19 out 2021

Meus 40 anos! Enfim, Perennial!

por
Gabi Miranda

Autoconhecimento

Em abril de 2021 completei meus 40 anos. Esses dias estava pensando que praticamente completamos 2 anos em pandemia. Quase dois anos que não escrevo aqui. E antes disso, eu passei dois anos sonhando em completar 40 anos. Completei. Todo ano reflito sobre como foi meu ano anterior e faço uma lista de desejo para o próximo. Em abril de 2020, tinha começado a pandemia e eu não imaginava ainda tudo o que estava por vir.

40 anos

Escrevi isso no dia do meu aniversário, em meu perfil no Instagram

Hoje quero agradecer a vida por tudo o que eu esqueci de agradecer durante esse ano que passou. Pelas coisas boas e não tão boas também. Mas isso não quer dizer que não farei nenhum pedido. Na verdade, tenho alguns pra fazer. 🙈 Eis a minha wishlist:

Para meu último ano na casa dos 30, desejo correr ao ar livre, fazer diariamente pelo menos 40 minutos de atividade física, não abandonar a yoga. desejo meditar mais, silenciar, estar cada vez mais sintonizada com minha espiritualidade e fortalecer a minha fé. desejo assistir mais filmes com as crianças e ser mais divertida para eles. ouvir mais música. renovar as flores da casa de tempos em tempos. comer muito queijo emmental. tomar vinho tinto (e piscine também 😜). ir a um show que me faça chorar de alegria. desejo dar menos explicações. 8 horas de sono. banho de mar. dias de sol. brigar com ninguém. não ter razão. não perder a delicadeza diante da opinião diferente dos outros. aprender algo novo. não ouvir má notícia. desejo mais humor e leveza. aceitar minhas imperfeições. elevar minha coragem. desejo me desapegar do peso da expectativa. desaprender de velhos comportamentos e aprender novos mais saudáveis. menos despedidas e mais encontros. desejo pausas. e tudo mais que servir de paliativo para o caos em que vivemos nos dias atuais. desejo ser feliz ao meu modo. e que o mundo se cure para que todos possam desfrutar de pequenos prazeres. ⠀

Será que é abusar de Deus essa lista de pedidos?

Um ano passou num piscar de olhos e de lá pra cá tanta coisa aconteceu. ⠀

Perdi uma amiga. Perdi dois tios, irmãos do meu pai. Abri espaço para o perdão em meu coração. Comecei a meditar. A fazer yoga. Curei feridas. Deixei pra lá. Criei uma nova empresa (a Pudim Terapia) e tudo começou a mudar mais ainda. Comecei a fazer terapia. Completei meu tão sonhado 40 anos. Virei a moça da latinha mais famosa do mundo (veja AQUI). Aprendi a ter mais fé – essa coisa misteriosa – que nos salva no meio do desespero. Chorei. Como eu chorei em 2020!!! E me fez muito bem. Se a gente não põe o choro em dia, não dá pra seguir da maneira que desejamos: com leveza e humor. ⠀

Eu amo ficar mais velha. Isso porque há alguns anos – acho que depois de perder minha mãe, mudei minha perspectiva de enxergar a vida. Vejo cada dia como um presente, mais uma oportunidade para realizar e ser feliz – e não como uma pressão, uma cobrança da sociedade, mas uma escolha minha mesmo. Há 7 anos, escolhi não fazer da vida um muro de lamentações, não fazer fofoca (afinal, como diz o trade das redes sociais “minha meta é fazer dinheiro, fofoca eu deixo para quem tem tempo” hahaha), tentar enxergar o lado bom da vida, a ser grata – afinal, a gratidão faz coisas maravilhosas acontecerem.

Nos tempos atuais, envelhecer é um privilégio.

Ainda mais num período como foi 2020 e 2021. Anos em que revimos a vida e que encaramos de frente a morte. Se tem uma coisa que me nocauteia é a morte. O tanto de coisa que ela arrasta pra nossa vida. Os dias do primeiro ano que parecem ter 100 anos. O tamanho da ausência que ela causa. A dor que ela enfia goela abaixo na vida das pessoas que amamos. No desafio que é transformar a falta e a dor em recomeço e continuar caminhando e cantando e dançando e trabalhando… e cuidando dos filhos. Mas é ela também que nos lembra: dedicamos menos tempo do que deveríamos às pessoas que amamos. Perdemos muito tempo brigando ou discutindo. E a pandemia jogou tudo isso na nossa cara mesmo que a gente não tenha perdido ninguém para o COVID.

