20 abr 2018

Julgamentos maternos

Julgamentos maternos existem e estão entre nós mães

Fala-se muito que mães são julgadas, mas as próprias mães vivem de julgar umas às outras. Com essa tecnologia avançada, blogs, redes sociais, ninguém, nenhuma mãe escapa dos julgamentos de outras pessoas, inclusive de mães. Há uma linha tênue entre preocupação em saber como você faz determinadas coisas com seus filhos (para que a pessoa experimente na sua vida também) e o tal julgamento.

Vamos ver o que o Wikipedia tem a dizer sobre julgamento:

O termo julgamento geralmente se refere a uma avaliação que considera uma série de fatores ou provas para a formação de uma decisão embasada. Esse termo possui diversas acepções, como a psicológica, que é usada em referência à qualidade das capacidades cognitivas e adjudicação de particulares, normalmente chamado sabedoria ou discernimento; a religiosa, que é utilizada no conceito de salvação para se referir ao julgamento decisivo de Deus na causa com recompensa ou punição para cada ser humano; e por fim, a mais conhecida, jurídica, que geralmente se refere a uma decisão justificada proferida pelo juiz.

Ou seja, o conceito de julgamento, significa o ato de emitir um juízo, a faculdade de discernimento, de formular uma opinião, um parecer ou ainda uma apreciação, seja favorável ou não. E em sua maioria das vezes, no caso das mães, nunca é favorável. Analisemos um assunto polêmico:

Dá para viajar durante o período escolar?

Se você está, aparentemente, viajando muito, alguém começa a estranhar e perguntar da escola das crianças. Você entende que a pergunta é para entender se é possível as crianças viajarem mesmo em período escolar. Genuinamente, responde como procedeu. Passa algumas semanas e você viaja novamente e vem a mesma pergunta, da mesma pessoa: e a escola das crianças? Cai a sua ficha, não é uma pergunta genuína. Vem a confirmação, quando a pessoa diz: fico pensando se você não está prejudicando seus filhos viajando com eles em período escolar. Prestem atenção na frase! Tem emissão de juízo aí. Está dizendo inúmeras coisas subliminares sobre a sua maternidade.

Por que uma mãe faria algo para prejudicar o próprio filho?

O que faz uma pessoa, uma outra mãe, achar que você, mãe, faria algo para prejudicar seus filhos? Sério, eu me faço essa pergunta porque não entra na minha cabeça o porquê uma mãe prejudicaria um filho. Acredito verdadeiramente, que nenhuma mãe faz algo que possa prejudicar um filho. Que as decisões tomadas são analisadas de acordo com as necessidades familiares. Se uma mãe leva seu filho para uma viagem em período escolar, ela muito provavelmente, conversou com a escola, fez contas das faltas, avaliou os melhores dias – aqueles que não afetaria o desempenho escolar da criança, fez combinados com o filho para recuperar o conteúdo perdido. Enfim… é como eu agiria, ou melhor, ajo, aqui em casa.

Posto isso, penso em outras questões a serem avaliadas. Por exemplo, em que ano escolar essa criança está? Será tão prejudicial assim algumas faltas por conta de uma (duas, três) viagem? Quando você teria a oportunidade de realizar essa viagem de novo? Seria a mesma coisa, considerando a idade do seu filho agora? As experiências que seu filho vai viver nessa viagem são enriquecedoras? Tenho uma opinião muito bem definida (e não radical) em relação a isso, algumas vivências são bem mais enriquecedoras para as crianças do que uma sala de aula.

Vamos parar com julgamentos maternos e respeitar mais umas às outras

Julgamentos maternos são os que mais existem. E confesso que me incomoda um pouco. Porque se vem de uma pessoa que não é mãe, penso: o que essa pessoa tá falando, não tem nem propriedade para isso. Entra por um ouvido e sai pelo outro. Mas julgamento de mãe para mãe?!

Analisando afetivamente, acho que sim poderia ser mesmo uma dúvida genuína da pessoa que pensa que você pode estar prejudicando seu filho o fazendo matar aula, mas isso, só se a pessoa desenvolver o assunto contigo. Com esse lance de internet, na maioria das vezes, a pessoa emite o juízo a seu respeito e some. Isso é o que mais tem na internet, gente. Desconfio que nos escondemos atrás das nossas telas. Falamos o que pensamos, julgamos as mães que acompanhamos pelo mundo afora digital e tá tudo certo.

Não está tudo certo! Não é justo julgar outras mães só porque ela leva uma maternidade diferente da sua. Sua verdade não serve para todas as mães, assim como a verdade de outras mães não servem para você. Já é muito difícil maternar e porque precisamos apontar o dedo umas para as outras? Por que comentar algo que poderá gerar ainda mais culpa para outra mãe? Para que rotular as mães que fazem diferente de você ou que fazem coisas que você faria diferente? Fórmulas existem de monte. O politicamente correto seria nenhuma família viajar com seus filhos em época escolar. Amamentar exclusivamente no peito por seis meses. Fazer parto natural. Oferecer para as crianças só comida de verdade. Não perder a paciência com seus filhos. Gritar jamais. Usar fraldas de pano porque são mais favoráveis ecologicamente. Pra que tanta pressão, tanta cobrança?

Somos todas mães em construção

Eu sou uma mãe em construção. Não é porque tenho dois filhos que sou expert no assunto, já sei de tudo. Tô longe disso e cada fase de vida deles, penso qual seria a melhor maneira de lidar com determinada situação. E me deparo com o quanto tenho que evoluir ainda. Sempre é tudo novo. É como dizem, maternidade parece um jogo de videogame, quando você está se dando bem, muda a fase do jogo.

Não quero seguir regras, receitas e fórmulas. Quero tentar o que pode dar certo para minha família. Quero trocar experiências e quem sabe, experimentá-las na minha vida. Se der certo, deu. Se não deu, bora para outra tentativa. Quero experimentar o meu jeito de maternar. Respeitando os meus limites e os limites dos meus filhos. Assim como os filhos, mães são seres ímpares. Não tem um jeito único e certo de ser mãe. Na maternidade não existe esse negócio de certo ou errado. Existem tentativas que geram erros e acertos. Existe a sua realidade e seus filhos que não não são iguais aos de mais ninguém. Não existe melhor mãe que você para o seus filhos.

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2 respostas para “Julgamentos maternos”

  1. Trip Baby disse:

    Gabis, você disse o que todas gostaríamos de dizer!
    Concordo plenamente, cada família é única, cada filho é único, cada mãe é de um jeito.
    Se todos julgassem menos, e aceitassem mais, tudo seria infinitamente mais fácil.
    Parabéns pelo ótimo texto!
    E eu penso que viajar é um conhecimento tão enriquecedor, que nenhuma escola ou faculdade trás, e que se a família avaliar como positivo tal experiência, porquê não realizá-la?

  2. […] Um relato-quase-desabafo sobre a maternidade possível de cada uma e os infinitos julgamentos maternos. […]

  3. Eu costumo dizer que o certo é o que funciona para a tua família. Simples assim. Precisa-se testar para ver se funciona.
    Ah! E sobre as viagens, faço coro contigo: “algumas vivências são bem mais enriquecedoras para as crianças do que uma sala de aula”. Sem dúvidas!

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