14 abr 2016

Educação financeira: ensine seu filho a poupar

por
Gabi Miranda

Destaque, Dinheiro, Maternidade

Educação financeira também tem que vir de casa. Ensine seu filho a lidar com o dinheiro e a poupar desde cedo

educação financeira

Educação financeira é disciplina que já faz parte da nossa vida aqui em casa. Começamos de forma bem simples, há um pouco mais de um ano, quando Benjamin ganhou um cofre que ele mesmo personalizou. Desde então começamos a guardar moedinhas. Antes disso, eu e marido já guardávamos nossas moedas e usávamos o dinheiro para comprar algo supérfluo que quiséssemos, era uma reserva meio que para uso ao bel prazer. Agora o destino das moedas é o cofre do Benzoca. Começamos a dar sem compromisso, depois comecei a vincular o ganho com a ajuda que o Benjamin dava nas tarefas cotidianas, mas como ele sempre ajudou voluntariamente, vive ganhando moedinhas.

Assim como tudo na vida, as crianças aprendem a poupar se ensinarmos. Porém, para cada fase da criança, precisamos dar novos estímulos. Gustavo Cerbasi, autor de “Pais Inteligentes enriquecem seus filhos“, fala isso em seu livro e até montou uma tabela com referencial de comportamento para diferentes fases do crescimento de uma criança.

educação-financeira-tabela

Crianças sempre precisam querem alguma coisa e se nós pais não frearmos, vamos criar adultos acostumados a terem tudo o que desejam. Portanto, cabe a nós identificar a melhor forma de negociar a relação desses desejos. Para ganhar um presente deve haver um motivo, como uma celebração. Aqueles presentinhos fora de época, por exemplo, devem ser vinculados por um motivo consistente. Não dá para ficar fugindo das regras e elas devem valer para crianças e adultos. Ou seja, se você fuma, nunca convencerá seu filho de que esse hábito pode matá-lo. Se você não tem seu orçamento equilibrado, dificilmente seu filho saberá administrar a mesada dele.

O aprendizado se faz com conhecimento, habilidades e atitudes. Oferecer conhecimentos sem praticá-los (habilidades) não leva a lugar nenhum. Praticar sem ressaltar sua relevância (atitude) empobrece o aprendizado. Da mesma forma, a prática sem conhecimento induz a erros, propiciando criação de barreiras contra as lições aprendidas. Do livro Pais Inteligentes enriquecem seus filhos, Gustavo Cerbasi

Seis princípios fundamentais na educação financeira

Gustavo Cerbasi sempre atenta seu leitor para não confundir planejamento financeiro com a simples formação de poupança e indica seis princípios fundamentais na educação financeira que compartilho agora resumidamente:

  • Princípio 1: VALORIZAR
    O que tem valor não tem, necessariamente, um preço

    Converse com seu filho sobre o valor que a oportunidade de estudar agrega às horas de trabalho daqueles que ganham mais. Nas compras é possível desenvolver um raciocínio semelhante. É comum as pessoas confundirem preço com valor. Elas não percebem que preço alto não significa maior valor. Não é porque o presente foi barato que ele vale menos. As coisas mais importantes ou mais valiosas da vida de qualquer ser humano não custam nada, são acessíveis a qualquer pessoa. É seu papel de pai ou mãe adotar uma postura menos consumista e mais valorizadora de momentos e sentimentos, não de coisas. Valorize momentos em família, viva-os com intensidade. “Está chegando o seu dia” é bem diferente de “Está chegando o dia de ganhar sua bicicleta”.

  • Princípio 2: CELEBRAR
    Celebrações reforçam as conquistas

    A enorme expectativa das crianças por presentes a cada ida ao shopping, a cada viagem e a cada fim de semana surge quando elas ainda são pequenas. Quando ainda não esperam nada além do carinho e do tempo para matar a saudade dos pais, mas o que recebem é um presente. Adultos consumistas formam filhos consumistas. O erro começa no ato de presentear antes de surgir a demanda ou a necessidade da criança.
    A celebração é importante, mas respeitar o orçamento também, ou até mais. Você adoraria comprar todos os mimos e presentes que sua criança pede. Mas essa atitude, além de ameaçar sua conta-corrente, provavelmente ajudaria a construir um futuro adulto compulsivo por consumo e sem noção dos limites.
    Crie significado para cada conquista. Presenteie seus filhos somente quando houver motivo. Uma data festiva, uma lembrança marcante de vagem, o início de férias, um desempenho muito acima da média na escola. Preferencialmente, use mais criatividade e menos dinheiro para presentear. Jamais faça do preço do presente algo mais importante que seu simbolismo. O presente não pode ser mais marcante que a data. Se a criança pedir um brinquedo fora de época, prometa lhe dar na próxima data festiva, mas só se o brinquedo for compatível com o orçamento familiar. Crianças jamais esquecem promessas feitas por adultos, e magoam-se se elas não são honradas. Ao cumprir sua promessa, não se esqueça de celebrar a conquista e de parabenizar a criança pelo esforço em esperar pacientemente seu sonho se realizar.