Se eu já queria celebrar meus 40 anos aos 38, imagina depois da pandemia. Senti um desejo profundo de celebrar a vida. Não teve festa. Não teve viagem. Mas celebrei de um jeito inesperado, fazendo algo que sempre sonhei e que morria de medo. Quarentei nas alturas, a bordo de um balão.

40 anos

Sei lá como celebrei cada década da minha vida, mas os meus 40 anos foi em grande estilo. Perto do sol. Quarentei lindamente, em plena quarentena, nas alturas, acompanhada de pessoas com as quais compartilhamos esse último ano e meio.

Mas olha como o tempo passa rápido. Aos 10 a gente vive sem preocupação nenhuma. Aos 20 entramos na faculdade e começamos a explorar um pouco mais soltos o mundo. Aos 30 já estamos fazendo planos de casar e ter filhos. Aliás, eu lembro como celebrei meus 29 anos. Eu também estava louca para completar 30 anos. Fizemos uma festa em casa. Eu e Piffer já éramos casados. E na hora do bolo, todos os convidados começaram a chamar meu pai de “vovô, vovô, vovô”… e naquele mesmo ano engravidei do Benjamin. Então, nos meus 30 anos eu tive muito o que celebrar. Eu tinha dois corações batendo dentro de mim.

Uma amiga me disse que os 40 é o ponto do que já estava bom pra algo melhor ainda.

Desconfio que ela esteja certa. A vida está boa. Leve.

Perto de quarentar, eu andava com muito medo. De várias coisas. Até que um dia marido me disse assim: “esse medo não combina com você”. E aí caiu uma ficha, realmente é muito démodé pra mim. Mas sim, eu sinto medo e lembro até hoje o motivo de tatuar a frase da coragem no meu braço (“o que a vida quer da gente é coragem”). Eu queria pedir demissão e estava com medo. E tudo bem sentir medo, mas não podemos deixar de fazer o que queremos por conta dele. O passo que a gente fica com medo de dar, pode ser o que vai mudar tudo. Por isso, a coragem tem seu papel essencial.

Sentindo medo, disse que meu lema para os 40 anos é exercitar mais a minha coragem, é fazer coisas que me dão medo, que me causam frio na barriga, que me tirem da zona de conforto. Então, o passeio de balão – que era um sonho antigo, veio de encontro com essa fase. E tantas outras coisas depois também – como, por exemplo, abrir um espaço físico da Pudim Terapia.

Quanta coisa acontece em uma década, não é mesmo? Às vezes a gente acha que não realizou nada na vida, mas se pararmos pra pensar, vamos ver o tanto de coisas que realizamos. Eu fiquei de queixo caído quando dia desses parei pra refletir no tanto de coisas que fiz nas áreas diversas da minha vida. Mas foi porque uma pessoa me enviou uma mensagem perguntando “como eu tinha conseguido fazer tanto sucesso da noite pro dia”. hahahaha Sabe de nada inocente!!! E eu só fiquei pensando no quanto estou apenas no começo da montanha, de tudo o que ainda quero realizar. Eu penso muito em: como quero estar daqui a 5, 10,15, 20 anos. Como quero estar aos 50, 60! Na verdade, eu não consigo pensar nos 60 ainda. Minha mãe faleceu aos 59 e eu fico achando que vou morrer com a mesma idade. Mas estou destravando isso.

Voltando a celebração dos 40 anos.

Em algum momento, me senti frustrada em completar meus 40 na pandemia. Mas passou. Porque tenho a estranha mania de lamentar a frustração e logo depois ressignificar. Pode não ser no primeiro momento, afinal sou humana, mas consigo enxergar o lado bom do lado ruim. E o que vale dessa vida, é o significado que damos a ela.

Quis fazer esse registro aqui, pois a partir dele, vou lembrar o tanto de minhas realizações e o tanto que amo envelhecer e viver.

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