21 out 2019

Perdemos nosso animal de estimação: o dia que Capitu foi embora

por
Gabi Miranda

Comportamento, Destaque

Perdemos nosso animal de estimação. Capitu fazia parte da nossa vida há 10 anos. Chegou primeiro que as crianças até! Sempre tive cachorro até ir morar sozinha – quando comecei a sentir falta de chegar em casa e ser recebida por um cachorro pulando em minhas pernas (mas não sentia saudade e não lembrava da sujeira que todo cachorro faz). A casa era muito grande para duas pessoas, então compramos a Capitu.

Ela sempre teve um temperamento peculiar. Sempre muito medrosa, vivia debaixo da poltrona da sala ou da cama. Quando eu estava em casa, ficava debaixo das minhas pernas literalmente (feito gato). Visita nenhuma imaginava que tinha cão em casa. Porque ela sumia e não fazia barulho nenhum. Ela não latia. Sempre muito boazinha.

Benjamin chegou um ano e meio depois da Capitu. Durante a gravidez, passei a não dar muita atenção para a bichinha. Eu enjoava muito e evitava ficar com ela muito perto. Depois a barriga foi crescendo, crescendo, crescendo e eu não a enxergava, pois ela vivia debaixo de mim. Coitada! Dei vários chutes acidentais nela.

Quando Benjamin nasceu, Capitu mudou completamente de comportamento. Passou a latir e enfrentar as visitas que chegavam em casa. Não deixava ninguém se aproximar dele. Avisava-me toda vez que ele se mexia (se eu estivesse no banheiro e Benjamin desse um gemido, lá estava ela arranhando a porta do banheiro). Capitu se mostrou uma verdadeira companheira.

Alguns anos se passaram e chegou a Stella. Ela foi crescendo dizendo que não gostava da Capitu. Mas vivia abraçando, beijando e brincando com a cachorra. Fazia a Capitu de brinquedo, arrastava a bichinha pra tudo quanto é lado.

Perdemos nosso animal de estimação: o dia que Capitu foi embora

Perdemos nosso animal de estimação

Capitu estava velhinha (ela tinha 10 anos e era da raça Shitzu) e dava alguns sinais que acreditávamos ser de velhice. Ela começou a encostar a cabeça na parede e ficava um tempo parada dessa forma ou batia nos móveis e não estava cega. Mas passavam-se dois dias e ela voltava ao normal como se nada tivesse acontecido. Pesquisamos na internet e dizia que podia ser algum problema mental.

O tempo foi passando. Em setembro desse ano (2019), ela ficou doentinha. De repente parou de comer um dia e no outro começou a andar pela casa desesperadamente. Parecia procurar um lugar, um canto, pois ela percorria o apartamento inteiro. Nessa noite ela não dormiu e chorou a madrugada toda. Foi aí que percebi que ela de fato não estava bem. No terceiro dia, ela estava sem comer e deitada. Conseguimos uma consulta à tarde no veterinário. À tarde ela não estava sequer levantando da caminha.

No veterinário, ele examinou e achou ela bem enfraquecida. Medicou, mas disse para nos prepararmos. Pediu alguns exames para descobrirmos o que ela tinha. Fomos direto para uma clínica fazer esses exames. Ao dar entrada, enquanto esperávamos ser chamados, Capitu morreu em meu colo. Eu não tinha percebido. Fui me dar conta quando fomos chamados e a coloquei sobre a mesa.

Capitu era parte da família

Foi chocante perdê-la. Primeiro que ao sair de casa para levá-la ao veterinário, eu não imaginei, em nenhum instante, voltar pra casa sem ela. Segundo porque foi horrível ver as crianças perderem seu animal de estimação.

Eu já tive alguns cachorros, já tinha passado várias vezes por isso. Mas eu não tinha filhos. Então, parecia doer o dobro. Eu não podia fazer nada mudar o que as crianças estavam sentindo. Elas acompanharam tudo, pois estavam junto com a gente na clínica.

Eu não imaginava ficar tão triste. Assim como não imaginava que Stella ficaria no estado em que ficou. Ela gritou e chorou copiosamente por uma longa hora.

E nós não sabíamos muito o que fazer. Explicamos que a morte faz parte do ciclo natural da vida. Que embora a gente não deseja perder pessoas e animais, uma hora isso acontecia. Falamos sobre um tal céu de cachorrinhos. E Stella perguntou se a vovó Salete cuidaria dela. Sim, com certeza.

Luto Infantil – perda de um animal de estimação

Durante alguns dias ficamos todos tristes. Eu, além da tristeza, senti uma culpa imensa. Por que não a levei antes ao veterinário? Será que ela estava com câncer? Por que foi tudo rápido? O que eu podia ter feito diferente? Questionamentos que nos assombram diante de qualquer perda. E a promessa de fazer diferente daqui pra frente.

Eu disse que não queria mais nenhum animal de estimação. Além da Capitu, temos a Marvel, uma porquinha da índia. Falei várias vezes que só ficaríamos com ela. Além de bicho de estimação dar trabalho, eu não queria mais passar por isso de novo com as crianças. Passado dois ou três dias da morte da Capitu, comentei que talvez podíamos ter uma calopsita – um bichinho que sempre tive vontade. Mas logo tirei a ideia da cabeça.

Eu pensava que a tristeza de todos ia passar. Ficaria a saudade. Mas que íamos superar juntos.

Até que, 6 dias depois, algo inesperado aconteceu…

(essa história continua no próximo post)

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