09 set 2013

O dia em que (re)conheci Deus

por
Gabi Miranda

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Ao ler o post Minha filha nasceu e eu briguei com Deus, da minha amiga Mãejestade algo ascendeu (de atingir determinada importância) dentro de mim.

Eu não tenho religião (e tenho dificuldade para falar a respeito), embora tenha casado na igreja católica e tenha batizado o Benjamin na mesma igreja. Sempre acreditei que existe algo muito maior que rege tudo a nossa volta. Acredito em vida após a morte e em outras vidas – prefiro acreditar nisso a ter que viver uma vida inteira pensando que quando eu morrer, serei enterrada cremada  e puft…acabou-se tudo.

Meu pai é ateu e minha mãe tem fé. Ela já teve todas as religiões possíveis até que se encontrou na Seicho-no-ie. É pra ela que recorro quando preciso que intercedam por mim. Simpatizo com o espiritismo, catolicismo e, principalmente, com o budismo – por muito tempo meu ídolo foi Dalai Lama e conservo vários livros que li dele.

Eu vivo dizendo que minha vida se divide em antes e depois do Benjamin. Parece óbvio, mas realmente sinto uma transformação não só comportamental, mas algo lá dentro de mim. Já me peguei diversas vezes falando “eu acredito nos seres humanos agora que tenho Benjamin; depois dele passei a agradecer mais”; e assim por diante.

Minha gravidez foi planejada, como quase tudo na minha vida é. Parei de tomar remédio 6 meses antes do ano que imaginava engravidar. A ideia era engravidar em 2011, então parei de tomar remédio em agosto de 2010 e em setembro me descobri grávida. Só que eu tinha sérios problemas psicológicos com relação a hospital, agulhas e afins (não guardo nenhum trauma, mas sentia um medo imensurável). Quando soube que estava grávida entrei em pânico. Um medo incontrolável tomou conta de mim.Tive um descolamento e fiquei de repouso. Passei os 4 primeiros meses passando muito mal e hoje credito isso tudo ao medo todo que sentia (algo que nunca saberei ao certo, mesmo sabendo que é normal as mulheres passarem mal nos primeiros meses de gestação). Eu acordava passando mal e ia dormir passando mal.

Não conseguia comer nada e vomitava a todo instante. Dava entrada no PS constantemente. Fazia exames, tomava soro. Meu obstetra disse que eu estava com depressão e me fez sair do consultório cheia de antidepressivo. Chorei horrores naquele dia e decidi que ao invés de tomar um comprimido daqueles, eu mudaria de médico. Foi o que fiz.

Meu novo obstetra disse que aquilo tudo passaria e me transmitiu segurança. Ele disse: um dia você vai acordar e não vai sentir nada, nem vai lembrar que passava mal. Dito e feito. Um belo dia acordei e não senti nada, estava nova em folha. Após esse período, tive muita disposição. Com o tempo fui deixando de pensar nos meus medos e outros tomaram lugar. Um deles era que mesmo após algum esforço, não conseguia comer verduras e alguns legumes, pensava que não estava repassando os nutrientes necessários para o meu bebê. Entrei em crise. Achava que o bebê nasceria com algum problema e seria tudo culpa minha.

Nesse período todo, diversas vezes me peguei conversando com Deus. Pedia para que nada de mal acontecesse ao meu bebê e que ele nascesse saudável porque não tinha culpa da mãe que tinha.

Quando o bebê (refiro-me assim porque ele ainda não tinha nome) começou a mexer, foi a sensação mais maravilhosa e indescritível do mundo. E a cada ultrassom eu ficava muito impressionada com a experiência de poder gerar outro ser dentro de mim. Nunca havia pensado nisso com tanta intensidade como pensei durante toda a gestação. No milagre e magnitude que é gerar outra vida dentro de nós. No corpo da mulher ser preparado para isso. Não é coisa só da natureza. Vai além.

Quando colocaram aquele pacote de 52cm nos meus braços, com aquele rostinho, mãozinhas, pés, cada partícula perfeita… sentir sua pulsação, sua respiração….foi ali que de fato conheci Deus. Durante esses dois anos Deus esteve presente na minha vida, talvez estivesse a minha vida toda. Mas sinto a presença Dele nesses dois anos! Basta olhar Benjamin saudável, correndo, cantando pela casa, sorrindo.

