23 ago 2018

Por que presenteamos as meninas com brinquedos de casinha?

brinquedo de casinha

É verdade! Eu não gosto que minha filha ganhe brinquedos de casinha. E outro dia, no aniversário dela, que disparate! Peguei-me comprando um microondas de brinquedo. O treco me cativou porque a parte interna girava, acendia luz e ainda apitava. Jura, parecia muito com um de verdade e ainda custava 19,90. Minha filha ama brinquedos de casinha. Ela ama brincar de fazer comidinha. Por isso, me vi ali seduzida por algo que ela vibraria ao receber. Todo o meu discurso jorrado na minha testa.

Marido, vendo a minha situação, me incentivou: você está ensinando a praticidade da vida da mulher moderna. Ahã! Comprei e está comprado. E não foi só ela quem adorou. O irmão também gostou. Às vezes me esqueço desse detalhe. Ele também brinca coisas as coisas dela. E uma das coisas que adoro é vê-lo brincando de boneca com ela.

Pensando nisso, chego naquela teoria de que as crianças precisam vivenciar diferentes papéis e isso só é possível através das brincadeiras. É brincando que as crianças fazem descobertas. E imitar a vida através das brincadeiras é fundamental para seu desenvolvimento, porque é uma oportunidade da criança se descobrir em vários sentidos. Brincar cria condições físicas para o corpo, coordenação motora, desenvolve o emocional, amplifica os horizontes, traz regras de convivência. Brincar é um grande convite para o mundo.

Leia também: brincar é uma experiência inexplicável

A criança quando brinca descobre sobre si, sobre os objetos a sua volta, sobre o outro. Então quando um menino brinca de boneca, não quer dizer absolutamente nada sobre sua homossexualidade! Ele simplesmente está se espelhando nas pessoas da sua convivência. Ou seja, refletindo o cuidado e atenção que recebe da mãe, do pai, dos cuidadores em geral. O mesmo acontece com a menina. Quando ela se aventura com super heróis, carrinhos, avião, dinossauros, lego e quebra cabeças, ela está sendo estimulada e aprendendo que tem a mesma capacidade que os meninos.

Maaaaassss… em geral, não incentivamos as meninas a brincarem com carrinhos, lego e quebra cabeças! Aqui em casa nos esforçamos. E fico feliz que o lar é cheio de brinquedos dessas categorias. Pessoas que me conhecem, principalmente da família, não dão brinquedos de casinha para Stella. Uma prima minha, uma vez deu um caminhão sensacional com peças para encaixar. Meu pai nunca deu para Stella brinquedos de casinha (e acho que nunca vai dar). Meu pai, assim como minha mãe era, é de dar presentes que falam algo sobre nós. Sabe como é isso? Aquela coisa de você sair para comprar um presente especial para uma pessoa importante? Algo que o faz lembrar a pessoa que você ama. Aliás, ele adora dar livros! E sempre vem com títulos ótimos, inclusive para as crianças.

Os benefícios dos brinquedos de montar

Os meninos são mais incentivados a brincarem com brinquedos de montar. Enquanto as meninas não! Existe um paradigma de que criar casas, prédios, pontes ou qualquer outra arte arquitetônica é coisa para meninos. Pois brincar de construir representa uma atividade enriquecedora para meninos e meninas, no quesito intelectual e motor. E brinquedos de montar trazem alguns benefícios como:

  • Contribui para o desenvolvimento da coordenação e motricidade fina;
  • Ensina compreender formas geométricas, cores, tamanhos, conceitos espaciais;
  • Estimula a concentração, a atenção, a criatividade e a imaginação;
  • Incentiva planejamento, o diálogo e a cooperação em grupo;
  • Ajudam a se familiarizar com as leis da física, como a gravidade e o equilíbrio;
  • Aumenta a autoestima e a confiança das crianças

Ou seja, se incentivamos as meninas a também brincarem de construir edifícios, estamos promovendo nelas todas essas coisas e muito mais. Estamos estimulando elas serem o que elas quiserem.

Ritual de mãe

Vale registrar que dei o microondas de brinquedo para minha filha no aniversário dela. Mas dei também um livro: Malala e o lápis mágico. Um livro de Malala Yousafzai que fala para os pequenos leitores sobre a importância de lutar pelos próprios direitos. Quando minha filha completou dois anos (agora ela está com 3), estipulei um ritual. Todo aniversário dela, lhe presentearei com um livro especial. Que de preferência esse livro seja de uma personalidade feminina marcante. No primeiro ano, comprei uma edição especial do Diário de Anne Frank.

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