24 jun 2014

O que me faz feliz #100DiasFelizesComAVida

por
Gabi Miranda

Comportamento, Maternidade

O que me faz feliz

Ganhar algo significa perder algo. É uma lei natural da vida. Nunca acreditei que as pessoas pudessem ter tudo, que eu pudesse ter tudo e ser 100% feliz sem pagar alguma conta. Então, chegou Benjamin. Desde que vi aquela pessoinha, senti uma felicidade sem fim transbordar  no meu peito. Ali soube que perderia algo. Durante esses três anos, vivi com esse pressentimento que eu acreditava estar diretamente ligado a ele. Poucas pessoas souberam desse sentimento. Minha mãe era uma delas.

Ao mesmo tempo que eu sentia uma alegria imensa ao ver um sorriso dele, fustigava em mim uma dor, um medo imensurável de perdê-lo. Até que dia desses acordei como se tivessem soprado em meu ouvido: sua dívida está paga. Não sei se foi sonho, mas acordei com a certeza de que meu pressentimento era verdadeiro. Eu perderia algo. Não foi Benjamin. Longe de mim responsabilizar meu filho pela perda que tive. Muito pelo contrário, ele foi um presente, uma espécie de alicerce construído para me preparar para esse momento. Quando penso nos últimos anos, tenho ainda mais certeza disso. E ele me faz feliz.

O que me faz feliz

No início desse ano, conheci o blog Fêliz com a vida, da Fê Neute. O presente do ano. Em algum dia no final de fevereiro, não lembro a data exatamente, comecei o desafio #100diasfelizescomavida. Pensei “isso é fácil”, porque realmente me considerava uma pessoa feliz, radiante, plena. Uns 10 dias após ter iniciado o desafio, minha mãe faleceu repentinamente. Meu mundo virou (e continua) de cabeça pra baixo. Pulei vários dias sem postar uma foto de algo que me fazia feliz, porquê eu não estava feliz e não conseguia enxergar a graça da vida.

Abre parênteses. Irônico foi sair do hospital em que minha mãe faleceu e me deparar com aquele céu espetacular. Tirei uma foto pensando que aquela era uma foto para o desafio. Naquele instante fui abduzida por vários sentimentos. O céu parecia em festa por receber uma pessoa tão maravilhosa como minha mãe. Era justo passar por aquilo, porque era a lei natural da vida. Os filhos perderem seus pais e não o contrário. Tudo tinha um propósito. Fecha parênteses.

Só na Páscoa, umas três semanas depois desse acontecimento com a minha mãe, li o que a Fê Neute postou sobre o que ela já tinha aprendido com o desafio #100diasfelizescomavida. Foi muito importante ler esse trecho, especificamente:

“…é natural nos sentirmos tristes e de saco cheio de vez em quando. O que precisamos ter em mente é que a felicidade não é a ausência de tristeza, frustração ou de problemas e sim, a capacidade de enxergar tudo isso como parte de um processo de evolução necessário para todos nós. Você pode SER feliz, mas ESTAR triste por algum motivo. Emoções negativas são parte da vida e não devem ser evitadas e sim administradas e usadas como fonte de aprendizado.

exercite a sua capacidade de ver o copo meio cheio mesmo quando ele está quase vazio.”

Ali decidi continuar o desafio. Eu era feliz e estava triste. A tristeza seria superada em algum momento. Decidi seguir em frente com o que se mostrou realmente um desafio. Desafio que me ensinou algumas coisas e me fez descobrir outras sobre mim. Como por exemplo, que sou pessimista e dramatizo tudo. Sempre acho que as coisas podem acabar mal, estou sempre esperando uma tragédia acontecer na minha vida, a introdução desse post já diz isso. Quando viajo, tenho medo de que o avião caia. Ou sempre vou pensando que nunca mais vou voltar a ver minha casa. Marido sempre disse que eu era pessimista. Agora entendo o que ele falava. Eu não acreditava. Sou pessimista sem intenção.

Aprendi que muitas coisas me fazem feliz:

Benjamin
Minha vida ficou completa com a chegada dele. Meu filho, sem dúvida, me traz felicidade plena. Felicidade diária e tudo que acontece a ele me afeta diretamente. Seu sorriso espontâneo, seus abraços, seus carinhos, suas descobertas, cada vez que ele chama meu nome…completaria fácil os 100 dias felizes com 100 coisas que ele faz e me deixa feliz.

Dias de Sol
Não preciso estar numa praia, pode ser dia de trabalho mesmo, ter aquele céu azul iluminado pelo sol, meu Deus…como isso me fortalece, me imuniza, me enche de alegria. Brinco que esse ano eu não merecia inverno.

Família e amigos
Alimento-me também de relações pessoais. Meu marido, minha irmã, meu pai, minha outra irmã, meu irmão, minhas amigas (como eu tenho amigas maravilhosas!). Todos são importantes e fazem da minha vida mais feliz.

Comida
Comer me faz feliz e reparei que uma das coisas que mais repito quando estou comendo é “como é bom comer né?! principalmente com fome”. O fato é que eu amo comer com ou sem fome. Doces então, nem se fala.

