03 out 2016

Mapa astral da maternidade

Mapa astral da matenridade
Texto de Denise Fraga, extraído do livro Travessuras de Mãe

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Mapa Astral da princesa Charlotte, por Glamurama

 

“Não aredita em Deus? Tenha filhos.” Era o que costumava dizer o ver o milagre cotidiano daqueles serzinhos crescendo ao meu lado.

Também voltei a rezar e a me comunicar com muito maior frequência com o pessoal lá de cima, porque, mesmo que você não tenha o hábito, quando vira mãe, acaba rezando. Tenho uma amiga às voltas com a escola do filho. Olho-a com compaixão, pois já passei pela angústia. Já depositei as minhas esperanças no “pedagogês” das coordenadoras, na doce ilusão de que teria uma trilha a seguir, um método novo de formação de um ser melhor para este mundo de meu Deus. Meus filhos estão agora co, doze e dez anos e, cada vez mais, acho que a melhor receita é mesmo rezar. É claro que a oração pode e deve estar acompanhada de todo o arsenal investigativo de mãe, incluindo até os cursos de shantala, as iogas para bebês e os livros de autajuda. Tenho quase um metro deles na minha prateleira, pois confesso que não resistia aos títulos cheios de promessa de que seria a melhor mãe do mundo se os lesse. Mas o tal manual, a receita, o caminho a seguir, acho que todas as escolas, os livros e até as religiões do mundo ficarão nos devendo. Ainda mais quando a matéria é a enigmática formação do caráter do cidadãozinho.

Gosto da astrologia. Na minha opinião, nossos bebês deviam sair da maternidade com um mapa astral anexado ao teste do pezinho. Como faziam os povos antigos. No nascer da criança, o destino. É claro que tudo depende da interpretação de um bom astrólogo, de autosugestão, livre-arbítrio etc., mas que um mapa astral tem seus aspectos científicos tanto quanto um teste de laboratório, acho honestamente que tem. Acredito até que, se estudássemos astrologia na escola, estaríamos mais bem aparelhados para compreender a imperfeição humana.

Meus filhos nem tinham dentes e já tinham mapas. Não li na época. Quer dizer, li, curiosa e voraz, quando chegou o envelope, mas parei no meio com certo desconforto, me achando neurótica por tentar extrair características de escorpião no gugu-dadá do pequeno Nino. Algumas vezes, voltei a pegá-los no envelope que amarelava e folheei, buscando ajuda. Consegui compreender que alguns dos “defeitos” deles eram traços de personalidade, e o que eu tinha a fazer era auxiliá-los a esticar um pouco o elástico pro lado contrário.

Mas receita? Manual? Não adianta, queremos, mas não, ela não existe.

Quando nos tornamos mães, fazemos uma colcha de retalhos catando experiências e leis aqui e colá, na vã tentativa de sermos a melhor mãe do mundo. Hoje, acho que a única receita, melhor até que rezar, é afeto e presença. E isso não pode ser demais e não é garantia de nada. Só quero ajudar meus pequenos a compreender que a perfeição não existe. Que a busca dela nos angustia, mas também nos faz crescer. Nossos filhos nos surpreendem com ingredientes fora de qualquer receita, que nos ensinam muito mais que qualquer cartilha e, assim, com tudo fugindo de nossa mão, é que compreendemos que fomos simplesmente escolhidos par viver juntos, para que todos extraiam dali o seu melhor, ou, no mínimo, a sua missão nessa roda. 

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