01 nov 2013

Estamos de mudança

por
Gabi Miranda

Livros, Uncategorized

 A mudança em si é um ato, um evento, algo físico, geográfico. A transição é um processo, uma passagem de um lugar para outro, de um estado de espírito para outro. E isso requer adaptação, já que exige deixar algo para trás e começar algo novo….

O grau de dificuldade de adaptação depende da relação entre as culturas, da personalidade de cada integrante da família, do modo como a mudança é enfrentada, do grau de estabilidade familiar e da recepção do novo contexto.

São muitas as dificuldades na mudança de uma família de um lugar para outro, especialmente quando há filhos. A tendência é levá-los como se fosse parte da mobília da casa. Porém, é importante que eles façam parte de todo processo de mudança, para que a transição seja mais fácil. Afinal, quando os filhos não vão bem, a família também não o vai.

A mudança pode ser uma oportunidade ímpar para a família se unir, reavaliar a dinâmica da vida, olhar para trás e rever as boas memórias, bem como olhar para frente com expectativa e esperança.

 *

Esse trecho é do livro Estamos de Mudança, Alicia Macedo, que recebi de presente já faz alguns meses da editora Ultimato. Confesso, li só agora. Acredito que livros caem na nossa mão em hora certa. Esse trata dessas questões acima, mas é focado especificamente em assuntos para famílias que vivem em mudanças geográficas. Não é o nosso caso, que será uma mudança apenas de bairro. No entanto, fala sobre alguns temas que cabe ao nosso momento e que me trouxeram algumas reflexões: da preparação da família para uma mudança, o choque cultural, o modo de lidar com as perdas, a continuidade e a descontinuidade, o papel fundamental da mãe.

Até agora não tinha pensado tanto no impacto dessa mudança em nossas vidas. Mesmo que seja uma mudança de um bairro para outro, essa será uma mudança que trará um certo choque emocional. Primeiro: eu e marido nunca moramos em apartamento. É uma grande novidade para nós e será também uma fase de grande adaptação. Desde que pegamos as chaves, já andei me relacionando com outros moradores do condomínio. Além de adaptação cultural – existe sim esse aspecto quando se envolve um grupo, mesmo que da mesma região geográfica as pessoas tem personalidades diferentes, tem também a adaptação ao novo, às novas regras, ao convívio.

Com relação ao Benjamin não vejo muito problema. Sinto que ele já percebe que algo está acontecendo. Toda vez que vamos ao apartamento eu procuro conversar com ele e dizer que aquele lugar é a nossa nova casa e será nosso novo lar. Talvez ele não tenha a extensão exata do que esteja acontecendo, mas sei que ele tem a percepção de que algo diferente vai acontecer. Também acredito, e no livro mesmo diz isso, que as crianças se adaptam melhor e mais rápido às mudanças do que nós adultos.

Tenho pensado muito na questão do elemento descontinuidade, que diz respeito as coisas que são importantes para a pessoa e que lhe dá um senso de segurança e pertencimento. Para as crianças maiores e adolescentes, é algo a ser pensado e trabalhado quando a família está em mudança (são por exemplo: animais de estimação e amigos). No caso do Benjamin, ele é tão pequeno que acho que ainda não tem esse senso de pertencimento, o que trará isso para ele e que vai junto conosco na mudança, acredito que é nossa cachorrinha Capitu.

Acho que pra mim esse sentimento de descontinuidade e continuidade é ainda maior. Principalmente o da descontinuidade. A casa em que moramos, embora não seja nossa, foi o nosso lar até aqui. É o lugar que fala um pouco da nossa história, de lembranças que estão no coração. Como por exemplo, a chegada do Benjamin. Foi para esse lugar que fomos quando saímos da maternidade. É o lugar que ocorreu parte importante do desenvolvimento do Benzoca, é o lugar que reconheço o início da nossa relação mãe e filho. Parte da nossa vida e da nossa história pertence a essa casa.

É claro que vou levar comigo objetos que me farão reconhecer parte dessa nossa trajetória. Mas a partir do momento que sairmos vai acontecer uma ruptura, vou perder a relação com o ambiente onde vivemos tudo isso, como o nosso lar, a descontinuidade para então ocorrer a continuidade da nossa história.

Cuiroso que o livro diz  que “as mães tendem a sentir esta perda de identidade com certo atraso em relação ao resto da família. No início, a mãe tem seu papel bem definido: ajudar os filhos e o marido na transição; ela se dedica a isto e, assim, se sente segura”. Sim, a mãe é meio que o porto seguro dessa transformação, assim me sinto. Até o momento eu só me vi em volta das coisas que tem para serem feitas e resolvidas.

Não estou achando nada triste esse lance de mudar, muito pelo contrário. Eu gosto de mudanças, desafios e não tenho medo. Mas sou por natureza nostálgica e seria impossível não pensar nessas pequenas perdas, na história que vivi nessa casa. Eu já vinha pensando sobre tudo isso, mas a leitura desse livro despertou lembranças e reflexões que com certeza viriam à tona mais tarde.

Não vejo mudança como algo dramático e nem quero fazer da nossa isso. Enxergo essa mudança com muitas coisas boas e positivas. Está sendo sim um momento de olhar para trás e relembrar a nossa história e como chegamos até aqui. Mas é acima de tudo um momento de olhar com graça para frente, pensar na continuidade, criar novas metas, fazer novos planos, fazer da nossa nova casa, o nosso novo lar – um lugar cheio de emoções, calor e histórias para contar.

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2 respostas para “Estamos de mudança”

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  4. […] mudança não teria sido possível, ou melhor, não teria tido o sucesso que teve. No livro “Estamos de Mudança“ diz que as mães tem um papel bem definido: ajudar os filhos e o marido na transição da […]

  5. Essa questão da descontinuidade me afeta, porque na primeira infância do Dani e do Pedro mudamos muito, de casa e de estado. Não foi bacana isso para eles, embora tenhamos feito o que achamos necessário na época… Já com o Felipe, que ainda tem 4, quero criar raízes e resgatar isso nos mais velhos, mesmo sabendo que a casa atual é alugada e que somente a próxima, daqui a uns dois anos, será nossa. É importante manter as referências, mesmo com demandas que atrapalhem.

    Beijos, adorei o post!

  6. Rose Misceno disse:

    ADOREI!!!!!! O trecho que você destacou é perfeito! Como você sabe, mudei há 15 dias e me adptei melhor do eu imaginava. Me sinto como se morasse aqui há anos. E não falo do bairro já que minha vida era quase toda aqui, falo do apê mesmo, do espaço físico que embora ainda não esteja arrumado, já parece ser tão meu que nunca mais lembrei do apê antigo, só lembrei agora.
    Quando você comenta a relação da mãe com a casa, destaco ainda que casa é um substantivo feminino e se pensarmos bem a casa é como um útero materno, abriga pessoas, vidas em desenvolvimento, imagino que por isso essa relação da mãe com a casa seja tão forte!

    Beijos.

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