aprovo o exagero de alguns pais que dão 5 presentes em cada data comemorativa, que cedem a tudo que os filhos pedem, acho que deve haver uma negociação, uma troca por passeios e até uma conversa franca se o presente não puder ser dado.
    Abraços
    Andressa

  6. Ah! E sim, eu acho que existe um meio termo! 🙂
    bjka

  7. Gabis querida, adorei o post! Tenho pensado muito sobre essa questão de consumismo infantil e confesso que ando “P” da vida com os canais infantis por conta da quantidade gigantesca de propagandas. AL grita a cada brinquedo mostrado : “Eu quero um desse!” Ela já sabe que aqui em casa presente só se ganha no aniversário, dia das crianças e natal e mesmo assim segue incessantemente com o mantra “Quero um desse!”
    Nesse Dia das Crianças quero proporcionar a ela muito mais que o prazer de um brinquedo (não que não ira ter um presentinho), quero proporcionar a ela momentos especiais e para isso iremos passar o fds no sítio, com direito a passeio à cavalo, pescaria e colheita de “buticaba” no pé.
    Fiz um série de posts sobre Picnic lá no blog e essa é a minha sugestão para os pais, transformar a data comemorativa em um dia especial que ficará guardado na memória de todos!
    Beijos
    Débora Araújo
    @personalbebe

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