05 fev 2014

O dia em que você nasceu

selo_2anos

Acordei. Ainda deitada recebi uma ligação da tia Rosana. Era um dia ensolarado. E acho que foi o primeiro que não havia pensado “será que você nasce hoje?”. No dia anterior estivemos na consulta com o obstetra que mais uma vez confirmou que você ainda estava alto na barriga da mamãe. Eu tinha apenas um centímetro e meio de dilatação. E você, o prazo de mais uma semana para permanecer dentro de mim. Eu queria tanto ter você de parto normal. O Dr. Vicente tentou descolar a bolsa pra ver se, de repente, eu entrava em trabalho de parto nos próximos dias. Mesmo assim tivemos que marcar a cesariana, que ficou para o dia 21 de junho. Era pra ser dia 20, mas não tinha vaga na Maternidade Santa Joana, nem no Pró Matre. É muito estranho ter que escolher uma data para o nascimento do filho. É como se aquela escolha fosse determinar uma vida inteira, o que de certa forma é uma verdade.

No dia 16, para minha surpresa, saiu o tampão da bolsa – o que até então eu nem sabia o que era. Liguei para o Marido que indicou ligar pro médico – que pediu que eu fosse para o hospital ser examinada. Logo estavam em casa minha mãe e o marido. Fomos para o Santa Joana. Chegamos lá, fui examinada e explicaram que aquilo tratava-se do tampão. A dilatação era a mesma: 1,5 cm. Mas eu ainda faria outros dois exames, um deles era ultrassom.

Eu estava morrendo de fome, não tinha almoçado e já era quase final de tarde. O marido foi buscar algo para eu comer e voltou super rápido com uma notícia inesperada. Ele tinha encontrado a médica que estava me atendendo. Ela contou que eu não poderia comer nada e que você nasceria naquele dia. Ele me contou a notícia todo nervoso. E eu fiquei em pânico: como assim??? Explica direito. E ele explicou:

– Encontrei a médica e ela disse que você não poderia comer, que houve uma alteração no líquido amniótico e que o bebê teria que nascer de cesária.

Fiquei nervosa. Comecei a tremer da cabeça aos pés. Mas tudo estava saindo como eu imaginei durante os 9 meses de gestação: de repente! Fomos chamados e avisados sobre o que estava acontecendo, além da alteração no líquido, você era grande e estava com o dorso virado pra direita (o que até agora não sei muito o que significa, mas tinha algo a ver com a possibilidade de prender sua respiração). Minha pressão que é super baixa foi lá em cima. Fomos transferidos para a maternidade Pró Matre e o seu nascimento foi marcado para às 21h30. Demos entrada na maternidade e me instalaram num quarto que mais parecia um hotel. Estava eu, o marido, minha mãe e logo chegaram a Luana e a Dani (uma outra surpresa do dia. Eu havia avisado a Dani, conforme combinamos: que se algo acontecesse, tipo a bolsa estourasse, ela queria ser avisada imediatamente). Com todas essas pessoas lá a espera ficou menos sofrida e quando dei por mim eram 21h22, eu não havia nem me arrumado ainda. Rapidamente me despi e coloquei a camisola. Chegaram para me levar.

Eu estava feliz, enfim conheceria a pessoinha agitada que me chutava o tempo todo. Estava com um pouco de medo também, mas isso foi passando aos poucos. Na sala de parto conheci o anestesista Alexandre, uma figura de pessoa, que me explicou todo o processo da anestesia, as sensações que ela causaria. Assim que tomei a anestesia todo medo passou, fiquei mais tagarela do que já sou. Nunca imaginei que um parto fosse dessa forma. Na sala tinha música e nunca vou me esquecer: enquanto você nascia tocou uma das músicas preferidas da mamãe, I’m yours, de Jason Mraz. Todos ficam conversando animadamente o tempo todo. E o papai ali do lado, nervoso de emoção. Ao ver sua cabecinha saindo, seu pai até soltou um “nossa, tinha um bebê lá dentro mesmo”. A gente fica meio assim, sem noção da realidade.

Você chegou ao mundo às 22h28. Ainda não sei explicar o que senti ao te ver, só pensava “saiu de mim”. Depois de te enrolarem, realizarem alguns exames, te trouxeram e colocaram bem pertinho de mim, você tinha uma carinha de bravo, testa franzida, não tinha dúvida nenhuma que era meu. Sua boca tão linda, bem desenhada, igual à do papai. Você era perfeito e do jeito como eu sempre imaginei. Você nasceu grande e os médicos comentaram que você parecia um bebê de um mês e não um recém-nascido. Aliás, todas as enfermeiras comentaram que você era grande, esperto e bravo. Realmente, você era o maior do berçário, nasceu com 52cm!

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Ao todo, nos dois dias em que ficamos na maternidade, 70 pessoas foram nos visitar. Parecia uma festa e de certa forma era. As visitas não param aqui em casa. Já se passaram 10 dias e é impressionante como o meu amor por você aumenta a cada dia. É algo inexplicável. Quando você nasceu, nasceu também uma mãe, um pai, uma família. Em tão pouco tempo aprendi a trocar fraldas, dar banho, interpretar seu choro de fome, de cólica e seu gesto de quem quer arrotar e não está conseguindo. Essas coisas que nos assustam enquanto o esperamos. Estou aprendendo a me comunicar com você. É tudo intuitivo, filho.

Você já é muito esperto. Gosta de conversar, de escutar. Está atento a tudo à sua volta. Você gosta de música! E pensar que tem um mundo imenso para lhe apresentar. A nossa vida juntos só está começando. É como disse o Marcelo, do blog Sopa de Pai, a vida continua e também começa agora!

*

Esse post foi escrito em 26 de junho de 2011, 10 dias após o nascimento do meu Ben.

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