Coisas simples
Lembranças. Recordação. Água quente. Um cobertor. Um abraço. Um sorriso. Um bom dia. Um oi. Uma ligação. Um bilhetinho. Doação. Uma música. A novela. Ficar de pernas pro ar. Livros. Filme. Cozinhar. Ajudar. Um poema. Uma frase. Um pôr do sol. Uma árvore. E várias coisinhas simples e cotidianas podem fazer diferença e trazem felicidade genuína.

Casa
Nos mudamos há 7 meses, o que foi um motivo de muita alegria. Mas meu apartamento acabou ficando de lado devido meu sofrimento. Aos poucos estou retomando meu projeto de decoração, organização. Depois de adulta, não havia sentindo tanta felicidade num lugar, como sinto no meu novo lar. Sinto um prazer enorme em voltar e ficar em casa e receber pessoas.

Prazeres
Praticar um hobby. Gosto de scrap, mas quase não tenho feito nada. O pouco que paro pra fazer, me traz um prazer gratificante. E com esse desafio, aprendi isso, que a gente tem que focar a nossa energia em coisas que nos dê prazer.

Viajar
É até sacanagem dizer isso, mas viajar me faz feliz (não só eu, né?!). Viajamos logo depois que minha mãe faleceu e apesar de tudo, foi bom pra mim. Foi um período que me fez enxergar que a felicidade está nas pequenas coisas, é clichê, mas felicidade além de ser um estado de espírito é uma escolha, a vida tem graça e vale a pena sim, tem muita coisa a ser feita ainda.

Trabalho
Fui promovida assim que voltei das minha licença/férias. Primeiro que voltar ao trabalho, ver a minha mesa ali com as minhas coisas, foi quase como voltar para um porto seguro. Eu precisava trabalhar para ocupar minha mente e afastar todos aqueles pensamentos negativos que acompanham o sofrimento. Segundo que a promoção veio no momento certo e fez sentido pra mim esse lance de que as coisas acontecem na hora certa. Minha vida profissional se transformou, não tenho tempo nenhum livre para espiar internet, fazer essas coisas que a gente faz quando sobra um tempo livre em horário comercial, é uma pressão ferrada, mas no momento tem sido gratificante e o que mantém certa sanidade para minha vida.

Dor e sofrimento
Não há como evitar o fato de que o sofrimento faz parte da vida e atinge os bons e os maus. Se comparar, são bem maiores os fatores que causam dor, mau humor, insatisfação e sofrimento. É preciso determinação e esforço para enxergar e alcançar a felicidade. Usando como exemplo a morte da minha mãe, essa é uma realidade e não tenho como mudar, portanto tenho que passar por isso gostando ou não. O que precisamos fazer é mudar nossa atitude diante do sofrimento. A nossa atitude faz diferença porque pode afetar a forma como lidamos com o sofrimento. Mudar a forma de encarar o sofrimento, faz com amenize os sentimentos negativos. Minha mãe começava sempre um novo dia dizendo “hoje só coisas boas acontecerão”. Acho que isso é uma atitude, uma forma positiva de encarar cada dia.

The End
Acabar o desafio #100diasfelizescomavida! Isso está me fazendo feliz. Confesso que já estava ficando de saco cheio de ficar me provando a todo instante que sou feliz. Aprendi: sou feliz, mas estou triste. É muito bom ser feliz, mas também é preciso se permitir a sentir o sofrimento. É inevitável e faz parte da vida. O negócio é sentir e tirar alguma lição dele.

Leia também: como usar a dor e o sofrimento a nosso favor

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4 respostas para “O que me faz feliz #100DiasFelizesComAVida”

  1. Carina disse:

    Taí a minha escritora de blogs preferida, que escreve com o coração. Você sempre me surpreende com um texto lindo, e reflexões para a vida.
    Sempre acho que li o melhor que vc escreveu, mas aí você me surpreende de novo, e de novo.
    Foi uma das coisas mais gratificantes ter descoberto seu blog, quando estava grávida do meu Heitor, me emocionou e me fez chorar de emoção inúmeras vezes.
    Você é 1.000 Gabi.
    Bjos!

    • https://bossamae.com.br/novo/wp-content/themes/bossa-mae/img/img-coment.png Gabis disse:

      Carina, que coisa mais deliciosa receber um comentário lindo desses como o seu. É gratificante saber que contribuo de alguma forma. Pode ter certeza, que vem tudo do coração mesmo. Obrigada pelo carinho de sempre. Super beijo

  2. Lele disse:

    Muito boa sua reflexão Gabis!!
    Também estou finalizando o meu projeto nos próximos dias e estou muito feliz com o resultado.
    Concordo que não existe a felicidade integral e a beleza está em encontrarmos a felicidade em pequenas coisas…
    Amo você!
    beijos
    Le

  3. Fe Neute disse:

    Que lindo, Gabi!

    Vou postar a sua história em breve!
    Beijos,
    Fe

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