26 abr 2016

O poder de empatia das mães

por
Gabi Miranda

Comportamento, Destaque, Maternidade

“Ser mãe te traz habilidades de criar empatia com o mundo”
Foi assim que uma colega de trabalho me disse porque nós mães nos colocamos tanto no lugar do outro. É o poder de empatia que toda mãe tem.

empatia

Eu vinha pensando muito nisso nos últimos dias. Quando nos tornamos mães passamos a desejar um mundo melhor, tomamos alguns cuidados como o de separar o lixo, puxar assunto e falar com todas as pessoas sem se importar com a aparência delas, desejamos um mundo com mais paz e ficamos atento com nossos atos e atitudes que possam contribuir para isso. Mas por que isso acontece? Tem a ver com o pequeno ser que colocamos no mundo. É a partir dessa relação que começamos a nos colocar realmente no lugar do outro. É aí que conquistamos um poder incrível e que pode transformar o mundo, a empatia.

A partir do momento que sabemos estar gerando uma vida dentro de nós, começamos a nos preocupar com a nossa alimentação. Estamos pensando no bebê e mudamos hábitos por ele. Então ele nasce e através do olho no olho, nasce a empatia. Segundo Alain Berthoz, diretor do Laboratório de Fisiologia da Percepção e da Ação, do Collège de France, na troca do olhar encontramos três componentes da empatia: 1. eu te olho; 2. você me olha, mas eu devo compreender o que esse olhar, experimentado por nós e dirigido para mim, significa; 3. e nasce da troca do olhar um elo que não pertence nem mais a mim nem a você, mas ocorre entre nós. De repente um elo nos liga no mundo.

Como o único meio de comunicação de um bebê é o choro, desde o primeiro momento não fazemos outra coisa além de nos colocar no lugar dele. Pensamos no melhor ambiente da casa, no silêncio para que ele possa dormir tranquilamente, verificamos a temperatura da água do banho antes de colocá-lo na banheira, atendemos prontamente ao primeiro chiado de madrugada e por aí vai… se tem um irmão mais velho na jogada, repetimos diversas vezes “coloque-se no lugar do seu irmão”. Precisamos de alguma forma compreender os sentimentos do pequeno bebê. E é assim que passamos a conhecer melhor o bebê e suas necessidades, quando experimentamos de seus sentimentos, nos colocando no lugar dele, fazendo o que gostaríamos que fosse feito conosco.

O que eu percebi após a maternidade, é que existe uma dificuldade universal na prática da empatia, nesse negócio de se colocar no lugar do outro. A sociedade é egocêntrica. Cada vez mais as pessoas se preocupam apenas consigo mesmo. E não é impossível ver mães ensinando o mesmo aos seus filhos, basta olharmos ao nosso redor, nas pracinhas, nas reuniões escolares, nas redes sociais, nas coisas que escutamos ao sair para trabalhar… O máximo mesmo seria desenvolver a habilidade da empatia e colocá-la em prática com todos, pois assim garantiríamos um futuro de relações mais saudáveis, generosas e afetuosas.

É preciso praticar a empatia em todas as nossas relações, seja familiares ou profissional, com todos que cruzam o nosso caminho. A partir do momento em que começamos a nos colocar no lugar do outro, criamos laços com o mundo que dá ainda mais sentido à nossa vida. Percebemos o quanto é bom fazer parte da vida do outro e o quanto isso nos traz bem estar. Saímos do nosso mundinho e deixamos de ser pequenos, para nos tornarmos seres humanos que fazem a diferença, passamos a fazer parte do mundo. Portanto, é importante ensinar os pequenos a praticar empatia desde cedo, pois só ela para eliminar conflitos e gerar mais colaboração. 😉

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9 respostas para “O poder de empatia das mães”

  1. […] a maternidade me transformou. Desenvolveu em mim algumas capacidades como ser mais resiliente, ter mais empatia, mais paciência, tolerância, ser dura, mas sem perder a ternura. Ensinou-me sobre me doar ao […]

  2. […] Vale a pena ler: O poder de empatia das mães! […]

  3. […] linda reflexão sobre empatia e como essa palavra toma outra proporção depois da […]

  4. OI Gabis,
    ótima reflexão. No metrô eu fico observando e me surpreendo negativamente, infelizmente, como posicionamento e egoísmo das pessoas. è muito triste ver esses valores invertidos sendo repassados para as crianças. Empatia é uma palavra que deve ser mais praticada para virar atitude.
    Amei o post
    beijos
    Chris

  5. Perfeito! Aliás, estou aqui pensando como a Natureza é perfeita, né? De cada lado que olho, descubro mais razões e justificativas para as coisas serem como são.
    Como terapeuta, já tinha estudado e praticado a empatia. Mas como mãe, essa palavra tomou outra dimensão na minha vida.
    Obrigada pela linda reflexão, Gabi!

  6. Alê Nunes disse:

    Adorei o seu chamado à reflexão sobre esse assunto.
    Acredito muito mesmo que a empatia precisa ser mais usada, desenvolvida e ensinada, pois torna tudo tão mais fácil, mas leve, mais agradável!
    bjs,
    Alê
    http://www.dafertilidadeamaternidade.com.br/

  7. materniarte disse:

    Nossa Gabis. Eu sempre digo isso….quando nasce uma mãe …nasce uma pessoa que quer mudar o mundo para seu filho!!! Se colocar no lugar do outro é um trabalho que leva tempo….mas por ser mãe eu faço isso sempre!!!

  8. Tatiana disse:

    Nossa, que lindo! Eu já tinha empatia com o mundo e depois de me tornar mãe , pareço uma mala velha, rsss… Toda aberta ao mundo…

  9. anaalonsocukier disse:

    Realmente essa coisa de empatia é muito válida quando nos tornamos mães. Se colocar no lugar do outro acontece de forma que a gente nem sabe como. Pensa e já é. Adorei esse seu post.
    beijo

  10. Claudia Bins disse:

    Tão verdadeiro e cada vez mais difícil de encontrar por aí. Talvez a empatia ande junto com a cidadania, o respeito, a educação, coisas que nossa sociedade brasileira parece estar esquecendo…

    Claudia
    @AsPasseadeiras

  11. Verdade!
    Uma palavra que eu mal conhecia antes de ser mae…
    beijos
    Lele

  12. Maroá disse:

    A maternidade modifica a gente até o último fio de cabelo <3

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