Sinto que minha fé não é algo inabalável. Estou sempre a espera de algo que vai me provar que Ele não existe. Esse sentimento se deve ao fato de achar que eu nunca mereço algo tão maravilhoso e divino, estou sempre com um pé atrás achando que a qualquer momento algo ruim vai acontecer. Tenho um (pres)sentimento com relação ao Benjamin, que me tira do prumo toda vez que vem assombrar minha mente. Nessas horas converso com Deus – embora tenha certa dificuldade em fazer esse contato, e Ele de uma forma ou de outra me tranquiliza. Desconfio que Deus sabe da minha pouca fé e, talvez por isso, ele age todos os dias na minha vida…

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7 respostas para “O dia em que (re)conheci Deus”

  1. Juhana Pereira disse:

    Olá !!!!
    Adorei seu blog, e concordo com você quando diz que existe o antes e o depois dos filhos. Meu mundo concerteza e bem melhor depois do nascimento da minha filha e por isso me apeguei mais ainda a minha religião. Sou católica, apostólica, romana e carismática. Não e bom um católico ficar ‘siscando de religião em religião’ isso e ‘ católico de IBGE’. Eu acho que falta você se encontrar de verdade com Jesus, porque Ele e maravilhoso e só Ele para proteger nossos filhos desse mundo terreno. E pense em todas as atividades na igreja que seu filho vai ver você participar e ver que a mãe dele ajuda as outras pessoas. Não entenda isso como lhe julgar, mas somente uma dica. Bjssss

    Fica com Deus.

  2. Lele disse:

    Fiquei tão tocada com seu post
    depois dos filhos… ah, depois dos filhos….. como a gente muda ne?
    sempre tive fé e a presença de deus em minha vida, mas com os filhos deus se materializa!
    beijos
    Lele

  3. Rose Misceno disse:

    Que delícia meu texto ter inspirado um texto tão lindo,emocionante e cheio de verdade! Eu também simpatizo com muitas crenças, por isso digo que sou religiosa, mas não tenho religião. Fé é algo que nunca devia ser abalado, mas é inevitável, né? A gente sempre a coloca em xeque quando algo acontece, mas faz parte. Somos seres imperfeitos. Eu brigo e faço as pazes, sou assim com aqueles que amo. rsrs

    Beijão!
    Te adoro!!!!!!!

  4. Carla Moreno disse:

    Gabi!
    Não reconhecer Deus ou não acreditar em sua força ou existência é não acreditar em si mesma.
    Busque Deus dentro de você, acredita na pessoa formidável e única que existe, que é Você, lembre-se que você é o maior milagre da natureza, pois não existe ninguém e nem existira alguém com suas digitais, que fale, ande ou pense como você, Você é Singular. Então, se ame cada vez mais, acredite em você e ai descobrirá Deus.
    Um beijo! Lindo post.
    Carla Moreno

  5. Julia Costa disse:

    Gabi, adorei o texto! É engraçado, cada vez me identifico mais. Eu também não tenho religião, mas acredito muito nessa força maior que vc diz, e sempre a chamei de Deus. Nunca deixei de acreditar, mas há épocas da vida em que estou mais ligada à minha espiritualidade. E o engraçado é que antes do Luquinha nascer, eu era mais ligada. Depois, acabo não tendo tempo de pensar muito nisso… É uma coisa natural. Converso com Deus quase que o dia inteiro. rs

    Um beijo!!!

  6. Paola Preusse disse:

    Gabis, minha amiga!
    Que texto lindo :))
    Eu tenho fé e tenho religião muito forte dentro de mim e não consigo viver sem ela e quando Clara nasceu, ou melhor, quando descobri minha gravidez, minha fé ficou mais forte.
    Todos os dias eu agradecia por estar grávida, quando Clara veio pros meus braços pela primeira vez agradeci por poder gerar e ela estar viva e eu bem e hoje agradeço diariamente tudo o que acontece comigo.

    é lindo ver que independente de crença, a fé está dentro de você, de sua linda família.
    Te amo, amiga!
    Te amo e tenho orgulho de ser sua amiga de verdade.

    Beijos

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