17 dez 2015

O dia em que meu filho caiu na piscina

por
Gabi Miranda

Comportamento, Destaque, Filhos

Inner Tube in Swimming Pool

Domingo ensolarado. Dia de curtir piscina. Dia em que meu filho caiu na piscina e vi alguns segundos se tornarem uma eternidade. Alguns segundos apenas, um pequeno descuido para lhe mostrar o quanto a vida é frágil e valiosa. Benjamin caiu na piscina de adulto no último domingo. Em nosso condomínio, a piscina de adulto tem uma parte bem rasa que cobre apenas os pés, local onde a criançada adora brincar sempre com supervisão. Benjamin estava ali e me chamou para ver um bichinho que estava dentro da piscina, na parte funda. Ele ajoelhado na ponta da parte rasa começou a balançar a mão para afastar o bichinho, se desequilibrou e no instante que virei a cabeça para o lado oposto, ele caiu. Quando voltei a olhar, só o vi dentro da piscina com os olhos arregalados que me pediam ajuda.

Eu não sabia o que fazer, se pulava com a Stella no colo, se largava ela na parte rasa sozinha, só me lembro de dar um passo pra frente e outro pra trás e quando consegui dizer algo, foi “meu Deus”. Marido assistiu à queda, correu de onde estava, pulou na piscina de roupa, celular no bolso e resgatou nosso filho. Foi tudo tão rápido que o cara que estava nadando ao lado do Benjamin, quando foi tentar ajudá-lo, o viu no colo do marido. Foram segundos suficientes para me deixar apavorada, desnorteada e arrasada o domingo inteiro. Passado o susto, Benjamin ficou tão bem que em seguida voltou para piscina com o pai. Acho que numa tentativa de fazer o garoto esquecer o ocorrido e não deixa-lo traumatizar, marido teve a ideia de levá-lo de volta para a piscina. Percebi que marido também havia ficado tenso.

Tremendo, fiquei ali sentada, com Stella ainda no colo, observando marido e Benjamin. O choro engasgado. Passou um tempinho e meu filho pediu para subir. Eu queria o mesmo. Subimos e eles foram para o banho. Enquanto eu estava na sala, ouvia a conversa deles. Benjamin dizia que tinha sentido muito medo, mas que ao cair pareceu o Superman, em O Retorno. Mesmo esbanjando seu ar espirituoso em seus comentários, meu peito estava quase explodindo, uma sensação terrível, me senti uma merda por não ter feito nada, por não ter pulado na piscina com a Stella no colo (sei lá como seria se isso acontecesse). Não consigo esquecer os olhos do meu filho me pedindo ajuda e eu ali sem saber o que fazer. E se eu estivesse sozinha com eles, como muitas outras vezes?! O que eu teria feito? Teria ao menos conseguido gritar? Segundo o marido, não gritei porque não houve tempo. Sim, eu teria gritado…

Minha mente ficou tão alerta que já estipulei várias táticas, observações e cuidados que devo ter. Até o retorno do Benjamin à natação virou meta para 2016. Ele fez por um tempo, aí o professor que ele gostava e confiava saiu e ele foi perdendo o gosto pelas aulas. Fiquei com medo que isso se tornasse um peso e com medo dele pegar desgosto pelo negócio, resolvi tirá-lo por um tempo. Depois desse incidente, expliquei a ele a importância de aprender a nadar. Eu não sei, e até medo de colocar a cabeça embaixo da água, eu tenho. Não quero que meus filhos tenham esse medo. Saber nadar é questão de sobrevivência. Benjamin foi incrível nesse episódio porque não afundou e conseguiu balançar braços e pernas num movimento que o mantinha em cima e o que fez ele quase não engolir água.

Milhões de coisas passaram pela minha cabeça, das piores até um sentimento genuíno de gratidão. Gratidão por ter sido apenas um susto, por marido estar ali perto, por ter um filho tão maravilhoso, saudável e feliz. E por várias outras coisas, como gratidão pela casa bagunçada com brinquedos, tralhas de crianças espalhadas, tudo fora do lugar. Quando foi mesmo que isso passou ser um incômodo?! De repente tudo passou a ter mais sentido, mais valor, mais graça.

Desse episódio, ficam algumas reflexões, aprendizados e duas coisas que não podemos esquecer nunca. A máxima de que toda atenção do mundo é pouca quando se trata de crianças. Anjos da guarda existem.

“Mãe, hoje quando eu caí na piscina, a vovó Salete estava do meu lado me ajudando de anjo da guarda, aí veio o papai e me salvou. Ele é o nosso herói.” Meu Ben, 4 anos.

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