17 jun 2015

Ensina-me a ser pai

por
Gabi Miranda

Comportamento, Maternidade

ser pai

Filhos e marido tem um poder sobrenatural: o de nos levar à loucura. O primeiro consegue fazer sumir magicamente nossa sanidade mental, com 10 minutos de manha, pirraça, mal criação. Deve ser bom ser pai. Ele sempre consegue reverter qualquer mal comportamento da criança com tranquilidade, a base de brincadeira, sem stress… e louca é a mãe!

Venho há dias avaliando os comportamentos lá em casa e me pergunto: quem está certo?

Eu e marido somos pais dedicados, mas cada um tem seu jeito de educar. Ele tem um jeito de ser pai que admiro. Ele com sua leveza, jogo de cintura. Eu com punho de aço. Eu já sabia desde os primórdios da minha vida materna que seria a tirana da casa, a pessoa que faria o papel da chata. Mas ambos, somos inseguros. Eu porque carrego a fama de chata e isso me chateia um pouco porque na verdade meu intuito é apenas dar uma boa educação ao Benjamin e isso inclui apresentar-lhe limites. Marido porque desconfio que ele tem um medidinho de carregar esse peso de ser pai chato. Não sei, estou aqui com meus devaneios… Só sei que seguimos os dois na tentativa de sermos os pais que idealizamos ser um dia e com a mesma coisa em comum: dar uma base sólida  de educação ao Benjamin.

Limite não é de todo ruim. É a partir dele que um dia nossos filhos construirão sua estrada. É o que norteia os caminhos a serem escolhidos, quando devemos trocar de rota ou seguir em frente. É o que nos fortalece. É nossa missão transmitir segurança aos filhos, mas um dia eles deverão seguir os próprios passos, riscos e construir suas vidas. E sem limite que tipo de construção eles farão: palha ou tijolos?

As gerações dos nossos filhos são diferentes dos filhos que fomos. As crianças hoje em dia são mais espertas e sabem como nos perturbar. Estamos lidando com pequenos tiranos, inteligentes e ousados até demais. Outro dia mesmo, Benjamin me desafiou “se eu não assistir o desenho do Bob Esponja, vou fazer manha e não vou tomar banho na hora que você falar!”. Oi??? Assim na lata! Eu só pensei “veremos!”. Ao comentar isso com o marido, recebi de resposta “você não sabe educar ele, comigo Benjamin não faz essas coisas”. O que está acontecendo com os homens da minha casa? Ou o problema será comigo?

Outro dia li no Mundo Ovo:

Enquanto corremos com a rotina multi-mulher, casa, trabalho, criança porque nessa hora a gente se esquece de ser alguém, os pais seguem a rotina casa, trabalho, assistir o futebol ou jogar futebol e brincar com o pequeno. Existe uma grande diferença: para a mãe a criança entra como tarefa e depois como diversão. Nem todo banho é divertido e não há como ter satisfação em lutar para colocar a roupa ou trocar a fralda, escovar os dentes ou simplesmente planejar tudo isso. Essa rotina cansa e nos faz querer que o pai seja mais mãe. O que esquecemos é desejar ser mais pai.

No momento, quando penso que temos mais um filho (a) chegando, só consigo ter um desejo. Quero muito ser mais pai e que marido seja mais mãe também. Quero ter um pouco desse dom que só os pais parecem possuir, deixar tudo rolar numa boa, sem muitos “nãos”, ordens e limites. Não quero que meus filhos entrem como mais um item da minha lista de tarefas. Quero aproveitar melhor o tempo junto com eles sem pressão. Mas sinceramente, não sei bem como fazer isso e sinto que preciso de ajuda. E queria que o marido incluísse uma pitada de limite na educação do Ben e se puder desejar um pouco mais, que se intrometesse quando Benjamin passasse do ponto nas “manhices” que tem feito pra mim e me ensinasse ser um pouco pai.

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Uma resposta para “Ensina-me a ser pai”

  1. […] com sua leveza, jogo de cintura e senso de humor. Eu sou a chata e venho tentando mudar isso, pois pedi para o marido me ensinar a ser um pouco pai também. Porque, afinal, eu não quero carregar a fama de chata para o resto da vida, até porque […]

  2. […] Para quem está de fora até pode imaginar que sou uma carrasca. Mas além de todo o cansaço das primeiras semanas com um RN em casa, ainda não tinha caído a ficha que eu também havia sido promovida. Agora eu era mãe de dois e isso exigia de mim, entre outras coisas, paciência e respeito para com meus filhos. Compreendi que as poucas manhas do Benjamin eram também um pedido de atenção, um grito “olha, continuo aqui, não me esqueça”. Passei a policiar o meu comportamento para que não refletisse no comportamento do meu filho mais velho. Comecei a levar as coisas de maneira um pouco mais leve, como brincar ao invés de mandar impacientemente ele pro banho. Ou seja, agora tento fazer de forma mais convidativa e leve ele realizar as tarefas corriqueiras, como jantar, guardar os brinquedos, etc. Coisa que marido sabe fazer bem melhor que eu (leia AQUI). […]

  3. Lele disse:

    Adorei Gabis!
    Parecia que você tava falando daqui de casa… heheh
    Tb queria ser mais pai de vez em quando.

    beijos
    Le

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