  • Princípio 3: ORÇAR
    Nem mais nem menos. Seu limite é o que você tem

    Controlar a conta é o primeiro passo e exige disciplina. O segundo passo é conhecer os limites. A elaboração de um orçamento, que parece algo complexo à primeira vista para um adulto, será algo natural na vida de uma criança se seus pais a ajudarem a separar verbas para cada objetivo. As primeiras mesadas são para comprar, normalmente, lanches, doces e figurinhas. Conscientize seus filhos de quanto estão recebendo e quanto será gasto com cada item. Enfatize sempre o preço total da comprar, compare com outras ofertas. Entenda que crédito é para quem precisa adquirir algo, e não para quem quer adquirir.

  • Princípio 4: INVESTIR
    Juros recompensam os poupadores

    Quando pais valorizam demais o emprego e se esquecem de valorizar os empreendimentos, estão formando adultos que serão, no futuro, escravos de dinheiro. Não temos tempo para os filhos porque não sabemos fazer o dinheiro trabalhar para nós. Seus filhos não devem ser preparados simplesmente para trabalhar a vida toda para alguém. O bom emprego não deve ser visto como o grande objetivo da vida adulta. O grande objetivo deveria ser construir uma reserva financeira para que, no dia em que deixar de trabalhar para os outros, a pessoa possa montar sua própria empresa e contratar outros profissionais para trabalharem para ela, ou viver dos rendimentos de um investimento que lhe agrade.

  • Princípio 5: NEGOCIAR
    Amigos, amigos, negócios à parte. Seu dinheiro vale mais na sua mão que na dos outros

    O brasileiro tem uma característica muito marcante: o de fazer amizade rapidamente a cada esquina. Seja na padaria, na banca de jornal, numa loja, logo estamos conversando como amigos com o vendedor e isso acaba de certa forma nos impedindo de negociar na hora necessária. Não precisamos perder a empatia, mas não podemos perder os argumentos na hora de pedir um desconto. Faça de cada compra a lado do seu filho um evento com características marcantes e únicas. Adote uma postura mais séria e menos descontraída na hora de fazer compras. Caso contrário, estará associando o ato de comprar ao lazer. Tenha também uma postura séria durante a interação com vendedores. Descontraia somente após finalizar a compra.

  • Princípio 6: EQUILIBRAR
    Vida rica é vida em equilíbrio

    Nenhum dos princípios anteriores valerá alguma coisa se você não for capaz de conscientizar seus filhos de que a vida mais rica é aquela em que os valores pessoais estão em equilíbrio.
    Uma vida financeiramente saudável inclui capacidade de poupar e também de consumir. Ambos em equilíbrio.  prática rotineira da pais é o maior exemplo, e o peso do exemplo é imenso no aprendizado das crianças. A etapa mais difícil da educação financeira dos filhos talvez seja a adaptação dos pais aos seis princípios.

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Cofre do Benjamin

Até outro dia, Benzoca achava que existia apenas um formato de dinheiro: moedas. Marido deu um dinheirinho em nota pra mim e  para o Ben. Eu fiquei encarregada de entregar o dinheiro pra ele e se deu o diálogo:

– Filho, papai deixou um presente pra você e pra mim.

Quando ele viu o que era respondeu decepcionado:

– Ah, eu não quero esse papel, isso não é presente, eu quero o presente!

Não tínhamos nos dado conta de que não tínhamos apresentado para ele o dinheiro em nota. Foi  um momento oportuno para apresentarmos. Agora ele sabe bem os dois modelos de dinheiro, mas sempre prefere ficar com moedinhas.

Benzoca está ansioso para abrir seu cofre, que já está bem pesado e cheiro, mas a regra é abrir quando estiver totalmente cheio. Agora ele deu pra pegar o cofre e sair andando gritando: sou rico, sou rico, sou rico. Ele vive pensando o que vai comprar. Eu tento me policiar para não conduzí-lo em suas escolhas, afinal nosso papel é ensinar os filhos a darem os primeiros passos. Porém, também estou ansiosa para chegar o dia de quebrar o cofre e quero estar perto para orientá-lo em como gastar seu rico dinheirinho.

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3 respostas para “Educação financeira: ensine seu filho a poupar”

  1. Gabis, amei os passos e a tabela.
    Confesso que nesse quesito nao sou o melhor exemplo e, vira e mexe, quero presentea-los sem motivos…
    Post incrivel,
    bjs
    Lele

  2. Nossa, Gabi! Tô aqui digerindo todo esse conteúdo que eu – confesso – não conhecia.
    A questão do presente estar relacionado a uma data comemorativa, por exemplo, me é bem estranha.
    Justamente para não incentivar o consumismo, eu e meu marido temos uma prática, entre nós e que passou para o filhote, de não nos darmos presentes necessariamente nesses datas.
    Deixamos para nos presentear quando aparecer uma boa oportunidade (numa viagem ou quando estiver em promoção, por exemplo).
    Será que eu entendi errado a proposta do autor?

    • https://bossamae.com.br/novo/wp-content/themes/bossa-mae/img/img-coment.png Gabi Miranda disse:

      Então, a ideia do autor é não sair presenteando a todo instante. Principalmente, com presentes caros. Por exemplo, ele acha que não deve ficar incentivando os pequenos consumos tb em padarias, bancas de jornais, shoppings. Aqui em casa sempre damos presentes nas datas comemorativas, mas tb em datas como mencionou, numa viagem, quando a gente ganha algum dinheiro extra. Minha mãe sempre achava que a gente merecia um presente se fosse bem na escola, o que acho bacana tb pq serve de reconhecimento. A ideia do autor mesmo é não exagerar na dose dando presentes a todo instante, mesmo que sejam coisas pequenas. 😉

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